Rui Rio: Um Erro de Casting

Vi ontem parte do frente-a-frente entre Rui Rio e Jerónimo de Sousa. Foi um debate algo maçudo, mas houve um momento que me deixou bastante perplexo. A certa altura, Rui Rio gaba-se de ter sido ele pessoalmente a inscrever no programa eleitoral do PSD a medida de penalizar fiscalmente as empresas privadas que pratiquem maiores discrepâncias salariais. E qual foi a sofisticada explicação que Rui Rio deu para defender esta medida? Simplesmente porque “não achava justo“.

Jerónimo de Sousa usou a mesma sofisticada argumentação para defender as 35 horas no sector privado (porque achava que era “um avanço civilizacional”) e um salário mínimo de 850 euros (porque achava que para ter uma vida condigna, um trabalhador devia ganhar no mínimo esse valor).

Chegamos a um ponto em que um político, porque acha uma coisa justa ou injusta, porque gosta ou não gosta de determinada coisa – e ainda que diga respeito apenas a terceiros; se sentem no direito de legislar no sentido de proibir, obrigar ou penalizar essa mesma coisa.

E é isto a nata da classe política em Portugal. Sem inteligência, sem pensamento crítico, sem preparação técnica e com toques ditatoriais. Basta ter uma opinião sobre determinada coisa que é suficiente para transformar essa opinião em lei, sem ter em conta as liberdades individuais e a realidade económica. É bem verdade que por detrás de um político auto-proclamado “defensor da liberdade” está na realidade um pequeno tirano.

A noticia abaixo é sobre o bloco de esquerda, mas com Rui Rio a liderar o partido social democrata, podem substituir Bloco por PSD que a notícia fica igual.

Leitura complementar: Podem Começar Com o Benfica

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11 pensamentos sobre “Rui Rio: Um Erro de Casting

  1. Francisco Lx

    É, realmente o que é comum é os políticos fazerem coisas com que não estão de acordo só porque têm de atender às suas clientelas ou porque foram mandados. Isto de fazer coisas pela própria cabeça não é normal.

  2. Só posso concordar com “É bem verdade que por detrás de um político auto-proclamado “defensor da liberdade” está na realidade um pequeno tirano.”

    Não conheço muita gente na política, mas os poucos que conheço vão de ex-secretário de estado a gente da junta de freguesia..

    Todos, independentemente do partido que os pôs lá, tem em comum o pensamento que se foram eleitos é porque são melhores que os outros que os elegeram e, portanto, tudo o pensam é mais elevado que a plebe.

    Mesmo que estejam de boa-fé, acham que tudo o que pensam é o que deve ser feito mesmo se contra a vontade dos que os elegeram.

  3. É uma intromissão brutal do Estado na esfera privada. Sem nenhuma estratégia de fundo, sem nenhuma emergência nacional, sem nenhuma razão além de um “achismo” de mesa de café. Ao Francisco LX, a diferença entre um Estadista e um Taxista é esta mesmo, não é uma questão de fazer coisas pela própria cabeça. E infelizmente para o país, Rui Rio pende para o tipo taxista.

  4. Triste é vermos que a dicotomia entre os mais pobres e os mais ricos estão a crescer a cada dia que passa. A nossa sociedade global, mas também especificamente em Portugal, está cada vez mais agressiva social e economicamente. Acho uma medida justa, mas ao contrário dos Ruis Rios, das Catarinas Martins e dos Jerónimos de Sousa tenho opinião própria. Não podemos ter precários numa empresa, onde o próprio Estado a financia. Viver com precariedade não é viver com dignidade, nem com liberdade.

  5. Terão ZERO empresas a portar-se de modo para eles socialmente útil. Sem qualquer lucro distribuído, onde a empregada de limpeza ganha tanto quanto o gestor e com gabinetes de psicologia para mudança de género e de génera.

    Sereis então todos desfuncionários ré-públicos. Trabalhinho para o Estado. Trabalhinho sem dinheirinho, é claro, porque nenhuma empresa sustentará o Estado.

    Mas isso são pormenores pormenorentos. Naquelas cabecinhas cabeçoilas, que pensam o Mundo do cimo do seu estômago para baixo, não há lugar para essas coisinhas minudentes de quem paga os seus vícios. Falar em dinheiro é anátema. O dinheiro aparece sempre e a dívida é para se ir gerindo.

  6. Não sendo socialista, de certo modo choca que quem anda a limpar a merda que os ditos senhores cagam, ganha menos que o salário mínimo. Pior ainda, sujeito a doenças mais que qualquer um.
    Há dramas enormes em pessoas que ganham o mínimo e têm de pagar rendas e com doentes em casa.

  7. Maria,

    Se os socialistas fizessem empresas privadas onde pagam acima do salário mínimo, a coisa ia. Que eu saiba, só Henrique Neto e Nabeiro se qualificam.

    As empresas devem ser livres de pagar quanto quiserem a quem quiserem. As pessoas devem ser livres de trabalhar quanto quiserem com quem quiserem. Regras que protegem o trabalhador do despedimento impedem que esse mesmo trabalhador de mudar facilmente de trabalho, optando por um melhor. Porque impedem a dinamização do mercado de trabalho e a criação fácil de empresas. Que são precisamente os postos de trabalho que tornam a competição entre trabalhadores a força motriz da subida de salários.

  8. Colaço, não tem fotos da Nigéria, do Haiti ou da Libéria?
    Que eu saiba, nesses países que nunca foram socialistas os políticos não são famosos por defender aquilo que consideram ser justo.

  9. Filipe Bastos

    Francisco Colaço,

    Nem as empresas nem os indivíduos são livres de fazer o quiserem a quem quiserem. A civilização implica regras, quase sempre para cercear os nossos piores instintos – entre eles o egoísmo, a ganância e a exploração dos outros.

    Ninguém advoga a igualdade absoluta, nem esta seria possível, somos todos diferentes. Mas ao contrário do que advogam os crentes do ‘mercado’, como parece o seu caso, há limites. Ninguém vale cem vezes mais do que os outros. Ninguém é cem vezes mais esperto, ou cem vezes mais forte, ou mais rápido, ou trabalha cem vezes mais. Tudo o que é humano tem limites.

    Da mesma forma, a riqueza deve ter limites. A diferença salarial deve ter limites. É injusto e imoral o sr. gerente, ou o sr. director, ganhar cem vezes mais que o funcionário – quem realmente produz a riqueza – ou haver fortunas obscenas, que nenhum salário poderia acumular em mihares de anos de trabalho. Cabe à sociedade definir limites, como para tudo o resto. Pegue-se na média salarial, multiplique-se por um nº razoável. Quem merece continuará a ganhar mais, apenas não desmesuradamente mais. Onde está o problema?

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