Limite de 15 litros

Em caso de greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas, o Governo vai impor um limite de 15 litros no abastecimento de veículos ligeiros nos postos pertencentes à Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA). 25 litros fora da REPA.

Como afirmei em post anterior:

Quando se impõe uma quantidade máxima por consumidor não há forma de saber se 10 litros para determinado condutor são mais valiosos que para outro condutor no fim da fila que, quando chegar a sua vez, poderá não conseguir comprar combustível.

Cada litro de combustível é valorizado de forma diferente por cada consumidor. A alguém que pode adiar uma viagem de carro, o “valor” atribuído a 15 litros será certamente inferior a quem dele necessita para, por exemplo, exercer a sua profissão e, consequentemente, obter o rendimento necessário para pagar as contas.

Em situações normais de abastecimento (sem risco de grande escassez), o “lucro” do segundo motorista será superior ao do primeiro. Também será o segundo motorista que, em caso de uma crise energética, está disposto a ter lucro inferior (i.e. pagar mais pelo combustível). Mas esta decisão do Governo traduz-se numa preferência por quem está na frente da fila do posto de abastecimento, não por quem o combustível é mais valioso.

Volto a afirmar o que anteriormente escrevi: Preço obriga a selecção mais justa.

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13 pensamentos sobre “Limite de 15 litros

  1. isso é uma falácia!
    Sendo o bem adquirido igual para o primeiro da fila como para o último, quem tiver mais urgência em comprar o bem, é quem deve ir mais cedo para a fila.

    O autocarro vem a chegar à paragem quase lotado. É impossível saber quem tem mais pressa para chegar ao destino. Quem tem muita pressa veio com certeza mais cedo para a paragem.

  2. Ricardo

    @Manuel Galvão
    Errado. Não é falácia, é o correcto. Para mim 15 é muito. Se o preço dos combustíveis aumentasse eu não teria uma grande motivação para encher o depósito. Já quem trabalha o dia inteiro com o carro tem, apesar dos custos mais elevados.

  3. AB

    Portanto quem mais precisa é quem mais paga. Sacrificando o lucro? Não me parece, o inevitável é aumentar o seu próprio preço, ou num movimento ilógico, comprar a quem não precisa e pagou menos, criando mais um intermediário.
    A formação do preço dos combustíveis é invulgar desde o começo – Portugal tem reservas para 90 dias, mas quando o petróleo sobe os aumentos não esperam 90 dias, embora, em teoria, só daí a 90 dias se comece a gastar o já mais caro. E as descidas de preço são mais lentas que as subidas. Se estamos a trabalhar com futuros deviam ser ambas instantâneas.
    O serviço diferenciado por preço já existe, o correio expresso é mais caro, a obtenção de certos documentos tem um preço variável conforme a urgência. E acho que os resultados já mostraram o perigo – o correio normal tornou-se lentíssimo, os serviços arrastam-se até final dos prazos para criar urgência artificial. O serviço diferenciado passa a ser o novo normal e cria-se outro mais caro.
    No caso dos combustíveis haveria o risco de ser servido quem mais pode, não necessáriamente quem mais precisa. Em termos correntes, o tipo do Bentley atesta e o da Transit não pode.
    Eu serei um leigo, mas estou habituado ao mercado de capitais, que é um leilão permanente, com variações brutais em segundos – a Farfetch caíu quase 45% na última sessão. Deus me livre de enfrentar o mesmo cada vez que preciso de leite ou ovos. E evidentemente, nem a Farfetch pode aumentar o que vende 45% para compensar o que perdeu. Porque a Farfetch, ao contrário dos combustíveis em Portugal, move-se num verdadeiro mercado concorrencial. E logo aí reside o erro lógico – impôr preços liberalizados num mercado que não é.
    Se o mercado de combustíveis fosse concorrencial as variações de preço seriam maiores de marca para marca, e nunca faltariam combustíveis em todas as marcas em simultâneo. E a marca, ou marcas, que conseguissem manter os canais de fornecimento intactos nem precisariam de subir margens para ganhar mais – venderiam mais.
    Repare-se que a falta de combustíveis resulta da existência dum cartel, que é o sindicato. Que aliás, e pela sua lógica, poderá exigir o preço que entender pelos seus serviços, pelo que os patrões só têm é que lhes dar o que eles quiserem, cada vez que eles entenderem. Só não dão porque se calhar são todos uma cambada de iletrados económicos.

  4. AB

    A Farfetch ou outra qualquer que tenha prejuízos não resolve o problema colocando o preço do que vende acima do que a concorrência pratica.
    Quanto ao valor duma empresa de capital aberto, há quem diga que é o que o mercado lhe atribui a cada momento, há quem diga que não.
    A questão aqui é se quer trabalhar com o preço percepcionado da gasolina a cada segundo ou com o que chama “valor presente”.

  5. AB

    De qualquer modo fiquem os liberais tranquilos, caro BZ – aparentemente uma das vias de acção que este governo da treta tem em cima da mesa é a subida de preços dos combustíveis. E aí veremos se o BZ vai louvar a Geringonça ou desdizer-se.

  6. Pingback: Preço é o melhor sinal – O Insurgente

  7. AB

    Não. Como já disse, essa solução acaba com as filas mas não com o problema. E você que já conhece este governo – e o que já fez com as medidas “transitórias” nos combustíveis – devia saber melhor.

  8. há um elefante na sala que ninguém está interessado em ver, e muito menos interessado em discutir.
    Trata-se do incumprimento sistemático das leis laborais e fiscais, durante décadas, que aconteceu com a conivência e cumplicidade entre patrões e empregados, e tolerância da Autoridade Tributária.
    1. Horários de trabalho de mais de 10 horas por dia. (em média) Empresas seriam multadas.
    2. Pagamentos “por fora” de grande parte dessas horas. Isto é fuga ao IRS e às contribuições para a Segurança Social.

    Afinal, quem tem a culpa desta greve é quem menos se pensava que fosse – A Autoridade Fiscal – que atuou no sentido de defender os interesses dos cofres do Estado, provocando a ira de quem sentiu que o seu ordenado líquido ia baixar brutalmente.
    Repor a legalidade implica aumentos brutais dos salários-base para se atingirem os salários líquidos que são praticados.

    O Estado tem que multar forte e feio as empresas que fogem ao fisco (e que induzem seus trabalhadores a fazerem o mesmo) e obrigar os motoristas a re-preencher e entregar os IRSs dos últimos 5 anos, declarando agora as remunerações que receberam “por fora”. Se isto não for feito agora, no futuro terá que ser feito.

    Não penso que o país parasse com falta de gasolina. Em Espanha e França há muitos transportadores de combustíveis que aceitariam fazer o trabalho que os grevistas se recusam a fazer.

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