Uma Declaração de Voto Como Deve de Ser

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No dia em que os socialistas, os liberais europeus e os verdes se preparam para uma grande coligação a favor de um federalismo embriagado, só uma força assumidamente não-federalista pode merecer o voto da direita. Essa força é o CDS.

Poucos ainda se dão ao trabalho de assistir aos debates entre os putativos candidatos à Comissão Europeia. Confesso que não os acompanhei na íntegra, mas a conclusão a que cheguei não é feliz: Vestager, ”liberal”, insiste na sua sanha contra os gigantes digitais, Weber apresenta-se como um bípede incógnito e resta-nos Jan Zahradil, a única candidatura com um módico de bom senso sobre os próximos passos: Europa, sim, mas está na altura de travar a ameaça de um grande salto em frente. O ECR de Zahradil, estando amaldiçoado por uma forte ala do Lei e Justiça polaco, e, com o desaparecimento dos conservadores ingleses, está destinado ao fracasso; por outro lado, cabe ao PPE, enquanto maior família política do centro-direita Europeu, tomar uma posição em nome tanto dos Estados como da Europa. Nos dias que correm, percorrer a ténue linha entre o populismo primário e um cepticismo responsável é um exercício tragicamente complexo mas, mais do que nunca, necessário, sobretudo dentro do PPE: tem sido esse o discurso do CDS.

É necessário, sim, focarmo-nos na importância de completar o mercado interno, especialmente o digital, de intensificar o trabalho sobre os tratados comerciais, uma política de convergência justa – e sim, os fundos europeus importam, e importa que Portugal esteja a ser penalizado por incompetência socialista que corre o risco de ser recompensada.

Estas eleições servirão também para clarificar os posicionamentos das diferentes facções ideológicas dentro da União Europeia. Temos conhecido, até agora, uma incompreensível reacção do centro a uma onda de desagrado em relação à UE que se encontra cada vez mais institucionalizada. Ora, só se justificaria uma surpresa na eventualidade desta não surgirem a propósito de três crises tão graves: Euro, Migrações e Brexit. A insistência do centro – PPE, ALDE e S&D – em classificar de eurocéptico tudo o que saísse da sua esfera de consenso redundou num preço bem caro para a Europa, transformada agora numa verdadeira panela de pressão. As forças ”eurocépticas” ou eurocalmas, que não têm de ser nem são necessariamente populistas, precisam de um lugar à mesa. Aplicar o epípeto de céptico a Farage é uma ofensa aos cépticos. Farage não passa um nacional-populista, movimento que anda na moda e pouco deve à respeitável tradição céptica.

Não encontrei nenhum outro partido que fosse tão claro nestas prioridades; e quem não as encontrou ou foi porque não procurou ou, infelizmente, porque a comunicação social não quis saber. Foi o CDS que exigiu um pacto entre todas as forças políticas que levasse à Assembleia da República a criação de impostos europeus. Foi o único que disse claramente não ser federalista deste a primeira hora. Não anda a pedir uma expansão maciça da burocracia europeia – como faz a IL, ao pedir iniciativa legislativa  para o Parlamento Europeu. Defende a unanimidade em matéria fiscal, pois o seu fim só contribuiria para o clima de tensão já existente, para não falar do óbvio: quem fala de impostos são os parlamentos. Ponto.

Defende a Europa onde ela faz sentido, como na proteção civil, no mercado único, na política de fronteiras e nos tratados comerciais. É o que se precisa. E no fim do dia, precisamos de eleger – mesmo – eurodeputados que não estejam desertos de se juntar a Costa e Macron por um admirável mundo novo. Para mim, é motivo que baste.

 

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2 pensamentos sobre “Uma Declaração de Voto Como Deve de Ser

  1. Rão Arques

    COMO É
    A verdade é que não elegemos coisa nenhuma.
    Bastante mais de metade nem põe lá os pés para não dar confiança.
    A percentagem de votos é demasiado ridícula no conjunto, como nos contados em cada partido concorrente.
    Eles foram previamente escolhidos para mais um cargo de pura fidelidade canina a quem os plantou nas listas.

  2. Rão Arques

    Pena se a chamada abstenção não atingir uma marca a rondar os 75%.
    Queria ver se a guarda avançada cá da bandalheira fraudulenta se mantinha muda e queda.
    Será que nem assim Marcelo avançaria para promover a purificação do sistema?
    Adianto ainda que no boletim de voto, em campo destacado na parte inferior depois das formações concorrentes deviam ser consideradas três alternativas como voto validamente expresso:
    1-voto branco (a levar X)
    2-voto nulo (a levar X)
    3-abstenção (a levar X)
    Quem se atreve?

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