Da poltrona para a mesa de voto

Os liberais são uma espécie rara que gosta de debater ideias e acima de tudo criticar a situação, quase sempre deplorável, da coisa pública. Cépticos no que toca à natureza dos partidos políticos e do exercício do poder, são frequentadores habituais da poltrona, lugar privilegiado para discorrer sobre os problemas políticos da nação. A poltrona é confortável e o seu usufruto evita que as mãos fiquem sujas, exceptuando a tinta dos jornais, cada vez mais em desuso. Esta característica é universal de liberais em quase todo o lado. Os anglo-saxónicos chamam-lhes armchair liberals.

Pela primeira vez em Portugal, haverá um partido liberal no boletim de voto. A Iniciativa Liberal. Apesar deste facto, é possível que alguns liberais fiquem nas suas poltronas a dissertar sobre o costume. Cépticismo oblige. Por mim acho que já era hora de sair desse recatado conforto e ir, no mínimo, até à mesa de voto. Se não pelo princípio da coisa, pelo menos pelo esforço meritório do Carlos Guimarães Pinto e do Ricardo Arroja, entre outros, que foram os primeiros a tomar a iniciativa de sair da poltrona.

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