Os media e a abstenção

“Já há dois debates confirmados nas televisões com os cabeças-de-lista dos partidos às europeias (o terceiro debate ainda está em negociações), soube a VISÃO junto de fontes de candidaturas. (…) A RTP foi a primeira a fechar uma data: 20 de maio. Uma semana antes das eleições, os cabeças-de-lista de todos os partidos com presença em Bruxelas – PS, PSD, PCP, CDS, Bloco de Esquerda e MPT – vão juntar-se no Mosteiro dos Jerónimos para um confronto derradeiro. (…) Certo é o segundo debate, que na verdade até será o primeiro entre os candidatos, também já tem data: 1 de maio foi a data consensualizada com a SIC, depois de várias tentativas frustradas pela recusa (do PS, para o dia 5 de abril) em participar num debate antes de as listas serem entregues no Tribunal Constitucional ou por dificuldades de agenda. Nessa agenda eleitoral, 16 de abril é a data-limite para os partidos apresentarem os nomes ao Parlamento Europeu no Palácio Ratton, e a estação ainda propôs que os cabeça-de-lista se sentassem todos logo no dia seguinte, mas o plenário em Estrasburgo – onde estarão presentes quatro dos candidatos – surgiu como um obstáculo.”, na Visão.

A confirmar-se a notícia da Visão, a insistência das televisões em reservar o debate televisivo aos “incumbentes”, para além de inclinar o plano a favor daqueles partidos, levanta um problema de selecção adversa e “path dependence” na política portuguesa. Desconhecedores de outras alternativas, os eleitores, para quem os debates televisivos são o grande momento de julgamento dos candidatos, acabam restringidos nas suas opções de escolha. A restrição colocada aos eleitores leva a uma de duas: as pessoas, ou são levadas a votar nos mesmos ou, cansadas dos mesmos, abstêm-se. E, assim, acabamos com os media a promover a abstenção, em vez da participação.

Ontem, assisti no Porto a um excelente evento sobre as europeias promovido pelo Público. Num painel intitulado “A Europa vista pelos media”, sentaram-se os directores do Público, do Expresso, da RTP, do Jornal de Notícias e do El País. Da directora de informação da RTP, Maria Flor Pedroso, os presentes ouviram palavras que intuíram o desejo de incluir na cobertura europeia da RTP todos os cabeças de lista que formalmente vierem a ser apresentados aos eleitores. Por isso, qual não foi o meu espanto quando esta manhã li a Visão, indicando que os debates já estavam “fechados”. E, pior do que isso, indicando uma vontade implícita de alguns em limitar os debates ao centrão PS/PSD que monopoliza a governação em Portugal há 40 anos.

Da minha parte, estou disponível para todo e qualquer embate público. Disponível para entrevistas a jornais, rádios e televisões. Disponível para entrevistas a solo, debates a dois, debates com mais participantes, o que quiserem. Há muito tempo que o faço, pelo que, são ambientes naturais para mim. Portanto, se querem mesmo testar o “poder da pergunta” (como ainda ontem os jornalistas do painel referiam), então, cá estou eu para dar corpo à força da ideias que venho propondo aos eleitores.

Os media tradicionais estão sob pressão das redes sociais, que é onde hoje se joga boa parte de uma campanha eleitoral, que é onde o partido Iniciativa Liberal está tão bem implantado. Os nossos “posts” e “tweets”, como ainda ontem se viu a propósito da patética acção da Infraestruturas de Portugal, estão cada vez mais virais e chegam a cada vez mais pessoas. À falta de perguntas dos media, temos felizmente o poder das ideias. A alternativa é o liberalismo. Só não vê quem não quiser.

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Um pensamento sobre “Os media e a abstenção

  1. Antonio Marques Mendes

    Caro Ricardo, os debates com todos os candidatos devem incluir todos os partidos, mas isso retira-lhes eficácia. São muito mais importantes os cartazes outdoor se transmitirem uma mensagem clara e pertinente como aconteceu no caso do cartaz que vos censuraram.

    As aparições individuais na TV ainda que não relacionadas com as eleições têm mais impato.

    Quanto aos temas devem ser sobretudo nacionais, ainda que relacionados indiretamente com a Europa. Por exemplo, denunciar a subsidio dependência em Portugal mas reclamar que as transferências da UE possam ser usadas para reduzir o endividamento. Ou, denunciar que a principal razão para o atraso economico é o socialismo e que a UE nada faz para o contrariar, etc. etc.

    Boa sorte!

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