Do urgente empoderamento das mulheres no sector vital da malandragem

Se olharmos para trás, o país evoluiu muito em termos de igualdade de género. Mas, se quisermos ser sérios, há ainda muito a fazer, nomeadamente em contexto profissional. Quer dizer que não há mulheres competentes a chegar a posições de destaque nas mais variadas áreas das empresas, do Estado e da vida pública? Há, seguramente. Todavia, a igualdade não passa apenas, nem passa principalmente, por mulheres capazes terem direito ao espaço que lhes cabe em função dessa capacidade. Era só o que faltava que não tivessem. A igualdade passa por mulheres incapazes tomarem espaços para os quais não são capazes. Porque o país está cheio de homens incapazes que ocupam esses espaços apesar da sua incapacidade. Igualdade tem de ser, portanto, o empoderamento (lá está…) de mulheres incapazes para as colocar em circunstâncias semelhantes às dos homens incapazes que têm sido promovidos às mais altas responsabilidades apesar da sua profunda incompetência. O governo de António Costa, é justo reconhecer, tem liderado pelo exemplo nesta matéria. A ministra Graça Fonseca (a da cultura ou lá como se chama aquela pasta que distribui dinheiro dos contribuintes por “agentes” que se dedicam a “performances” variadas que os contribuintes nunca pagariam para ver, ouvir ou comprar) parece até mais incompetente do que o ministro homem (não me recordo agora do nome, mas é aquele que é poeta e tinha cara assim de patarata) que a precedeu. E a ministra Marta Temido, da Saúde, honra lhe seja feita, também tem mostrado potencial para ser tão ou mais incompetente que o ministro Adalberto, sendo que, com este, a fasquia já estava situada a um nível de incompetência bastante exigente. Mas se no que diz respeito ao elenco governativo estão a ser dados passos seguros no sentido de dar palco a mulheres com níveis de incompetência apreciáveis (veremos em todo o caso se será possível encontrar um dia uma líder do executivo tão incompetente como o próprio António Costa), este não é um movimento que esteja a acontecer com a mesma velocidade noutras áreas. Veja-se o sector vital da Malandragem no qual se atingiu, em Portugal, um nível de proficiência que nos coloca entre os trinta melhores do mundo nos indicadores globais de corrupção e que é responsável pela criação de emprego e de assinalável acumulação de riqueza. Quem tivemos no país que se tenha destacado no sector da Malandragem? Um Alves dos Reis, no passado? Era, tanto quanto se sabe, gajo. Normal, numa sociedade que era profundamente heteropatriarcal. Mas as coisas mudaram entretanto? Muito pouco. Quem tivemos então com acusações de trafulhice em julgado ou na praça pública nos últimos anos? Um Sócrates? Ao que se sabe, apesar da voz esganiçada, é gajo. Ricardo Salgado? Gajo, ao que tudo indica. Bava, Dias Loureiro, Vara, Carlos Santos Silva, José Paulo Pinto de Sousa, Isaltino, Valentim Loureiro, Granadeiro, os do futebol? Tudo gajos, até prova em contrário. A sub-representação feminina em todos estes casos é deprimente. Repare-se que estes expoentes do sector da Malandragem são todos eles razoavelmente incompetentes uma vez que acabaram por ser apanhados (condenados é outra coisa) com a boca na botija. Pois nem assim há uma mulher que se destaque em algum dos grandes casos de corrupção que abanaram o país. Fernanda Câncio, por exemplo, intrépida lutadora da igualdade de género, apesar da sua intimidade com Sócrates, nem sequer conseguiu ser arguida no Processo Marquês. Bárbara Vara, de vistas curtas, contentou-se com um empréstimo mixuruca de duzentos mil euros da Caixa Geral de Depósitos de Vinhais (naquelas condições não era logo de pedir cinco ou seis milhões?) e nunca suspeitou (muito menos participou, claro) das trampolinices do patriarca Vara. A mulher de Ricardo Salgado? Uma senhora, hã!!! Uma senhora! Incapaz de partir uma unha no intervalo das missas, quanto mais de colocar o pé em ramo verde. Do ponto de vista do empoderamento feminino no sector da Malandragem é tudo uma miséria, convenhamos. Tão mais grave quanto é certo que a economia paralela e subterrânea representa para aí 25% da riqueza do país. Se as mulheres competentes, mas sobretudo as incompetentes, forem sistematicamente afastadas de posições de liderança no sector da Malandragem isso significa que estão desde logo privadas de aceder a uma parte muito relevante do PIB. A verdade é que para encontrarmos uma mulher com algum destaque na gatunice temos de recuar a D. Branca na década de 80 do século passado (um esquema de Ponzi razoavelmente bem esgalhado mas ainda assim longe da performance de João Rendeiro uns anos depois) ou a Fátima Felgueiras (um desempenho promissor que incluiu fuga rocambolesca, fixação de residência em país sem acordo de extradição e remodelação estética, mas que acabou numa aparente cedência ao sector formal da economia e ao recato da vida autárquica numa parvónia do norte-interior). Há mais? Quem? A da Raríssimas? O Bataglia dos submarinos e do Monte Branco riu-se. Note-se que até no caso da troca de lâmpadas e casquilhos na Câmara de Loures é o genro do Jerónimo, não a filha, que leva a massa para casa. A verdade é esta: em Portugal, em pleno século XXI, ao lado de um grande homem envolvido em trambiqueirice há, na melhor das hipóteses, uma grande mulher que não viu nada. É muito pouco e é óbvio que temos de dar a volta a isto.

* publicado na edição de Fevereiro do Dia 15.

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Um pensamento sobre “Do urgente empoderamento das mulheres no sector vital da malandragem

  1. Expatriado

    Quero ver as feministas que exigem igualdade a fazer estes trabalhos. Ou elas pensam que só há trabalho de escritório?

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