Que país é este que se abandona a si próprio?

É triste, mas parece que neste país já vão sendo normais as notícias que dão conta desta práctica bárbara que é o abandono de animais de estimação nos períodos de férias. É triste, mas é daquelas coisas tristes que nos vão passando pelos olhos. Hoje, vá-se lá saber porquê, o algoritmo do Facebook presenteou-me com uma outra história de abandonos — ao que parece, não menos vulgar, mas para mim desconhecida. Dizia a notícia da RTP:

“A pior época é sem dúvida a do Natal e a de férias – altura em que muitos idosos são deixados ao abandono à porta dos hospitais, ou inscritos com moradas e números de telefone falsos.”

A notícia não é nova, mas permanece actual e… vem aí o Natal.

Que diabo, será que isto vai acontecer outra vez? Vamos nós deixar que isto aconteça outra vez? Ou vamos todos continuar a olhar para o lado. Ou, pior, vamos olhar para o lado, com a tranquilidade que o pagamento dos impostos dá às nossas consciências?

E, já agora, e também a propósito do pagamento de impostos: isto não se resolve com políticas sociais com vista à criação de instituições ou albergues para os idosos. Isso só serve para criar empregos a mais parasitas — que depois, aliás, já terão o assunto resolvido quando chegar a vez de porem os pais deles numa qualquer IPSS.  Ainda para mais, depois de uma vidinha inteira a descontar para tudo e mais alguma coisa e a pagar impostos com língua de palmo. Sim, isso bem que justificaria que o Estado tratasse disso.

Mas, não. Não é por aí.

E porque estes tristes episódios não são novidade, já deveríamos (há muito!) ter percebido que não é por aí.

Isto resolve-se, sim. Resolve-se com educação, com valores morais sólidos. Com respeito pela liberdade, pela responsabilidade e pela vida.
Ser adulto livre significa também ser responsável por aqueles a quem damos a vida e por aqueles que nos deram a vida.

Liberdade é isto. O resto é dependência.

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5 pensamentos sobre “Que país é este que se abandona a si próprio?

  1. Este postal ilustra a falta de respeito que o autor tem pelas situações dramáticas em que algumas vivem.
    Doença, pobreza, velhice…
    Estou a lembrar-me de uma senhora com 72 anos que vive com a mãe de 95 anos. Esta última paraplégica desde que partiu o colo do fémur, não se tendo adaptado a aparelhos de locomução menos pesados que a cadeira de rodas…
    A filha tem 250 euros de pensão, a mãe 200. Pagam de renda 80 euros, 40 de água e luz, e pagam a uma senhora que vai ajudar 200 por mês.

    O Sr. Castelo Branco não se consegue imaginar numa situação destas. É pena!
    Mas sempre podia deixar de publicar palhaçadas como esta, em que sugere que as pessoas abandonadas num hospital são familiares a viver em agregados familiares com posses e saúde suficientes para tratarem de seus parentes velhos…

  2. José Tomaz Castello Branco

    Caro Manoloheredia, li e reli o seu comentário. Depois fui reler o meu “postal”, como lhe chamou. Fi-lo porque fiquei preocupado com a sua acusação de “falta de respeito” relativamente a “situações dramáticas em que algumas pessoas vivem”. Lamento, mas não encontrei faltas de respeito.
    A situação concreta que o senhor descreve é dramática, sim. Mas o que eu escrevi nada tem que ver com essa situação.

  3. Realidades.

    Vamos misturar alhos e bugalhos, baralhar situações e dar uma lição de moral.

    Está frio e as pessoas podem não ter dinheiro para aquecer a casa, os mais idosos ficam doentes e vão para o hospital. Educação e valores morais sólidos não aquecem.

    Trabalhar 8 horas por dia mais uma hora obrigatória de almoço mais uma hora de transporte por um salário que pouco mais garante que a subsistência.
    E filhos? Quem fica a tomar conta deles enquanto os pais vão trabalhar? Os avós que se reformam aos 66? E os Avós, quem toma conta deles?
    Falta o dinheiro porque falta o tempo porque falta o dinheiro,

    É muito feio comparar valores de gerações com condições pouco comparáveis.
    Os valores morais não resolvem todos os problemas, ao contrário do dinheiro.

  4. A vida é dificil . As pessoas são frageis , são vulneraveis , têm necessidades de variada ordem .
    O “estado” escraviza os mais produtivos e premeia os seus mais proximos ainda que parasitas .A grande maioria , estripada de parte substancial do produto do seu trabalho ( atraves de mil e um impostos ) não consegue satisfazer as suas mais prementes necessidades e dos seus familiares , pelo que num estado socialista como o nosso não causa surpresa o que é descrito.

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