A má imagem

No tempo dos argumentos simplistas, considerar que a publicação da imagem de três foragidos no contexto em que foi feita é criticável corresponde a desculpar os actos violentos praticados pelos mesmos. Todavia, como é óbvio, não tem de ser assim. É possível censurar de forma veemente os actos bárbaros que terão praticado e, ao mesmo tempo, manter sérias reservas sobre a forma como a detenção foi publicitada pelas autoridades policiais. Mas então qual é o problema de divulgar as imagens? Há vários. Todavia, vou socorrer-me de um que julgo ser facilmente entendível por mentes liberais. Da mesma maneira que aconteceu em Tancos, em que o sentir corporativo (se não também o poder político) decidiu “compensar” um momento profundamente embaraçoso de uma instituição com uma recuperação encenada do material roubado, também no caso dos foragidos do DCIAP do Porto a força policial se comportou com um amadorismo gritante, deixando sair pela janela o que tinha entrado pela porta. E, ao contrário do que já vi escrito, a divulgação das imagens  não tem uma intenção preventiva dos comportamentos criminosos. Antes, tem obviamente o propósito de limpar a patética actuação que a polícia tinha cometido umas horas antes. As imagens e, já agora, a importância de 40.000€ em notas de 500(!) amplamente sublinhada, mais não são do que o equivalente ao “bónus” da caixa de granadas adicional que foi encontrada na Chamusca. Se o que se pretende é embarcar nessa de admitir que forças militares ou policiais com meios escassos, atoleimadas, incompetentes ou laxistas possam recorrer a meios ilegais, a um exibicionismo primário ou à mais pura propaganda para dissimular as suas gritantes insuficiências (e, de permeio, camuflar as responsabilidades políticas inerentes), isso é lá convosco. Mas depois que não se venha dizer, a partir de uma perspectiva liberal, que é preciso controlar o poder do Estado.

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5 thoughts on “A má imagem

  1. Carlos Gonçalves

    Não percebo a relação de uma coisa com outra mas posso oferecer o que penso de cada uma delas:
    1 (Tancos): há uma “polícia judiciária” a mais e acho que é a “militar” porque ou bem que é uma coisa ou bem que é outra. Tirando isso, toda aquela porcaria já cheira a caserna;
    2 (os manos, amnistia, estado de direito e assim): adorei ver aqueles fdp com ar de caliméros a ser amarrados que nem leitões em dia de feira. Há-de ter sido de algum consolo para os desgraçados que foram vítimas. Tirando isso, os imbecis que os deixaram fugir devem ser chamados à pedra e o ministro da administração interna deve ser deixado uma boa meia horazita a sós com os bacorinhos.

  2. Cfe

    Nao digo w
    Não digo que seja intenção do autor mas foi esse tipo de discurso que santificou o direito dos bandidos a tudo e mais alguma coisa no Brasil. Porque ao ganhar poder, as ONGs, o utilizarão para motivações políticas . E pode ter a certeza que elas o fazem com maestria.

  3. São as polícias a tentar tapar o sol com a peneira.

    Os da PJMilitar descobriram que tinham sido amigos seus a fazer o desvio. Depois apressaram-se a mostrar que são capazes de resolver a situação sem a intervenção dos civis.

    Os da PSP meteram a pata na poça quando trataram delinquentes audazes como se fossem meninos de coro (não os algemaram). Depois apressaram-se a mostrar que estavam à altura da situação e fizeram questão de mostrar que tratavam os bandidos como deviam ser tratados (fotos).

    Na pior das hipóteses podemos desconfiar que ambos as casos foram montagens artificias com fins políticos. Vai-se lá saber que motivos !

  4. Francisco Megre

    Boa artigo Rui, a demonstrar a incosistência das respostas de organismos públicos de segurança em Portugal.
    A minha opinião em relação a isso é a seguinte:
    Existe uma liberdade muito saudável de actuação dos departamentos, organismos ou sociedades públicas em Portugal. Infelizmente, essa liberdade tem mais a ver com falta de organização do Estado do que algo propositado.
    Não interessa á burocracia pública a organização da mesma porque tal implica assumir responsabilidades e corte nos serviços excessivos ou duplicados.
    Se tal não fosse o caso, teriamos guias de actuação ao nível da reposta pública, acesso a informação ou responsabilização dos chefes de equipas automáticos.
    O grande obstáculo à organização da função pública num país como Portugal não é sustentabilidade, nem dificuldade de financiamento, mas sim o facto de que quem iria sofrer mais seriam os dirigentes políticos e boys de carreira pública. Seria quase automáticamente descartados pela sua inutilidade ou pior, responsabilizados por isso. Hoje em dia apenas o MP actua sobre isso, como vimos com os dirigentes da Protecção Cívil e Tancos. No entanto, onde está a responsabilzação automática dentro dos próprios departamentos por não se ter seguido passo X ou Y? Era muito mais simples, económico e eficaz. Mas quem nomou esses dirigentes não quer sair da sombra.
    Cumprimentos.

  5. Anonimus

    Chama-se marketing.
    Tb acho um abuso ver o Medina de colete reflector vestido, como se estivesse na Frente, mas a imagem assim obriga.

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