Liberdade Económica e Desenvolvimento

A Liberdade em geral e a Liberdade Económica em particular são fundamentais para o desenvolvimento e bem estar de qualquer sociedade. Além do princípio moral do respeito pela propriedade de cada um honestamente adquirida, qualquer sociedade prospera quando se estimula a produção de riqueza (a.k.a. o estado sai da frente e não cria obstáculos), e não quando o estado estimula a expropriação e distribuição da riqueza alheia. Citando Thomas Sowell:

Vem isto a propósito do Índice de Liberdade Económica 2018 disponibilizado pelo CATO Institute e disponível aqui. O índice analisa 162 países e os dados dizem respeito a 2016. O índice é composto por 5 factores: 1) tamanho do estado; 2) sistema legal & direitos de propriedade; 3) moeda estável (sound money); 4) liberdade de comércio internacional; e 5) regulação. Em cada factor 0 representa o valor pior possível, e dez representa o melhor valor possível, do ponto de vista de liberdade económica.

Abaixo, o top 10 de países com mais liberdade económica:

E a seguir, o bottom 10, isto é o os dez países com menos liberdade económica:

Portugal, encontra-se na posição 36, abaixo da Albânia e da Coreia do Sul, e acima dos Emirados Árabes Unidos, de Israel e do Qatar.

Portugal regista em 2016 um valor do índice de 7,51 correspondente à 36ª posição, o que representa um ligeiro decréscimo em relação a 2015 em que Portugal registava um valor de 7,55 correspondente à 32ª posição. Para o valor de 7,51 contribuem estes 5 factores: 1) tamanho do estado: 5,66 [o pior factor] ; 2) sistema legal & direitos de propriedade: 6,98; 3) moeda estável (sound money): 9,35 [o melhor factor]; 4) liberdade de comércio internacional [8,38]; e 5) regulação [7,18].

A parte mais interessante de do índice, é  a análise de correlação entre a liberdade económica de um país com o seu desenvolvimento humano e económico.

Abaixo, a relação entre Liberdade Económica e o PIB per capita. Mesmo a extrema-esquerda concordará, que é preferível um PIB per capita mais alto do que mais baixo.

O gráfico abaixo mostra o rendimento dos 10% da população mais pobre de cada país de acordo com a liberdade económica. Até a extrema-esquerda preferirá os mais pobres a ganhar mais do que a ganhar menos.

Os dois gráficos a seguir representam taxa de mortalidade infantil e esperança média de vida. Novamente, países com mais liberdade económica apresentam resultados melhores – até a extrema-esquerda conseguirá reconhecer isso.

Abaixo, um gráfico deveras interessante para a esquerda que analisa os graus de pobreza de acordo com a liberdade económica do país. Sem surpresa, os países mais livres economicamente, apresentam menos pessoas em graus de pobreza extrema.

Até, e sobretudo na felicidade, verifica-se uma correlação entre mais liberdade económica e mais felicidade. Até a extrema-esquerda gostará de ver as pessoas mais felizes.

Com resultados e evidências tão fortes, de que é que os políticos estão à espera para aumentar a liberdade económica?

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30 thoughts on “Liberdade Económica e Desenvolvimento

  1. Estão à espera de que o possam fazer sem dar a conhecer a sua inabilidade geral de conseguirem sustentar-se num mundo livre, por falta de competências para trabalhar proficuamente.

    O mesmo que dizer: até que o Universo retorne ao Big Crunch.

  2. Alexandre Tavares

    Esse indicador é uma treta. Não vejo no top 10 um pais nórdico que seja. Mas estão presentes a Suíça, Singapura, Canadá, Austrália e Nova Zelândia todos com estados sociais generosos e/ou muito interventivos na Economia.

  3. Alexandre Tavares

    Marcelo.

    Eu sei que é uma média de vários itens. Digo que é uma treta porque a liberdade económico não serve como indicador directo da qualidade de vida de um pais porque os países nórdicos que é onde se vive melhor não aparecem. O autor do post tentou passar essa ideia.

  4. Os paises nórdicos fazem parte da metade dos paises com maior liberdade económica. Tres deles estão no 1° quartil (42 paises) dos mais livres : Dinamarca (16°) ; Finlândia (22°) ; Noruega (25°). O menos livre, a Suécia (43°), é o primeiro do 2° quartil dos mais livres.

    Os paises nórdicos têm efectivamente uma qualidade de vida elevada.
    Precisamente, e em grande parte, por serem paises com maior liberdade económica.
    Mas a ideia de que “é onde se vive melhor” em absoluto é um mito. Não são nenhuns paraisos na Terra. Por exemplo, os paises nórdicos têm as maiores taxas de suicidio. Por exemplo, a Suécia, o maior e, por sinal, também o menos livre de todos, tem problemas sérios com sectores da população mais pobre, mais desestruturada, mais desintegrada e marginalizada.
    Não perder de vista que os paises para onde o cidadão médio mundial mais gostaria ir não são os nórdicos mas sim outros : EUA, Canadá, Suiça, Austrália, Reino Unido, Alemanha, etc, etc.
    O que é certo é que todos eles são paises com alto nivel de liberdade económica !!

  5. Interessantes “correlações”!!! Albânia, Cost-Rica vs França, Suécia, Itália, Japão e vá lá até Portugal, parecem ser excepções que confirmam a regra!

  6. “One of the sad signs of our times is that we have demonized those who produce, subsidized those who refuse to produce, and canonized those who complain.”

    — Thomas Sowell (@ThomasSowell) September 28, 2018

    Excelente citação de Thomas Sowell.

  7. Alexandre Tavares

    “Os paises nórdicos têm efectivamente uma qualidade de vida elevada.
    Precisamente, e em grande parte, por serem paises com maior liberdade económica.”

    Esse argumento é falacioso. A qualidade de vida não advém em grande parte da liberdade económica. Vem das liberdades e direitos garantidos típico das democracias, da boa gestão da economia e finanças públicas sãs. E o estado social também contribui grandemente para a qualidade de vida de um pais.

    Mas por aqui e no instituto CATO que produz o indicador considera-se que o tamanho do estado e a regulação que este produz diminui a liberdade económica e portanto defende-se o estado mínimo e não interventivo. Curiosamente a maior parte dos países do topo do ranking têm estados sociais abrangentes e são fortemente interventivos na economia.

    Daí eu andar a dizer que estes rankings são treta produzida e divulgada para fundamentar certas escolhas politicas.

  8. Outras correlações: “Output per hour in the UK was 18 percentage points below the average for the rest of the major G7 advanced economies in 2014, the widest productivity gap since comparable estimates began in 1991. On an output per worker basis, UK productivity was 19 percentage points below the average for the rest of the G7 in 2014.”

  9. == ” A qualidade de vida … [] vem das liberdades e direitos garantidos típico das democracias, da boa gestão da economia e finanças públicas sãs. E o estado social também contribui grandemente para a qualidade de vida de um pais.”

    Estes são precisamente alguns dos critérios considerados para a graduação da liberdade económica (“Legal System and Property Rights”, “Size of Government”,…).
    Os paises com as democracias politicas mais liberais são também os que garantem maior liberdade económica.
    Inversamente, os paises mais socialistas e estatizados são também os menos democráticos e com governos mais corruptos e incapazes.
    Os paises com “estados socias” mais dotados de recursos e mais socialmente eficientes são precisamente aqueles que têm maior liberdade económica.

    ==” a maior parte dos países do topo do ranking têm estados sociais abrangentes e são fortemente interventivos na economia.”

    Todos os paises têm “estados sociais” e governos que intervêm na economia.
    Se alguns estão no topo da lista é porque são os que, mesmo assim, garantem maior liberdade económica !

  10. Alexandre Tavares

    Fernando

    Já não sei como lhe explicar que estes rankings são produzidos como forma de propaganda para justificar opções politicas. O exemplo que deu é contraditório. O Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Singapura, Reino Unido têm o que você e outros que por aqui andam é considerados estatismo e socialismo. Ou seja um estado muito grande (social) com muitos impostos para o sustentar e muito interventivo na economia com muita regulação ou detenção de empresas estatais.

    Em contrapartida existem imensos países pelo mundo fora que não têm estados sociais comos países pobres africanos e asiáticos. Também não intervêm na economia porque não têm recursos para isso.

    Segundo estes critérios estes deveriam ser os países africanos e asiáticos pobres aqueles com liberdade económica não os países desenvolvidos. Aliás historicamente à medida que um pais vai-se desenvolvendo aumenta o seu estado social e grau de intervenção na economia (intervenção até certo ponto, afinal o comunismo não trouxe prosperidade aos seus cidadãos).

    Resumindo: este ranking é treta. Pura propaganda. E não faz sentido nenhum!!!! Georgia??!!? Albânia acima de Portugal e Coreia do Sul? Israel entre Qatar e Emirates Arabes Unidos? Haja pachorra…

  11. Caro Alexandre,

    Eu não acho que “o Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Singapura, Reino Unido … [tenham] o que … é considerado estatismo e socialismo”.
    Como, de resto, o ranking sobre a liberdade económica mostra claramente.
    O ranking mostra inclusivamente que a generalidade dos paises ditos “anglo-saxónicos”, incluindo estes em cima, têm economias mais livres do que muitos outros paises europeus desenvolvidos, por vezes ditos “continentais”, como a França e a Itália.
    A circunstância de um ou outro daqueles paises poder ter actualmente um governo um pouco mais à esquerda, de centro-esquerda, moderado e pró-mercado, como é o caso no Canadá e na Nova Zelândia, não altera grande coisa à situação de fundo.

    Não é verdade que a generalidade dos “paises pobres africanos e asiáticos” (podem-se ainda acrescentar alguns dos paises “latino-americanos”) tenham mais liberdade económica do que os paises desenvolvidos, que não tenham “estados sociais” e que os respectivos governos não intervenham na economia. É exactamente o contrário. Têm “estados [ditos] sociais”, muitas vezes absurdamente gigantescos, mas sem recursos suficientes, perfeitamente ineficientes e corrumpidos, etc. Os governos intervêm arbitráriamente e despudoradamente na economia, entravando os mercados e utilizando os parcos recursos públicos em beneficio quase exclusivo das nomenklaturas locais.

    É verdade que, históricamente, o desenvolvimento económico foi sendo acompanhado pelo crescimento de um “estado social”.
    Desde logo porque, graças ao capitalismo e à liberdade económica, a sociedade foi dispondo de cada vez mais recursos para assistir os mais desfavorecidos.
    Mas também porque, com a modernização da sociedade, o Estado foi substituindo neste papel outras instâncias da sociedade civil, como as igrejas, os senhores das terras e os grandes industriais, a solidariedade familiar e corporativa, etc, etc.
    Importa realçar que este crescimento do papel do Estado só foi possivel e deu frutos nos paises onde o capitalismo mais se desenvolveu graças a uma cada vez maior liberdade económica.
    Acontece que este “Estado Providência” acabou por mostrar os seus limites, sobretudo a partir das últimas décadas do século passado, e que a prioritade actual é sua reforma e progessiva liberalização/privatização (não faz hoje sentido ter um sistema universal gigantesco e carissimo em vez de concentrar recursos na solidariedade para com os mais desfavorecidos).

    É ainda verdade que, a partir de certa altura, no seguimento da grande crise de 1929 e, cada vez mais, a seguir à 2a Guerra Mundial, os governos nos paises desenvolvidos passaram a intervir mais na economia, sobretudo através de nacionalizações, da maior regulação dos mercados, de mais impostos e gastos públicos.
    Mas também é verdade que, felizmente, a partir dos anos 80 e 90, se verificou uma paragem e alguma inversão nesta tendência em vários paises e regiões no mundo, a começar pelos paises desenvolvidos mas chegando também a muitos paises do dito “Terceiro Mundo” (China, India, Brasil, etc). A transformação mais importante e profunda foi o fim dos regimes comunistas num grande número de paises (tanto que vários destes paises estão hoje relativamente bem classificados no ranking da liberdade económica e melhoraram muito significativamente as suas performances económicas e os niveis de bem-estar das respectivas populações).

    Dito tudo isto, há quem considere, eu incluido, que, actualmente e para o conjunto da economia mundial, embora naturalmente com situações muito diferenciadas consoante os paises, a liberdade económica é ainda insuficiente, em muitos paises é frequentemente ameaçada e mesmo contrariada, e que são necessárias mais reformas económicas que preservem e aumentem essa liberdade de modo fazer com que a prosperidade seja maior e chegue a cada vez mais pessoas em todo o mundo.

  12. Alexandre Tavares

    Fernando

    O Fernando defende a liberalização económica e o desmantelamento do estado previdência universal porque acha que isso seria benéfico. Isso é a sua opinião. Há quem defenda que os países desenvolvidos se desenvolveram fazendo o exatamente o contrário.

    O que não é opinião é o tamanho do Estado e o grau de intervenção estatal em países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Ou o Fernando acha que o estado do Sudão ou de outro país semelhante é maior ou mais interventivo que o Estado Americano ou Irlandês? Os países subdesenvolvidos simplesmente não têm instituições, recursos humanos ou materiais, infra-estruturas ou dinheiro para fazer isso.

    Continuo a dizer o mesmo: este ranking que não faz sentido nenhum. Segundo este ranking a Síria que está a atravessar uma guerra civil com intervenções de potências estrangeiras e um êxodo populacional massivo tem mais liberdade económica que a Argentina que está apenas a atravessar uma crise económica. Sem contar com as outras incongruências que descrevi acima.

    O autor do post bem que tentou passar a ideia que basta aumentar a liberdade económica para melhorar em qualidade de vida para os cidadãos desse pais mas simplesmente não é verdade. A ausência dos países nórdicos prova isso mesmo. O João Cortês postou estes dados para justificar as suas preferências politicas. Está no direito dele. Eu não fiquei convencido…

  13. Alexandre:
    você diz: Resumindo: “este ranking é treta. Pura propaganda. E não faz sentido nenhum!!!! Georgia??!!? Albânia acima de Portugal e Coreia do Sul? Israel entre Qatar e Emirates Arabes Unidos? Haja pachorra…”
    Se fosse propaganda, não colocariam esses países nesses lugares. Não acha?

  14. Alexandre,

    É verdade que eu defendo a “liberalização económica” (não só, mas isso não interessa agora).
    Pelos vistos, o Alexandre é dos que defendem “exactamente o contrário” !
    “Opiniões” !…

    Uma precisão.
    Eu não defendo “o desmantelamento do estado previdência universal”.
    Defendo um “estado previdência” que se ocupe eficazmente de quem verdadeiramente precisa e não supostamente e atabalhoadamente de toda a gente.

    Claro que o Estado do Sudão e outros semelhantes é proporcionalmente maior e considerávelmente mais intervencionista do que os Estados americano ou irlandês.
    Naqueles paises o Estado é tentacular, absorve uma grande parte dos parcos recursos internos e externos (financiamentos, ajuda, investimentos, etc), intervém em tudo de forma arbitrária e discriminatória. O facto de intervir mal e quase sempre em defesa de interêsses privados e corporativos, ou de não intervir onde deveria garantindo a liberdade e a igualdade perante a lei, não o torna um “Estado minimo” de tipo liberal. De resto, o Estado e a “nomenklatura” confundem-se esbatendo ou quase anulando a fronteira entre o público e o privado oligárquico. A Angola de José Eduardo dos Santos (vamos ver como evolui com João Lourenço na cúpula do Estado), classificada 155a no ranking, é um bom exemplo deste tipo de realidade.

    A Siria e a Argentina estão ambas no fundo da tabela. As razões não serão exactamente as mesmas mas são conhecidas e têm muito aver com a falta de liberdade económica.
    Quanto à Argentina, não esquecer que este ranking se refere a 2016, portanto ainda antes do rebentar da actual crise financeira na Argentina. A Argentina, apesar de ser um pais médiamente desenvolvido (uma população com estudos), teve uma década de governos neo-peronistas cujas politicas acentuaram o despesismo do Estado, em particular através das Provincias, e se traduziram num intervencionismo discricionário nos mais diversos mercados, pondo inclusivamente em causa direitos de propriedade de investidores estrangeiros. No fim de contas, a péssima classificação da Argentina não surpreende e o rebentar da crise é apenas uma confirmação de que a situação era insustentável no tempo.
    A Siria tem estado efectivamente em guerra mas o governo e o Estado siriano não desapareceram (tanto é assim que, com a ajuda decisiva da Rússia, estão perto de ganhar definitivamente a guerra). De qualquer modo, já antes o pais era governado com uma mão de ferro por um ditador apoiado num partido “socialista” e tinha uma economia fortemente estatizada e centralizada. A guerra destruiu, matou e fez fugir milhões de pessoas mas não alterou, antes acentuou, a natureza iliberal do regime e da economia.

    Já me referi em cima aos paises nórdicos. Nenhum está nos 10 primeiros, tal como não estão muitos outros paises desenvolvidos e com um Pib per capita elevado, como a Alemanha, a Holanda, o Luxemburgo, a Austria, a Bélgica, a Italia, a França, Japão, Coreia do Sul, etc, etc, mas estão todos no grupo dos paises com maior liberdade económica, que é o que é mais relevante numa análise global sobre o grau de correlação entre a liberdade e a prosperidade.

    De resto, ninguém pretende que o grau de prosperidade actual de cada pais dependa exclusivamente da respectiva classificação em termos de liberdade económica no último ano ou até nos últimos anos.
    A prosperidade, tal como a liberdade económica, depende de múltiplos factores, não se obtém de um ano para o outro, é função de uma história longa e diversa.
    O que não exclui que, em certos casos, os efeitos de recuos importantes na liberdade económica se façam sentir muito rápidamente no nivel e condições de vida das respectivas populações. O recente exemplo da Venezuela é muito revelador. Em sentido inverso, de uma rápida melhoria nas condições de vida da população graças a uma forte liberalização da economia, temos o exemplo da Irlanda, que ainda há umas poucas décadas tinha um rendimento per capita próximo do de Portugal e que hoje é um dos primeiros na classificação (5° na liberdade económica, 6° no Pib per capita/Fmi).

  15. Alexandre Tavares

    FGCOSTA

    Tem toda a razão. Expressei-me mal. Os resultados do ranking não fazem sentido nenhum. Não é compatível com realidade. Sabe Deus onde vão eles buscar aqueles dados.

    Sabia que, segundo este ranking, a regulação na Síria em plena guerra civil é maior do que na Noruega? Aparentemente os burocratas sirios estão muito preocupados com trabalho infantil, etiquetas de preços não legíveis, bananas com formato não conforme, contaminantes alimentares ou com violações da lei ambiental mesmo com bombas a explodir ao lado deles. Os burocratas noruegueses já aparentam não ter um nível de exigência tão grande. Estas exigências regulatórias também se verificam em outros países pobres mas que se encontram em paz.

    A utilização destes dados ridiculos para promover uma politica económica por parte do autor do post é que é a parte da propaganda. O João Cortez nem se deu ao trabalho de analisar superficialmente os resultados obtidos senão tinha seguramente visto isso. Uma mistura de propaganda e preguiça portanto.

  16. Alexandre Tavares

    FERNANDO S

    O Fernando confunde cleptocracia com estado social ou gastos públicos. Ao contrário do que possa pensar criar um serviço de saúde universal não é igual à “empreendedora” Isabel dos Santos encher-se de dinheiro do povo angolano graças às assinaturas do papá. Decisores políticos e funcionários públicos à espera de subornos para aprovar projectos ou fazer leis à medida do freguês também não é intervenção estatal. É crime!

    Politicas de protecção ambiental e do consumidor, regulação financeira, subsídios à exportação e tarifas de protecção para industrias nascentes já contam como intervenção estatal. Proibição do trabalho infantil e combate a doenças infecto-contagiosas também contam. Posso listar muitas outras mas creio que me fiz entender.

    Muito dinheiro público a ser desviado para os bolsos de alguns não significa que o estado seja grande, significa apenas que há corrupção
    .
    Isto essencialmente quer dizer que o problema que você tem não é com o tamanho do estado ou a intervenção estatal. É contra a cleptocracia que suga os recursos públicos todos. Então porque é que está a mandar vir contra o estatismo? Pelas suas próprias palavras o seu alvo devia ser outro.

    Como disse anteriormente, os países subdesenvolvidos simplesmente não têm os recursos para intervir na economia nem para montar um estado social como os países ricos. Acha que um Sudão tem capacidade de montar uma Autoridade da Concorrência ou uma ASAE? Ou montar um sistema de saúde, construir estradas e infra-estruturas, electrificar o pais, colocar água potável canalizada, fornecer educação universal gratuita, etc, etc, etc. Isso demora décadas e requer quantidades enormes de recursos públicos. Entretanto um estado como o sudanês não interfere na economia nem oferece serviços públicos porque não consegue. Ou seja, tem um estado pequeno e não interventivo tal como muitos defendem neste blog e é valorizado pelo Cato Institute ao elaborar este ranking da treta.

    E sim, você defende o desmantelamento do estado social por muito que tente minimizar as suas verdadeiras intensões. Estado social geralmente significa que abrange toda a gente. Coloquei a palavra universal exactamente para reforçar esta ideia. Você defende um estado assistencialista para quase ninguém. Nada de escola gratuita, saúde pública ou segurança social. Só para aqueles que os puderem pagar ou para os muito pobres. Os restantes que se desenrasquem como puderem e se ficarem para trás… Azar o deles.

  17. Alexandre Tavares

    “Em sentido inverso, de uma rápida melhoria nas condições de vida da população graças a uma forte liberalização da economia, temos o exemplo da Irlanda, que ainda há umas poucas décadas tinha um rendimento per capita próximo do de Portugal e que hoje é um dos primeiros na classificação (5° na liberdade económica, 6° no Pib per capita/Fmi).”

    Cuidado ao utilizar a Irlanda como exemplo especialmente no PIB per capita. Não se esqueça que aquilo é um paraíso fiscal. Devido às multinacionais que para lá vão esses dados não são de fiar. “Leprechaun economics” como batizou Krugman para referir um aumento do PIB superior a 30% num único ano.

    Até o estado irlandês já começou a utilizar outras métricas para contabilizar a sua dívida pública relativamente ao PIB.

  18. ALEXANDRE TAVARES,

    Um Estado desmesurado e um forte intervencionismo governamental não são o mesmo que um Estado eficiente e que apenas regula de forma adequada o que deve ser regulado.
    A boa regulação, que é realmente necessária e compativel com um bom funcionamento da economia, não é excessiva nem discricionária nem necessita de um Estado gigantesco e despesista. Os paises mais avançados na boa regulação relativa às áreas que menciona (protecção do consumidor, protecção ambiental, saúde pública, proibição do trabalho infantil, e “muitas outras”), são precisamente os mais livres e os piores são exactamente os menos livres.
    Nos paises classificados como menos livres, o Estado mete-se em tudo, é arbitrário (não é de direito), não respeita a propriedade privada e os contratos, entrava o funcionamento dos mercados, interfere nas relacções económicas com o exterior, manipula despudoradamente a moeda, condiciona burocráticamente a iniciativa privada, etc, etc.

    A cleptocracia e mesmo a corrupção mais generalizada desenvolvem-se mais sobretuto nos paises menos livres, com Estados tentaculares e governos intervencionistas. A tal ponto que em muitos deles não é sequer … “crime” !… ou, quando é formalmente, fica na realidade impune. Históricamente e ainda hoje, os paises mais corruptos são precisamente os mais iliberais e “socialistas”. De resto, não é por acaso que o ranking dos paises em termos de corrupção é o inverso quase perfeito do ranking dos paises em termos de liberdade económica.

    (cont)

  19. (cont)

    Claro que os paises subdesenvolvidos têm Estados com bastantes menos recursos do que os desenvolvidos para poderem intervir na economia onde é necessário e indispensável (serviços públicos eficientes, autoridades de regulação capazes, todo o “Estado de Direito”, infra-estruturas públicas, etc) e para poderem ter um “Estado Social” à altura.
    Mas esta situação é precisamente o resultado de um processo, quase sempre bastante longo, de décadas ou até séculos, em que a falta de liberdade económica, associada a outras condições históricas, bloqueia o desenvolvimento e a criação de riqueza e, portanto, indirectamente, os recursos susceptiveis de serem mobilizados e utilizados pelo Estado.
    O problema dos paises subdesenvolvidos não é terem Estados pequenos e não intervencionistas. É exactamente o contrário, é terem Estados demasiado grandes para as possibilidades e até para as necessidades nas mãos de governos e nomenklaturas que os utilizam para se meterem em tudo, normalmente com grande ineficiência e sem grandes beneficios para a generalidade das populações (quase sempre para favorecer interêsses instalados).

    (cont)

  20. (cont)

    O “Estado Social” para “toda a gente” é uma “fábrica de vapor”, que através dos impostos e das cotizações capta uma parcela importante da riqueza produzida por “toda a gente” para depois alimentar um aparelho burocrático gigantesco e ineficiente e finalmente distribuir o que resta na forma de prestações e serviços para … “toda a gente” !…
    Ou seja, a carga fiscal elevada prejudica a criação de riqueza, o desperdicio no aparelho burocrático é enorme, o que chega ao fim é menos do que foi cobrado, os beneficiados são uma massa indistinta em que os que mais precisam recebem tanto ou menos do que “toda a gente” !…
    Não se trata de “desmantelar” o “Estado Social” mas sim de o reformar para ser dirigido efectivamente e eficazmente para o apoio a quem mais precisa, de o redimensionar para que o Estado não precise de cobrar tantos impostos e possa deixar mais rendimento disponivel nas mãos da massa dos contribuintes, que são a maioria da população.
    Sim, eu defendo um Estado “assistencialista” para … os mais necessitados, os mais pobres !!
    Sim, eu defendo que quem pode pagar … pague !… e que o “Estado Social” seja apenas para quem … não pode pagar !
    A esquerda, que defende um “estado social universal”, gratuidade para todos, sejam pobres ou nem por isso, não representa, ao contrário do que proclama, os interêsses dos mais pobres.
    A esquerda representa e defende sobretudo interêsses instalados de categorias sociais encostadas ao orçamento do Estado, dos funcionários aos fornecedores passando por todos aqueles que são capazes de tirar o melhor partido do sistema … e que se lixem os verdadeiros pobres !!…

  21. As multinacionais instalam-se e investem na Irlanda porque os impostos são mais baixos e a economia é mais livre !!
    Os irlandeses só ganham com isso !
    Os outros paises, em particular os pequenos e com algumas caracteristicas equivalentes, como Portugal, só perdem em não fazer o mesmo !
    Quantos mais paises seguirem o mesmo caminho maior será a concorrência fiscal e mais governos se sentirão na obrigação de reformar os respectivos Estados e cobrar menos impostos às empresas e às familias !

  22. Alexandre Tavares

    Fernando

    Ahh! Agora o argumento que utiliza é que existe “regulação boa” que é originada pela liberdade económica e “regulação má” que deriva do socialismo e estatismo.

    Como é que se faz a distinção? Um patrão não poder despedir um trabalhador sem justa causa. Boa ou má? E quanto a tratados de livre comércio com países que não garantem a segurança no trabalho dos trabalhadores ou a protecção do ambiente? E descontos obrigatórios para a segurança social? Tarifas de protecção de indústrias nascentes? Controlos de capitais? Proibição de capital estrangeiro deter uma determinada percentagem de empresas consideradas estratégicas? Palpita-me que o Cato Institute as considere todas más…

    Então o que é que aconteceu ao vosso mantra do “estado sair da frente”? Como é que pode haver regulação boa? Regulação por definição é o estado a meter-se à frente de alguém.

  23. Alexandre Tavares

    “não é por acaso que o ranking dos paises em termos de corrupção é o inverso quase perfeito do ranking dos paises em termos de liberdade económica.”

    Treta pura! Devia ter vergonha em utilizar argumentos tão débeis! Está a fazer o mesmo que o João Cortez tentou fazer mas com uma pequena variação: enquanto o autor do post tentou ligar a liberdade economica deste ranking rídiculo com a qualidade de vida, você tenta ligar a ausência de corrupção com a liberdade económica. Ao contrário do que diz o indice da corrupção é o inverso quase perfeito do da qualidade de vida:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Where-to-be-born_Index
    https://en.wikipedia.org/wiki/Corruption_Perceptions_Index

    Oito dos paises repetem-se em cada um dos rankings. E aqueles que não se repetem estão imediatamente a seguir do top 10 (Finlandia e Australia). E nota-se bem a presença dos nórdicos nos dois índices. E sabe que mais é que estes paises têm em comum? Um estado social generoso ou/e muito interventivo na economia. Voltamos sempre ao mesmo…

  24. Alexandre Tavares

    E vejo que continua sem fazer a distinção entre tamanho do estado e a gatunice de elites locais. Quanto a isso nada mais posso fazer…

  25. Alexandre Tavares

    Há uma coisa que disse e que achei muito interessante. O que são para si os “verdadeiros pobres”? É que segundo os dados da Pordata em 2016 46% da população portuguesa está em risco de pobreza antes das transferências sociais (4.6 milhões de pessoas), depois das transferências este numero passa para 18.3% o que equivale a cerca de 1.8 milhões de pessoas. Na Europa estes números são 44.5% 17.3% respectivamente. Quantos são os “verdadeiros pobres” e quantos dos que restam está disposto a deixar na miséria na sua seguramente fantástica “reforma do estado”? Que fora do mundo dos sonhos onde habita reformar significa apenas cortes brutais no estado social com um custo humano pesadíssimo.

  26. Alexandre Tavares

    Os principais beneficiários da concorrência fiscal dos paraísos fiscais são os donos e gestores e topo das multinacionais que poupam na factura fiscal enquanto que se aproveitam das condições de vida dos paises desenvolvidos pagos pelos outros. Não é por acaso que as taxas médias de IRC têm vindo a baixar nas últimas décadas no mundo ocidental. O bolo vai diminuindo gradualmente até uma altura em que já não haverá nada para ninguém.

    Mas você, pelas suas próprias palavras, concorda com isso porque tira recursos ao estado e força os governos a ” reformar os respectivos Estados”. O seu ódio ao estado social é tanto que está disposto a permitir que os mais abastados parasitem o resto da sociedade. “Noblesse oblige” o tanas. Greed is good!

    Proteger e tratar nas palminhas os ricos e poderosos enquanto se abandonam os mais fracos e destituídos.

    Há já muitos anos que oiço que a baixa dos impostos sobre o capital traria uma montanha de investimento que iria criar pleno emprego e aumentar os salários de toda a gente. Ainda estou à espera…

    É por causa destas e doutras que cada vez que há um escândalo tipo Panama Papers ou LuxLeaks fica toda a gente indignada. Lembre-se disso da próxima vez que mandar vir contra as cativações do Centeno.

    Peço-lhe encarecidamente que me faça um favor: partilhe com toda a gente que conhece aquilo que diz por aqui. Essas pessoas devem ficar a saber aquilo em que acredita. Força nisso pá! Tem o meu completo apoio!

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