Venezuela, O País Onde Se Fez Tudo Bem

Dada a sua relevância e actualidade (tão ou maior do que na altura em que foi escrito), reproduzo aqui um post do Carlos Guimarães Pinto publicado no dia 22 de Maio de 2016 intitulado Venezuela, o país onde se fez tudo bem.

Como grande parte da classe política que constitui hoje a geringonça (e não me estou a limitar ao BE e ao PCP) defende políticas iguais às que são praticadas na Venezuela – com os resultados desastrosos de pobreza, fome e miséria generalizada – gostaria de saber porque é que esses iluminados políticos acreditam que as mesmas políticas aplicadas em Portugal teriam resultados diferentes. Muito agradecido desde já.


Venezuela, O País Onde Se Fez Tudo Bem

por Carlos Guimarães Pinto, 22 de Maio de 2016

Apesar de não parecer a quem acompanha a imprensa portuguesa, há fome na Venezuela. O país está a ferro e fogo com a calamidade económica que se abateu. Esta situação certamente apanhará muitos comentadores políticos de surpresa. Afinal, desde que Chavez subiu ao poder, a Venezuela seguiu todas as políticas económicas certas.

Sem uma Comissão Europeia a exigir controlo nas contas públicas, a Venezuela pôde assumir políticas orçamentais expansionistas, com défices elevados que, como sabemos, graças ao multiplicador, se pagam a si mesmos. Para garantir que o orçamento é pago por quem mais pode, a Venezuela tem um IRC de 34% e um IRS bastante progressivo que taxa mais quem ganha mais. Assim as empresas e os mais ricos não podem escapar a dar a sua contribuição para o bem comum.

Por outro lado, o regime Chavista soube sempre defender os interesses dos trabalhadores. Na Venezuela é praticamente impossível despedir após o primeiro mês no emprego. O regime chavista acabou com a precariedade laboral. Os trabalhadores vivem no conforto de saber que não podem ser despedidos façam o que fizerem o que, como sabemos, aumenta a sua satisfação no trabalho e produtividade. Para além disso, a licença de maternidade é de 1 ano, paga integralmente. Para dar o exemplo ao sector privado, o estado reduziu fortemente o horário de trabalho da função pública, reduzindo a semana a 4 dias.

O salário mínimo sobe a cada 6 meses e é hoje o triplo do que era há 2 anos. Como todos sabemos, o salário mínimo não cria desemprego. Pelo contrário, o salário mínimo aumenta o consumo que por sua vez cria mais emprego. Quanto maior o salário mínimo, mais consumo e mais empregos.

O governo controla grande parte dos sectores estratégicos: transportes, educação, energia, banca e até a distribuição alimentar. Não é o malvado lucro que determina as opções de gestão, mas sim a busca pelo bem comum. A forte presença do estado na banca garante que os empréstimos estão ao serviço do bem comum e não de interesses empresariais. Na energia, todos as famílias têm tarifa social e pagam muito pouco pelas 20 horas de electricidade que têm por dia.

A Venezuela foi dos países que mais investiu em educação do Mundo. Gastar dinheiro numa grande rede pública de educação é o primeiro passo para uma economia desenvolvida. Como sabemos, quando se fala de educação pública, quanto mais dinheiro for gasto, melhor.

A idade da reforma na Venezuela é aos 60 anos para os homens e 55 para as mulheres, deixando os empregos livres para os mais jovens. Basta descontar 15 anos para garantir uma reforma indexada ao salário mínimo.

Qualquer comentador isento e moderado dirá que na Venezuela se fez tudo bem. Não se percebe como chegaram a esta crise.

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7 thoughts on “Venezuela, O País Onde Se Fez Tudo Bem

  1. Já devem estar quase a chegar a Marte.

    Foi pena o capitão Guterres cá na praça ter borregado, já íamos á frente deles p’raí em Jupiter.

    Só na “paixão pela educação” já devemos ter exportado umas centenas de milhões, que se calhar não tornamos a ver. Além do pessoal, claro, mas “as pessoas não são números”, e por isso não valem pevide.

  2. «Só na “paixão pela educação” já devemos ter exportado umas centenas de milhões, que se calhar não tornamos a ver. Além do pessoal, claro, mas “as pessoas não são números”, e por isso não valem pevide.»

    A geração que sai não volta para cá passar a reforma. Não vai construir a casa à la maison com janelas à la fenêtre estilo Neo-Sócrates Azulejo que deram muito a ganhar aos construtores civis dos anos 70, 80 e 90.

  3. Quando a União Europeida se desfizer e o Euro se esboroar, aprenderemos a elidir as últimas sílabas, como fazem os de Caracas.

    Pronunciaremos adeu em vez de adeus e cagao em vez de cagado.

    Será solo un momentico!

  4. Pingback: A Venezuela também somos nós! | BLASFÉMIAS

  5. André Miguel

    “A geração que sai não volta para cá passar a reforma.”

    Pois não. Vendi no mês passado a casa que detinha em Portugal.
    Como dizia o outro: fodam-se vocês, que a mim não fodem mais. Eheheh

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