A Revolução Nos Transportes De Fernando Medina

Fernando Medina, o presidente da câmara de Lisboa, propôs ontem uma “transformação radical” do preço dos transportes.

E em que consiste essa “transformação radical“?  Consiste em colocar todos os contribuintes portugueses – desde Viana do Castelo até Vila Real de Santo António – a pagar em impostos (retirados do seu àrduo trabalho) 65 milhões de euros por ano – todos os anos, aos utentes dos transportes públicos lisboetas! Genial! Grande revolução! Temos homem (a fazer propaganda e compra de votos com o dinheiro dos outros)! E isto considerando que:

  1. Lisboa tem os melhores transportes públicos do país.
  2. Lisboa tem o maior PIB per capita do país. A existirem transferências do orçamento do estado em nome da coesão e solidariedade social, seriam certamente para as regiões mais pobres do país, e nunca para as mais ricas – especialmente até um socialista deveria ser capaz de perceber isto.
  3. Ainda este ano, a câmara recebeu a custo zero a Carris do estado – ao mesmo tempo que o estado assumiu as dívida, os custos com swaps e os complementos de pensão da mesma – um presente de todos os contribuintes para a câmara de Lisboa e para os Lisboetas avaliado em 700 milhões de euros (fonte).

Mais ainda, o mesmo génio iluminado Fernando Medina, indica que o objectivo desta  medida é que os Lisboetas passem a usar mais os transportes públicos em detrimento do carro próprio. Já para não falar do aspecto mais importante na escolha do meio de transporte que é ter uma oferta adequada (em cobertura e horários), coloco aqui abertamente duas questões ao Fernando Medina para testar a sua coerência e honestidade intelectual:

  1. O Fernando Medina actualmente desloca-se em Lisboa usando carro ou transportes públicos?
  2. Sendo o objectivo desta medida substituir o uso do carro por transportes públicos, com a redução do valor dos passes mensais, no caso do Fernando Medina se deslocar actualmente usando carro, vai passar a usar transportes públicos?

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13 thoughts on “A Revolução Nos Transportes De Fernando Medina

  1. A. R

    Um embuste … uma burrice socialista … mais uma de uma série interminável.

    Todos sabemos que não é uma questão de preço … os transportes públicos definham em todo o lado e perdem passageiros de ano para ano.

  2. Manuel Assis Teixeira

    Estes socialistas ” urbano-chiques” irritam! Porque raio como bem refere João Cortez o país todo será obrigado a pagar a criatividade da maltosa da Camara! O jovem Medina consciente da sua pequenez e de uma existencia construida pelas agencias de comunicação, quer agora “tirar um coelho da cartola” para imitar o seu mentor Costa com a medida do IRS para emigrantes. Mas tudo à custa do contribuinte claro, porque esta malta não sabe fazer nada sem saque ao zé! Pobre país…

  3. Oscar Maximo

    Há quem diga que a missão dum autarca é pedir o máximo, o que será depois, em teoria, arbitrado pelo poder central. Se assim for, Medina tem razão. Até porque sabemos que esse poder central é justo, equitativo, imparcial, etc.

  4. Este senhor precisa é de pagar uma multa pesada por ter contornado as regras na subida à Montanha do Pico… e devia ser pena a máxima… tem dinheiro para isso!

  5. Gabriel Orfao Goncalves

    Escrevi um bom bocado sobre isto aqui

    https://sol.sapo.pt/artigo/624415/presidente-da-c-mara-de-lisboa-propoe-reducao-no-preco-dos-transportes-p-blicos

    Se quiserem passar por lá e ler os meus comentários…

    Não há paciência para este Medina.

    Pensem só no seguinte: tendo em conta que o transporte público é mais barato do que o transporte individual, digam-me: quantas pessoas imaginam que desistiriam do transporte individual a favor do público se o Medina reduzisse nos montantes por ele propostos os ditos passes?

    Numa perspectiva extremamente irrealista, imaginemos que 10 mil pessoas!

    E quanto custaria isto ao Estado? 65 milhões de euros. Por ano!

    Façam as contas e concluam quantos túneis do Marão isto custa ao fim de 10 ou de 20 anos.

    Houve um sujeito (socialista, ou seja, burro p’a caramba quanto a contas) que na discussão que com ele tive no link supra veio com o argumento de que o dinheiro que o Estado gasta em Trás-os-Montes é muito superior ao que lá cobra. Tive de lhe aplicar o “remédio santo para socialista”:

    «Os impostos pagos em Trás-os-montes não chegam para pagar o que o estado lá gasta»

    Pois não. Mas pela sua lógica socialista, isso teria a seguinte causa: o Estado gasta lá mais do que cobra em impostos simplesmente porque… ainda não gastou o suficiente. Quanto o Estado lá gastar o mesmo que ao longo de décadas estoirou em Lisboa (basta ver os défices acumulados ao longo de décadas pela Carris e pelo Metro), os transmontanos conseguirão criar a mesma riqueza per capita que se cria em Lisboa.»

    Garanto-vos: com socialistas é remédio santo. O que Trás-os-Montes precisa é de um aeroporto e do comboio de alta-velocidade. Toda a gente sabe! É isso e os passes da Área Metropolitana de Lisboa, com um PIB per capita superior à média europeia, precisarem de 65 milhões de euros por ano vindos do bolso de todos os portugueses.

    Bolas, que isto só mesmo à reguada da antiga escola primária!

    (Nota: vivo em Lisboa)

  6. Gabriel Orfao Goncalves

    Há 14 anos que peço à CML de Lisboa para pintar uma faixa BUS em toda a extensão da Av. de Berna. Ainda me lembro de quando estudava na Academia Nacional Superior de Orquestra, junto à antiga FIL, Junqueira, e apanhava o 56, que ainda existe, agora rebaptizado 756. Chegava-se à Av. de Berna e começava o calvário até ao cruzamento da João XXI com a Av. de Roma (onde eu saía). Às 17/18 horas era o caos. Isto em 2003/4.

    Como não passo por lá há muito tempo, digam-me: a Av. de Berna, que tem 3 vias de trânsito em cada sentido, já tem faixa BUS em toda a sua extensão? É que em frente à Gulbenkain sempre teve desde que me recordo; aí há 4 vias de trânsito por sentido. Não sei por que razão quando passa a 3 vias de trânsito a faixa BUS é suprimida. O transporte individual precisa, naquela zona, das 3 vias por sentido todo para si?
    Este Medina não é capaz de resolver um problema tão simples e acha que tem a solução para o problema geral do transporte público na AML, que é um somatório de milhares, mas MILHARES mesmo de pequenos problemas como este?

    O Medina já alguma vez olhou para a burrice que a Carris mostra aos seus utentes, burrice essa a que a Carris chama mapa da rede e que está aqui:

    http://www.carris.pt/fotos/editor2/diagrama_rede_carris_ago2018.pdf

    Agora vejam o mapa de 2006:

    Isto sim, era um mapa, CARAGO! Só ao pontapé em quem acabou com isto. Agora temos a M%&$# de um diagrama que não serve um C&%$#%$!

    Por favor, guardem ambos os documentos (o péssimo diagrama actual e o antigo e excelente mapa) nos vossos computadores. Já agora: o mapa tem baixa resolução. O mapa em papel era de uma legibilidade notável! (Foi-me levado junto com a minha pasta num assalto que sofri aqui na Alta de Lisboa. Filhos da P%#$!)

    Agora vejam o actual mapa do Metro:

    https://www.metrolisboa.pt/wp-content/uploads/2018/02/MapaCidadeMetroLisboa_Vfev2018.pdf

    Se reparem, era EXACTAMENTE sobre este mapa do Metro que o antigo mapa da Carris era trabalhado. Comparem e verão que o documento é o mesmo. Só as “layers” sobreimpostas – da rede de metro de um e das carreiras da Carris no outro – são diferentes. Mas o mapa de trabalho no qual as layers foram postas era o mesmo! Vejam por exemplo o Parque Eduarde VII, o Estabelecimento Prisional e o Palácio da Justiça a noroeste do mesmo. Ou os quarteirões em Telheiras ou em Alvalade (sempre com o mapa antigo com menos resolução, mas em papel era extraordinário. Era tão bom como o mapa de metro em papel – não o diagrama! – que se vê retroiluminado num placard em todas as estações de metro de Lisboa). É tudo, tudo igual.

    E o ignorantíssimo do Medina ainda se pergunta por que não andam mais as pessoas na Carris! Vivo em Lisboa desde 1995. Nunca tinha problemas em interpretar o mapa da Carris. Até terem acabado com ele, por razões que ninguém consegue compreender. E onde estão os gajos dos sindicatos a defender o interesse público? Ah, já sei, estão aqui:

    a gritar “A culpa é tua!” ao colega que quer trabalhar. Ao minuto 07:00. Guardem este vídeo para a posteridade.

    Palhaços! Nem vêem que trabalham numa Carris que nem tem um mapa das carreiras e que isso é a principal causa do declínio da empresa!

  7. 7anaz

    “verdadeiramente transformadora do sistema de mobilidade em Lisboa” e que pode responder “a um problema central do país”

    E diz ele que a mobilidade lisboeta é um problema central do país, veja-se só a distinta lata deste senhor. É preciso ter topete.

  8. Eu mesmo

    Não devia ser dos contribuintes nacionais a pagar os transportes de Lisboa. Mas nas restantes cidades mundiais, a maior parte das receitas dos transportes não vêm da bilheteira. Isso é só em Portugal

  9. Gabriel Orfao Goncalves

    Artigo de Luís Aguiar-Conraria sobre esta questão:

    https://observador.pt/opiniao/medina-dos-bosques/

    E por favor, guardem MESMO este documento nos vossos computadores, ou isto perde-se para sempre e nunca poderão mostrar aos vossos filhos o descalabro que foi a Administração da Carris

    (Se o link não aparecer, cliquem com o botão direito do rato e cliquem em abrir ligação num novo separador. A imagem aparecerá.)

  10. Gabriel Orfao Goncalves

    Medina expressamente contra descida do IVA na electricidade.

    https://observador.pt/2018/08/28/socialista-fernando-medina-contra-descida-do-isp-e-do-iva-na-eletricidade/

    Claro: o dinheiro para pagar os votos em Lisboa através da promessa da diminuição dos passes dos transportes públicos tem de vir de alguma lado. Nestes caso, também virá dos 23% de IVA da electricidade que as pessoas do interior do País – muitas sem transportes públicos, quanto mais passes ou passes subsidiados – têm de pagar.

    Causa asco, este Medina.

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