O regresso ao passado é o principal risco da saída limpa

A saída limpa da Grécia. Por João Borges Assunção.

Os gregos decidiram eleger um governo inexperiente, impreparado e dos radicais de esquerda do Syriza, em 2015, que prometeu uma alternativa económica, social e política. Depois de dois anos inenarráveis com ameaças aos parceiros europeus, um referendo, e divisões internas entre fações com graus diferentes de extremismo ideológico, o governo grego acabou por implementar uma versão do programa de ajustamento bem mais dura do que aquela que tinha sido travada na rua em 2010-2012. Em parte por aqueles que estão agora no Governo.

A União Europeia e a Alemanha cometeram erros na condução do apoio à Grécia. E muitas das regras da Zona Euro negociadas no Tratado de Maastricht revelaram-se ineficazes ou mesmo contraproducentes. Porém, a Grécia é uma democracia soberana, não uma ditadura, pelo que as decisões são tomadas pelos eleitores ou os seus representantes.

Os gregos votaram ao longo dos anos, após a adesão ao euro, de acordo com a sua interpretação dos seus interesses. A posteriori é fácil para os observadores internacionais dizerem que os eleitores gregos fizeram más escolhas. Mas na altura os gregos não acharam isso.

Tal como em Portugal, a saída limpa da Grécia será rapidamente esquecida. Os eleitores atribuirão a culpa de uma futura crise aos outros. E continuarão a votar em quem lhes prometer os benefícios que ambicionam. Mesmo uma crise tão profunda como a grega não deverá ser suficiente para mudar a forma de pensar da maioria dos eleitores gregos.

Tal como em Portugal, o regresso ao passado é o principal risco da saída limpa grega.

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8 thoughts on “O regresso ao passado é o principal risco da saída limpa

  1. maria

    Este madeirense e socialista Miguel Madeira fala para si próprio. Tem um pretoguês psicadélico. Fale claro e intendível.

  2. É na sou madêrense, sou algarvio.

    Porque é que digue que foram mais oite meses que dois anes: o Syriza foi para o governe em janêre de 2015, abriu uma guerra com a troika, mas em agoste do mesme ane atirou a toalha ao chão e negociou um nove acorde.

    Mas isse será relevante, perguntar-se-á; mas ache que sim – a conversa dos dois anes dá a entender que o governe gregue andou a fazer uma política muito diferente da recomendada pelas instituições internacionais, e é por isso que levou tanto tempe a sair do plane de recuperação; mas quande tomamos noção que o Syriza tem feito, durante quase tode o seu tempe de governe, a mesma política que a Nova Democracia (ou provavelmente até o Passes Coelhe) faria, acho que a coisa muda um pouque de figura.

  3. Manolo Herédia,

    Depois do competente PEC, do bem gisado PEC2, do francamente definitivo PEC3, esperaria muito da quarta versão?

    Se um vizinho seu lhe pedisse cinco euros para depois os devolver, e emprestasse; na semana seguinte nem o devolvia, mas pedia-lhe mais dez emprestado; na outra semana continuava com a dívida e pedia mais vinte. Ia dar-lhe uma nota de cinquenta, como ele pedia na quarta semana?

    Ou o Manolo é tolo ou acha que nós o somos, e portanto é mesmo tolo.

  4. A. R

    “Ou o Manolo é tolo ou acha que nós o somos, e portanto é mesmo tolo”: pensam é que quem empresta é tolo ou tem que financiar o socialismo dê por onde der.

    Nem esse vulto extraordinário e idolatrado pelo PCP, o grande lider Ceausescu e a sua brilhante e inigualável cientista e esposa, acreditava nas balelas: tratou de submeter a dietas científicas a Roménia para pagar as dividas e pelo caminho a sua polícia eliminou 400 000 romenos. Morreu a pensar que era injusto ser feito num passevite.

    Estaline roubou o alimento a 6 milhões de ucranianos para vender e financiar a o comunismo e ao mesmo tempo consolidar o poder pela delação e fuzilamento de quem escondesse alguma coisa para comer.

    Tudo boa gente dizem os rançosos do PCP.

  5. Não houve saída alguma e ainda estão todos no passado.

    Não aprenderam nada como Portugal não aprendeu nada.

    O que acontece é que o crescimento proporcionado pelo capitalismo não regulado levanta todos mesmo os de mentalidade estatista que mesmo assim não conseguem crescer mais de 1-2%. Quando deveria ser pelo menos 5%.

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