A fixação doentia em Trump turva a visão…

Mais um exclente artigo de Rui Ramos: Não queriam que os EUA fossem como os outros?

Às antigas potências da Europa ocidental, deu sempre jeito a protecção dos EUA, que as dispensou de se preocuparem com a sua própria defesa. Isso, porém, não impediu que ressentissem a “hegemonia” americana. Daí, a recorrente exigência de que os EUA se portassem como um país igual aos outros. Mas agora, que essas preces foram atendidas, parece que os europeus não gostam.

(…)A fixação doentia em Donald Trump impede-nos de ver o que se está a passar. O primeiro agravamento dos direitos alfandegários sobre aço e alumínio é de Bush, em 2002. A tentação de apaziguar a Rússia é antiga: Bush deixou Putin invadir a Georgia em 2008, e Obama entregou-lhe o que ele quis da Ucrânia em 2014.

Não, Trump não é o começo desta história. E também não será o seu fim. Trump tem as suas excentricidades. Mas é fundamentalmente o presidente de uma época em que os EUA voltaram a ser um país como os outros: um país que propõe “negócios”, e não alianças, e que exige aquilo que desde 1945 já ninguém esperava dos EUA — “reciprocidade”. Um país, em suma, que faz o que os outros fazem. Os europeus acusam Trump de complacência para com Putin, mas eles próprios financiam a autocracia russa através da sua dependência energética. Exaltam-se porque Trump protege o aço e o alumínio, mas não se envergonham do seu próprio proteccionismo agrícola, um dos maiores obstáculos ao comércio livre no mundo.

A Europa tem razão para estar inquieta. Porque tal como o seu papel internacional afectou o regime americano, a responsabilidade pela própria defesa afectará os regimes europeus. Durante décadas, os europeus puderam deixar o Estado social absorver os seus orçamentos, confiantes em que a despesa militar estava por conta dos americanos. Sem os EUA, vão ter de aprender a viver de outra maneira.

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27 thoughts on “A fixação doentia em Trump turva a visão…

  1. “deu sempre jeito a protecção dos EUA, que as dispensou de se preocuparem com a sua própria defesa.” — a política americana sempre deu preferência a entrar em guerras nos países dos outros e não em território americano!

    O Bush(es) e o Obama também desmentiram os próprios serviços de informação e menos de 24h depois também se desmentiram-se a eles prórpios?

    “Exaltam-se porque Trump protege o aço e o alumínio, mas não se envergonham do seu próprio proteccionismo agrícola, um dos maiores obstáculos ao comércio livre no mundo.” — e não há proteccionismo agrícola americano?

    “os europeus puderam deixar o Estado social absorver os seus orçamentos, confiantes em que a despesa militar estava por conta dos americanos.” — e acha que o orçamento de defesa americano em grande parte é o quê, senão um estado social???

    Tanta ignorância, o problema não são só idiotas como o Trump candidatarem-se, o problema é não faltarem idiotas com tempo de antena!

  2. a política americana sempre deu preferência a entrar em guerras nos países dos outros e não em território americano!

    Pois deveriam ter deixado os Nazis conquistar a Europa. Como os teus amigos Comunas eram bons amigos dos Nazis tanto que disseram aos sindicatos franceses para sabotarem as fábricas de material para a guerra…

    “e acha que o orçamento de defesa americano em grande parte é o quê, senão um estado social”

    Estás a defender os “Europeus” fazerem o o mesmo?

  3. Caro Luky.

    Se os comunas colaboraram com os nazis, também os liberais europeus e americanos tinham colaborado antes. Walll street financiou o nazismo.

    Gajos como Churchill ao princípio declararam-se admiradores de Hitler e as potências capitalistas-liberais permitiram que que Hitler se instalasse no poder e desenvolvesse à vontade o poder militar alemão numa altura em que tinha sido fácil derrubar o nazismo e repor a ordem do tratado de Versailhes.

  4. Desde a IIGM europeus sempre aceitaram a liderança dos EUA.

    Tanto assim que um por um os países europeus são fracos e a UE não passa de uma colónia dos bancos alemães, não tendo sequer uma política externa comum.

    E se é verdade que os europeus, principalmente os que seguem o paradigma neoliberal e não cumprem as suas cotas d defesa, como a alemanha, estão a chular os EUA na defesa, também é verdade que os EUA ao defender a europa estão simplesmente a defender os seus interesses de grande potência.

    Depois de Pearl Harbor os americanos simplesmente decidiram manter uma guarda avançada frente a potências rivais.

    Por razões óbvias, mais vale a primeira linha de defesa da América ser nas margens do Reno e na Coreia do que nas praias americanas.

    Ao mesmo tempo a presença militar permite uma influência política sem paralelo da história americana o que também tem implicações no aspeto económico.

    Como devia ser óbvio isto não é altruísmo mas defesa dos interesses americanos.

  5. Concluo então que o Rui, André, Luck’s e demais acólitos, anseiam por uma Europa forte, com uma infraestrutura de defesa a rivalizar os E.U.A.???

  6. André Miguel

    Guna, não é preciso rivalizar, bastaria não ser dependente.
    Eu preferia ver os meus impostos a pagar a minha defesa do que a subsidiar preços baixos a um sector agrícola super-protegido e anti-concorrencial.

  7. No essencial é certo poder dizer-se que o ´pacifismo’ europeu chulou o orçamento americano; mas este nunca se norteou por interesses europeus mas sim por interesses americanos.
    Daí que não se deva aceitar que isso venha a compensar-se satisfazendo interesses americanos.

  8. Caro jmenos.

    É um facto.

    E o mesmo para a globalização e a ascensão da China.

    Basicamente foram situações impostas ao mundo pelos EUA, a favor de interesses com origem nos EUA.

    Se prejudicaram os EUA foi porque as elites empresariais americanas se estão na tintas para o seu país.

    Tal como por aqui temos elites que insultam o seu próprio povo para lamber as botas aos alemães no seu próprio interesse. Assim também nos EUA certos grupos económicos estão interessados é nos seus próprios interesses e se for preciso dão cabo do país.

    Culpar o resto do mundo pelas próprias políticas é uma palhaçada de que o Trump se serviu par ganhar popularidade entre as massas incultas.

  9. JG Menos,

    «mas este nunca se norteou por interesses europeus mas sim por interesses americanos.»

    Realmente, eles deviam fazer acto de contrição por terem defendido a Europa!

    «Daí que não se deva aceitar que isso venha a compensar-se satisfazendo interesses americanos.»

    O interesse americano é que nós paguemos a nossa própria defesa. Em vez de serem eles a pagar o grosso da conta. Está a dizer que os Estados Unidos têm o divino dever de esbulhar dinheiro na Europa — e tudo para que os sempre insolentes europeus desdigam os Estados Unidos dia e noite?

    Se eu fosse americano mandava o exército europeu — os quatro homens e as duas espingardas de pressão de ar— às malvas, quando os russos entrarem por aí adentro. E eles vão entrar. O Vladimir Vladimirovitch já entrou nos sessenta e cinco e não dura para sempre.

  10. «Assim também nos EUA certos grupos económicos estão interessados é nos seus próprios interesses e se for preciso dão cabo do país.»

    Temos que conceder que até nisso de dar cabo do país essas elites americanas são incompetentes. Já as elites cubanas e soviéticas e chinesas do tempo do Mao Mao eram fabulosamente competentes.

    O capitalismo não consegue dar cabo dos países. Pelo contrário: põe-nos a crescer. Que perfeitos imbecis, esses capitalistas maléficos!

  11. Oh ! Por quem sois !

    As elites empresariais americanas são as melhores do mundo a dar cabo do próprio país. Uns verdadeiros leões.

    É que uma coisa é dar cabo de um país pobre como Portugal.

    Outra muito diferente é dar cabo da potência hegemónica do planeta.

    Em quarenta anos de globalização conseguiram por a América num caco.

    Há umas décadas os EUA eram o credor do mundo.

    Neste momento são o maior devedor e só ainda não foram à bancarrota porque a sua posição hegemónica lhes permite iram brincando com as contas á custa da moeda, outro país já estaria falido dez vezes.

    Mesmo assim em 2007 foi quase…

    Eram a powerhouse industrial do mundo, hoje a sua cintura industrial chama-se rust belt – calculo que não faça ideia da razão dessa alcunha, porque isso implicaria abrir os olhos para aquilo que os liberais fizeram ao país.

    Eram o maior exportador do mundo agora são o maior importador.

    Entretanto a população da maior potência mundial vai empobrecendo.

    Já têm mais pobres e sem abrigo que a população inteira de quatro portugais – dezenas de milhões – e a classe média vai de década para década aproximando-se da pobreza.

    Claro que você, com a sua célebre visão selectiva não deu por estas transformações dos últimos 40 anos porque apontar os pés de barro da América é apontar para os defeitos do capitalismo.

    Mas faça assim. Veja as queixas dos red necks americanos que votaram no Trump.

    Esses são de direita e calculo que já consiga ao menos entreabrir um bocadinho, já não digo os dois olhos, tarefa impossível que isto para si é religião, mas ao menos um cantinho de um olho.

    Está sempre a falar em Cuba e Venezuela, mas olhe que em termos relativos de decadência em relação a um ponto de partida no pós-guerra a América é capaz de estar pior.

  12. Os pobres dos Estados Unidos que demitiram para Cuba? Ouvi dizer que Havana é a cidade com mais americanos no Mundo.

    Lembram-me os seus números do idiota escarralhados que afirmou que cada segundo morria um sem-abrigo nos Estados Unidos. Depois de muitas papagaiadas alguém fez a simples conta 365×86400 e perguntou como é que ninguém dava pela morte de mais de trinta milhões de pessoas, à altura muito mais de um décimo da população estadunidense, para mais de uma causa singular. Lá teve o descerrado canhoto-asinino de aquiescer de que tinha inventado esse nûmero.

    Com que então quarenta milhões de pessoas sem casa num país onde o nível de sem abrigo é menor de 5 por milhar? Não lhe faz essa irrazoabilidade soar campainhas na cabeça ou ela é completamente perdeu a última das suas utilidades desde que os chapéus saíram de moda?

  13. Pena que os números da economia americana não patrocinem a sua tão melíflua tese! O rendimento das famílias americanas está em franco crescimento. O que não acontecia desde que o Obama tomou o poder.

    Entre a verdade dos números e a mentira nas palavras, prefiro ser bem versado em matemática que imbecil em letras mortas.

  14. Ork ragnarok

    Caro Colaço.

    Eu disse 40 milhões de pobres E sem abrigo.

    Não significa 40 milhões de sem abrigo.

    E não fui eu que referi essa dos mortos por segundo.

    Mas continue a fazer-se de parvo e a ignorar o que eu disse.

    As elites vivem de gente como você.

    A indústria e classe média americanas estão optimas, a dívida é minuscula. Aquilo está optim

    Você era bom era para bispo da igreja universal.

  15. Cinchh

    Sendo a América um pais capitalista pouco dado a dádivas aos outros, porque será que participou na 2ª grande guerra, principalmente só depois de Pearl Harbour? O que terão pensado, os políticos e poderosos americanos, que iria acontecer se a Alemanha tomasse conta da Europa? Quem seria o seu próximo alvo? Não terá a defesa atual, Americana, montada na Europa, o mesmo propósito em relação à Russia. Se a Russia invadir a Europa (e pare de pensar na pena que os queridos americanos teriam dos queridos europeus) teria a América capacidade de lhe fazer frente nas suas praias? Já agora porque terão os anteriores presidentes Americanos alterado o peso militar da Europa para a Ásia. Se calhar tem a ver com o aumento da influencia da China na região. E mais uma vez, mais vale a pena apoiar o Japão e outros países asiáticos do que combater a China em casa.
    Eu concordo em aumentar os gastos em defesa mas apenas para dependermos cada vez menos da América. Não porque eles coitados nos andam a pagar a defesa pelos nossos lindos olhos.

  16. Ork,

    Não sei se sabe, mas um pobre é definido como o que está no primeiro quintil de rendimentos. Logo, 20% serão sempre pobres. Aqui em Portugal também há 20% de pobre. E no Zimbabué, se as estatísticas forem publicadas.

    Mas um pobre americano vive menlhor que a classe média — e a classe médica — cubana. E que um pobre português pobre (aliteração intencional!). Graças à economia de mercado.

  17. Cinchh

    Francisco Colaço.

    Bem é a sua opinião, continuo a achar que as duas almofadas a este e a oeste são melhor defesa do que ter a guerra dentro de portas.
    De qualquer maneira devemos agradecer ao Presidente Trump, pois pode ser que finalmente a Europa junte ao poder económico que representa, a capacidade de se defender.

  18. «De qualquer maneira devemos agradecer ao Presidente Trump, pois pode ser que finalmente a Europa junte ao poder económico que representa, a capacidade de se defender.»

    A guerra contra a Europa não se ganha de fora. Perde-se por dentro.

    Já sabe o que aconteceu com o Kissinger e os microrrolamentos?

  19. Cinchh

    Francisco Colaço
    “Já sabe o que aconteceu com o Kissinger e os microrrolamentos?”
    Não e não penso que uma pesquisa rápida pelo google me vá ajudar. Certamente tem já a sua opinião bem estruturada e sem qualquer possibilidade de incluir novos dados especialmente vindos de quem precisa de pesquisar “microrrolamentos”.
    Quanto à guerra se perder por dentro concordo, estávamos aliás a caminhar para lá, mas também se ganha quando existe um inimigo comum e bem definido, dai o meu agradecimento.
    Bem aja.

  20. Cinchh,

    Pergunte-se porque e que os Estados Unidos fortaleceriam os seus inimigos.

    Provavelmente não irá encontrar no Google alguma coisa sobre o Kissinger e o episódio da transferência de tecnologia militar à socapa para a União Soviética e a China. Esse episódio é bem conhecido na comunidade de informações e está narrado num livro que eu li há algum tempo e cujo nome já nem me lembro. Os microrrolamentos foram um de vários episódios de fortalecimento do inimigo, que não se iniciaram com o Kissinger nem tiveram o fim depois dele. A PDD-60 do Clinton e a transferência de urânio estadunidense pela Fundação Clinton para a Rússia — lá estão os quatrocentos milhões de que falou Putin — mostram que Trump é provavelmente um dos poucos presidentes dos Estados Unidos (juntamente com Reagan) que não fortaleceu a União Soviética e a China desde antes da Segunda Guerra Mundial, por meios subreptícios ou por decisões presidenciais que, sem esse moto, não fazem sentido.

    Por exemplo, porque é que os Estados Unidos tirariam duas de três ogivas dos seus mísseis intercontinentais, sabendo que uma única ogiva torna os mísseis vulneráveis ao S400? Os SS russos têm até dez ogivas, sendo quatro ou cinco provavelmente falsas. Um anti-míssil não pode tirar dez ogivas em simultâneo, ogivas essas que saem do míssil pouco depois do apoastro da trajectória. Pois Obama mandou a retirada, para já pouco espanto meu.

    Está a ver porque é que cai por terra toda a sua tese?

  21. Cinchh

    Obrigado pelo esclarecimento Francisco Colaço.
    Creio no entanto que falamos de coisas diferentes, posso estar errado. Este fortalecimento do inimigo não invalida o espalhar pelo mundo de bases americana e diversas alianças que tem como função a proteção dos interesses americanos e aparecendo a defesa dos locais como um efeito secundário, importante mas secundário. Continuo a achar que devemos pagar a nossa própria defesa, mas não porque a América nos tem feito um favor e sim porque seria bom não dependermos dos seus interesses.

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