Resumo da visita de Obama a Portugal

Obama no Porto: clap! clap! e o público aplaudiu. Por José Silva.

E pronto, seriam uma três e tal, lá veio o senhor Obama no meio de uma enorme salva de palmas. Dois sofás, ele e o senhor assessor.

A oratória fácil de Obama foi facilitada pela tendência futebolista iniciada de manha: perguntas redondas, chuto de cá para lá e respostas redondas. Acha que os jovens devem seguir a carreira política? Sim, veja o exemplo maravilhoso do Mandela. Acha que as empresas devem tomar iniciativas por causa do clima? Claro, isso é maravilhoso, etc e tal. E as organizações internacionais? Ah isso é muito importante. (faça-se justiça, não elogiou Guterres possivelmente com medo que fosse demais). Aqui e ali uma alusão ao seu sucessor que a plateia inteligentemente interpretava como sendo Trump e respondia com palmas ou com sorrisos de aprovação. Ninguém percebeu que a última pergunta era a última. Era só mais uma igual às outras. E portanto o assessor lá teve de dizer que acabou e a plateia brindou o orador com uma salva de palmas a que ele magnânimo respondeu “obrigado”. Saiu e com ele saíram os seguranças que passaram o tempo todo de costas para o palco a ver o público (esses é que se divertiram).

Acto contínuo entra a impagável Catarina. Como as palmas para o Obama esmoreciam diz ela: “clap, clap” e o público aplaudiu fervoroso. Empresários, deputados, membros do governo, esta Catarina tem o país nas mãos.

O aplauso foi fervoroso e cheio de vontade de sair, é claro, que já se fazia tarde e a estrela principal já tinha saído do palco.

Dá-se então o episódio do dia (não foi o Obama, não!). Sobe ao palco o Ministro do Ambiente (o da voz da rádio) e faz um imenso discurso em inglês. Momento supremo: um Ministro do governo a fazer um discurso em inglês para 3000 portugueses, todos eles sem excepção a querer ir tomar uma cerveja lá fora. Enquanto as filas de trás saiam discretamente (“com licença, com licença”) dos pobres da frente faziam o que podiam: pegaram nos telemóveis em massa e começaram a divagar pela net em busca de refúgio.

Foi penoso. Era uma Quaresma sem Páscoa. O homem falava (tem bom inglês) e nem uma alma lhe prestava atenção.

Mas enfim, lá passou, foi indolor e voltou a Catarina ao palco para dizer não sei o quê em inglês.

Não ouvi, saí antes da multidão. Cá fora estavam a distribuir lápis. Sim lápis.

E com isto perdi o Uruguai França.

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