Maio de 68

Maio de 68: um nada que gerou alguma coisa. Por Miguel Morgado.

Muita apologia da originalidade e da espontaneidade, mas dos lugares-comuns do marxismo ninguém estava disposto a prescindir, e isso colocava limites ao que se podia dizer sobre a economia e a sociedade. Em grande medida, a sujeição intelectual ao marxismo que ainda persistia em 68 circunscreveu as possibilidades do movimento dos estudantes. Havia coisas que, apesar de tudo, eram mesmo proibidas. Poucos anos mais tarde, em meados da década de 70, e nalguma medida e paradoxalmente devido ao choque de Maio, o marxismo estaria intelectualmente morto em França, e devidamente enterrado por alguns dos intelectuais que nasceram com Maio ou com outros que o admiraram, como Michel Foucault.

Não deixa de ser irónico que um movimento tão contestário do legado da “civilização ocidental” tivesse como efeito mais expressivo a radicalização – dir-se-ia até caricatural – do projecto especificamente moderno dessa mesma “civilização ocidental”.

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