Eutanásia: um retrocesso civilizacional

Um deputado socialista que não vota a Eutanásia. Por Ascenso Simões.

A vida, essa coisa mágica, essa realidade filosófica que nunca terá uma resposta, razão, ou equação, foi o sinal que me levou a não sancionar a atual lei da Interrupção Voluntária da Gravidez e à consideração envergonhada de alguns, sobre este eu parlamentar, por um certo ultramontanismo. O limite para mim sempre foi o dos três registos que a minha leitura científica e filosófica também estabeleceu – violação, risco para a saúde da mãe, malformação do feto. Não importa regressar agora a este combate. Ele está hoje tão penetrado na nossa circunstância relativizada que já nem a mais conservadora Irlanda se mantém pertinaz.

Entramos nestes tempos na questão da morte assistida, ou na eutanásia, por economia de conceitos. Já acima referi a minha discordância e a minha circunstância de deputado socialista minoritário. Importa agora indicar as razões que já desenvolvi em circunstâncias diversas mas que as mais recentes opiniões publicadas me compelem a recolocar.

Tenho para mim que é dever dos poderes públicos a preservação da vida, não a conjugação das autorizações para a sua eliminação. A ciência, como atrás referi, dá-nos, a cada dia, surpreendentes notícias, concede-nos um campo de novas oportunidades que deveremos assumir. Para mim, o Parlamento não pode conceder que esta seja uma matéria de reserva de cada um, e o sinal de que se pode “matar” não é um avanço, mas sim um retrocesso civilizacional.

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5 thoughts on “Eutanásia: um retrocesso civilizacional

  1. Na dúvida que insistentemente marca presença, a ser despenalizada seria preferível que não transformassem o que se pretende como um consciente e apressado fim de vida numa tortuosa e entediante morte lenta.
    Em vez de tantas entidades envolvidas na decisão do sim, uma junta médica para decidir não seria mais apropriada como suficiente?

  2. O único erro que vejo na proposta de lei do BE e apenas no ponto 4 do artigo NR 7 o qual permite que um médico administre os fármacos que levem à morte, se a lei replicá-se a lei Suiça, penso que seria o correcto. Cada um é dono de si e do seu corpo

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