A eutanásia e a imposição da “cultura de morte” aos mais vulneráveis

A factura da fractura. Por P. Miguel Gonçalves Ferreira sj.

Para além disso, uma eventual aprovação da eutanásia faz com que o nosso ordenamento jurídico continue a somar inconsistências, como a de impedir os canis municipais de matar cães (ou até a mutilação genital feminina, mesmo voluntária), permitindo que num hospital se matem seres humanos. Para ser totalmente coerente com as liberdades individuais invocadas, o Estado deveria então permitir a venda livre de “pílulas da eutanásia”, como permite a “pílula do dia seguinte”, até em grandes superfícies…

Um dos argumentos velados da petição à Assembleia para a discussão da eutanásia era o de acabar com uma “imposição cultural católica” ao resto da sociedade. A declaração conjunta das várias religiões e a posição do PCP — partido assumidamente materialista — demonstram que a questão é bem mais vasta. A eventual aprovação da morte assistida, essa sim, cria uma cultura que se impõe sobretudo aos estratos mais vulneráveis da sociedade, como os idosos que vivem em lares. Estes poderão ser movidos por uma “cultura de morte” – ou até por vozes alheias e interesses mesquinhos – a sentir-se um peso e a pedir para morrer. Assim atinge uma sociedade o cúmulo da perversidade!

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8 thoughts on “A eutanásia e a imposição da “cultura de morte” aos mais vulneráveis

  1. André Miguel

    É só para avisar que enquanto andamos a discutir estas causas fracturantes, as taxas de juro a 10 anos subiram hoje mais de 6% e o défice da balança comercial duplicou no primeiro trimestre face ao período homólogo (já vamos em 500 milhões).

    Vão nas cantigas do manhoso e depois digam que ninguém avisou.

  2. Argumentos muito fracos: <> – sim, porque todos os medicamentos são vendidos sem controlo! <> é isso que se passa na Suíça? Etc. Etc.

  3. André Miguel

    Diabólicos Francisco! Uns diabólicos esses mercados. Veja lá que hoje estão a subir 11%… mas está tudo bem. Ninguém pia.

  4. Oscar Maximo

    O grande problema que vejo é o facto de, ao por uma opção muito mais barata no menu, alguns tipos de cuidados paliativos mais caros terem tendência a sair dele. Só por isso, e pelo poder de decisão dado aos médicos, votaria contra, neste país.

  5. André Miguel,

    O bolobo do Costa não consegue meter naquela cabecinha que se está a borrifar para os malditos especuladores e os malditos mercados e os malditos prestamistas e as malditas agências de notação quem está a pagar a sua dívida.

    Precisava de colocar os «malditos» entre aspas no parágrafo anterior. Há sempre dois tipos de pessoas na humanidade; e apenas um deles consegue perceber quando um conservador ironiza. Felizmente o André Miguel está entre os que justificam o esforço dos nossos pais para nos manter na escola.

  6. Oscar Máximo,

    «O grande problema que vejo é o facto de, ao por uma opção muito mais barata no menu»

    Por falar em barato e baratas, quando é que o PAN se insurge contra os desparasitadores do Parlamento? (Eu até percebo, pois praga por praga iam os do PCP, Verdes, BE, PAN e metade do PS antes das baratas).

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