O plano de Costa para dominar o país

Hoje no Jornal Económico.

O plano de Costa para dominar o país

Em entrevista ao Diário de Notícias, António Costa declarou que prefere utilizar eventuais folgas orçamentais para contratar mais funcionários públicos a aumentar os seus salários. Lemos isto e perguntamos: então e a urgência de há poucos anos para reduzir os funcionários públicos? Se era para contratar mais agora porque foi necessário reduzi-los  antes?

A redução do número de funcionários públicos estava relacionada com três necessidades: tornar a administração pública mais eficiente, reduzir a despesa pública e libertar o país da dependência do Estado e da perspectiva de uma carreira no Estado como a mais apetecível. Trabalhar no funcionalismo público pode ser honroso se útil, mas não se encarado como um encosto para a vida.

Agora, depois de pretensamente atingidos os objectivos na redução de pessoal, o Estado volta a contratar conduzindo a novo excesso de funcionários públicos. A pergunta é porquê? Podemos dizer porque há folga orçamental. Mas isso é agora que a economia mundial está em expansão. E quando não estiver? E quando o número de funcionários públicos for novamente excessivo e pesar excessivamente na despesa pública? O que se faz? Despede-se? Como?

Ninguém responde a estas perguntas porque não têm resposta. Porque a razão para a contratação de mais funcionários públicos não é económica, não tem que ver com a qualidade do serviço público, mas é política. Contrata-se não só para satisfazer os sindicatos (que precisam de mais pessoas nas suas fileiras), mas também porque vai ao encontro do que o PS precisa.

António Costa chegou à liderança do PS em 2014, quando os partidos socialistas tradicionais estavam em descalabro na Europa. Era o PSOE, o PASOK, o PSF, o SPD e até o Partido Trabalhista britânico andava perdido (ainda anda) sem saber o que fazer com o que restava da Terceira Via. O grande objectivo de Costa era evitar que ao PS sucedesse o mesmo. Um desafio difícil, pois o Partido Socialista era o principal responsável pela quase bancarrota do Estado português e José Sócrates iniciava a sua prestação de contas com a Justiça.

Como conseguiu evitar o fim do PS, tornando-o numa excepção europeia, já o sabemos. O que desconhecíamos até agora era o seu plano para tornar o Partido Socialista numa força política hegemónica. É nesta perspectiva que percebemos a sua ideia quanto ao funcionalismo público: usar a folga orçamental, não para reduzir impostos, não para aumentar salários, mas para contratar mais funcionários. Contratar mais gente que dependa do poder político. E não há gente mais dependente que aqueles que ganham pouco. A natureza de país não mudou assim tanto desde Salazar, e Costa, sabendo disso, age em conformidade.

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11 thoughts on “O plano de Costa para dominar o país

  1. Ou um país que se deixa dominar por um monte de palha cheio de raboS
    De bebedeira em bebedeira:
    O desconhecimento da Lei:
    O artigo 6º do Código Civil tem como epígrafe a “Ignorância ou má interpretação da lei“; e dispõe o seguinte:
    “A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nelas estabelecidas.”
    Judicial e politicamente, digo eu.
    Vamos acabar com as habilidades manhosas destes governantes de caverna..
    Se a norma que se transcreve serve para um humilde calceteiro marítimo, por maioria de razão tem que ser aplicada a estes doutores de galinheiro, e com palmatória de ferro com bicos quentes especialmente ao seu atual timoneiro/mixordeiro.
    Nem os nossos profissionais da aplicação das leis, nem o nosso afetuoso presidente professor de direito são capazes de escarrapachar isto na alarvidade sorridente da fachada do Costa?

  2. JP-A

    “Ninguém responde a estas perguntas porque não têm resposta.”

    O António Costa está-se borrifando para isso tudo. Ele simplesmente perdeu a vergonha na cara. Quando chega a um beco, vai ao ponto de negar as próprias leis vigentes, como ontem fez com a demissão decretada pela lei para o caso do ministro adjunto, e se o país estiver a arder ele vai de férias. Sempre que se fala dos “irritantes” ele arranja uma solução simples: o país quer é que se fale do futuro. Fê-lo agora para condicionamento (espantoso!) do congresso, fê-lo no debate com Seguro (que se fartou de avisar ao que vinha ele e companhia, e o que representavam), e vai fazer sempre. Ocorreu a maior carga fiscal de sempre? Que se lixe! Ele acha que isso não se mede assim! Um país que gera um partido que gera um aborto destes está liquidado há muitos anos.

    Metam isto na cabeça: este tipo é mais primitivo e perigoso que o 44.

    Os tiques sintomáticos, esses nunca faltam: um país sem ministros (Carlos César é mais ministro que os outros todos juntos), totalmente centrado na figura do PM, cujas grandes jogadas nunca são do seu conhecimento (EDP, Montepio, Banif, cargo de Procurador-Geral da República, liquidação pública do 44).

  3. Só tretas.

    Costa está apenas a revitalizar os serviços públicos gravemente prejudicados pelas políticas anteriores, e a regularizar a situação dos falsos recibos verdes, que sempre lá estiveram embora fossem “invisíveis”.

    O resto é só a vossa tremenda azia.

    No mercado há umas pastilhas para isso.

  4. Caro Miguel.

    Estive a ler os seus links.

    Portanto, você;

    – Queixa-se que a austeridade continua.

    – Queixa-se que a austeridade acabou.

    – Queixa-se dos cortes dos serviços públicos.

    – Queixa-se do aumento do investimento nos serviços públicos.

    – Queixa-se do aumento dos impostos.

    – Queixa-se da devolução dos impostos.

    Tudo ao mesmo tempo.

    Você é um case study típico.

  5. André Miguel

    Tens o cérebro a fazer tilt?
    Eu só me queixo do socialismo. E de fascistas como tu, que não fazem falta nenhuma.

  6. Caro Miguel.

    Ná.

    Tu queixas-te de tudo e do seu contrário e depois atribuis a culpa ao socialismo.

    Nesta altura do campeonato já deu para perceber que nem sabes muito bem o que é isso de socialismo.

    Para ti é tudo o que não for do teu clube.

  7. Aónio Lourenço

    É óbvio que Costa está a ser prudente para calar a sua esquerda. Em vez de aumentar salários na função pública que representariam uma pipa de massa no orçamento de estado, mais não vai fazer do que cumprir o seu pacto com o BE de passar para os quadros os falsos recibos verdes do estado. É pura retórica para agradar á esquerda.

  8. Expatriado

    “Costa tem, comprou, uma propriedade em Goa local de nascimento do pai. A lei indiana diz:

    “Q: Can a foreign national of non-Indian origin resident outside India purchase immovable property in India?
    A:
    No. A foreign national of non-Indian origin, resident outside India cannot purchase any immovable property in India unless such property is acquired by way of inheritance from a person who was resident in India. However, he/she can acquire or transfer immovable property in India, on lease, not exceeding five years. In such cases, there is no requirement of taking any permission of/ or reporting to the Reserve Bank of India.”

    1- Qual é o estatuto de Costa na Índia? Se é indiano, tudo bem. Se não é, como deu a volta à lei?

    2- Terá Costa a cidadania de Portugal e Índia? Se sim, a qual país deve lealdade? Se sim, o que diz a lei portuguesa acerca da legalidade para desempenhar funções de governo ou parlamentares para tais pessoas?

    3- No caso de Costa ser também cidadão da Índia e for acusado/julgado de um qualquer crime em Portugal, se fugir para aquele país não será extraditado de lá na ausência de um tratado de extradição.

    4- Na sua viagem oficial à Índia, Costa mostrou orgulhosamente o seu bilhete de identidade indiano. Terá comprado a propriedade em Goa depois disso?

    5- Terá Costa uma conta bancária na Índia? Se sim, será isso do conhecimento do Tribunal Constitucional e do Fisco?

    É muitas mais perguntas se podiam fazer…

    Costa tem tido vários encontros com “gente de negócios” indianos, nomeadamente recentemente no Reino Unido. Quais foram as conclusões desses encontros?

    Para quem sabe um pouco da cultura indiana HÁ razões para não andar a “dormir na forma”. Os sinais estão aí.”

  9. Expatriado,

    A lei portuguesa não requer que o Primeiro-Ministro seja de nacionalidade portuguesa. Eu, como Maquiavel, até advogo que seja um bom estrangeiro a governar-nos em oposição a um português que nos desgoverne. Não me aborreceria de todo se o José María Aznar fosse o PM aqui. Bem precisávamos de uma boa dose daquilo que ele fez em Espanha.

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