Sobre a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado (2)

Passos académico ou como a espuma foge dos temas que importam. Por Nuno Garoupa.

Durante uns dias, as redes sociais (logo também a comunicação social) andaram muito comocionadas com o anúncio de que o anterior primeiro-ministro ia dar umas aulas no ISCSP como professor catedrático convidado. Ora, um ex-governante colaborar numa universidade pública nem deveria ser notícia (por exemplo, a colaboração de Paulo Portas com a Nova SBE não ofereceu grande ruído público), muito menos ser objeto de enorme polémica. É absolutamente natural que uma escola na área das políticas públicas queira a colaboração de alguém que foi primeiro-ministro. Quer para os seus conteúdos letivos (uma matéria para reflexão dos órgãos próprios da escola) quer como cabeça-de-cartaz para atrair alunos num mercado de licenciaturas e mestrados cada vez mais competitivo (para mais numa escola com uma forte ambição de afirmação interna e sem uma forte componente internacional). E, sendo um ex-primeiro-ministro (eleito democraticamente), merece evidentemente um lugar condigno. Muitos alimentaram uma enorme confusão entre catedrático (professor doutorado, agregado e concursado) e catedrático convidado (professor convidado com equiparação e salário de catedrático por decisão dos órgãos da escola). Por maldade ou por total desconhecimento, certamente, pois nunca o ex-primeiro-ministro poderia estar na tal famosa “carreira académica” quando não tem habilitações literárias, nem competência científica para tal. Contudo, é um ex-primeiro-ministro, pelo que faz todo o sentido que seja um professor convidado ao nível de catedrático, se os órgãos científicos do ISCSP assim o legitimamente entenderem.

Leitura complementar: Passos Coelho vai ser professor catedrático convidado. E pode?

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5 thoughts on “Sobre a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado (2)

  1. Caro Santos.

    O Soares e a Lurdes eram professores de profissão.

    As suas carreiras académicas não têm nada a ver com este tacho académico que deram a um político de carreira que tudo indica nunca ter lido um livro na vida.

  2. Cara Adelaide.

    Não seja burra.

    Ainda antes de ser um político importante o Soares foi professor e administrador de uma escola.

    Logo não se pode comparar com a licenciatura fajuta do Passos e das suas gaffes culturais, como dizer que tinha lido o livro de Sartre, a Fenomenologia do ser (o livro não existe) até afirmar que preferia ensaios a romances, citando ensaístas que tinha lido, como Kafka – romancista que nunca escreveu um ensaio.

    Está na cara que o homem é um bronco e este tacho de “catedrático” é um insulto para a academia.

  3. NG

    O Nuno Garoupa não foi um dos que gritou aqui del rey por ver Manuel Pinho leccionar na Universidade de Columbia?

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