A Generosidade do Estado Social

A geração de Abril, que se reformou no início do século, é a mais beneficiada da história. Vou dar apenas alguns exemplos de grupos que representam no seu total dezenas de biliões de prejuízo em termos actuariais.

  1. Idade da Reforma: Quando a Seg. Social foi criada em 1970, a idade de reforma era de 65, a EMV (Esperança Média de Vida) era de 67,1 anos – um período de reforma de 2,1 anos. Hoje a idade de reforma é de 66,5 anos enquanto a EMV é de 80,6 – um período de reforma de 14,5 anos. Portanto um aumento para quase 7x (!)
  2. Na geração dos meus pais, muitos reformaram-se com 30 anos de serviço, tendo pago 34,75% em cada ano. Por esta contribuição esperam receber 100% ou 90% de reforma durante quase 30 anos (a acreditar na EMV). Quase o triplo!
  3. O triplo não: o sêxtuplo. Sim, pois do valor descontado para a Seg. Social apenas cerca de metade vai para a reforma, indo o restante para todo o tipo de pensões (invalidez e sobrevivência por exemplo), subsídios (doença e desemprego por exemplo), abonos (de família) e rendimentos de coesão.
  4. Esta desproporção é ainda maior em sub-grupos privilegiados, como é o caso de políticos e outros grupos influentes (Banco de Portugal, por exemplo)
  5. No caso de muitos agricultores (e pescadores e domésticas), o desconto foi 0 e portanto todas as reformas pagas saem directamente da dívida. Independentemente da justiça desse apoio, e do baixo valor destas reformas, é mais um grupo a receber, sem qualquer provisão constituída para o efeito.

20911983_kcjr7Estes e outros direitos atribuídos por políticos com horizontes a 4 anos e pouca orientação de longo prazo escavaram desde o 25/Abril um buraco que se calcula actualmente de 70.000 milhões (ou 70 Biliões em numeração americana) no Fundo da Segurança Social.

O que é um enorme roubo às gerações futuras, mostra a tendência para o colapso do sistema, e finalmente que alterações vão ter se ser implementadas para tornar o sistema… “menos generoso”.

E quanto mais cedo, menor será a correção necessária.
É que o sistema não vai terminar…
… mas que vai ter de ser redimensionado, não restem dúvidas.
Por mais laudas se cantem às suas virtudes.

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12 thoughts on “A Generosidade do Estado Social

  1. mg

    Tenham mais filhos. Há pois é, mas as vossas mulheres têm de ser “emancipadas”. Então olha azar, aguentem-se.

  2. mg

    E vamos lá esquecer que o problema do estado social , é só porque engordou muito e a demografia envelheceu. E nada disto tem a ver com a decadência económica provocada pelo êxodo e traição das corporações económicas capitalistas, por negócios chorudos de baixos ordenados e “escravos” da Asia, sobretudo e ironicamente da China comunista.

  3. jorgemmc

    Pode explicar melhor o ponto 2? Não vejo onde estão os casos de “quase 30 anos”. A haver seriam reformas antecipadas e seriam casos residuais no seu peso sobre o buraco criado.

  4. “O triplo não: o sêxtuplo”.

    Dados reveladores da progressiva transformação da segurança social num esquema de Ponzi, mas talvez um pouco exagerados.

    Não é verdade que a capitalização seja a única forma de olhar para a sustentação da segurança social.

    Numa outra perspetiva, as reformas futuras terão de ser pagas pela produção futura e esta tem vindo a crescer bastante graças aos aumentos de produtividade! e, já agora, da imigração!

  5. Gabriel Orfao Goncalves

    jorgemmc,

    a internet está toda escarrada – é mesmo isso, escarrada – com posts meus sobre a idade com que a minha mãe se reformou: 55 anos, após 32 a trabalhar para o Estado (professora de escola primária).

    Orgulho-me de, tanto quanto sei, ter sido a primeira pessoa em Portugal a dizer: “pensões como a da minha mãe têm de ser diminuídas! Isto é insustentável financeiramente; é uma violaçao do princípio da igualdade quer em relação aos privados quer em relação aos próprios colegas da FP (é que actualmente já não há estas benesses para os FP que se reformam agora: mais tarde e com menos dinheiro, bastante menos dinheiro!); e é um peso enorme sobre quem trabalha e consome: é com o dinheiro do IRS e do IVA que se vai buscar a parte mais importante para pagar estas pensões.”

    Fiz dezenas e dezenas de comentários sobre isto principalmente no InVerbis, a partir de 2012, e no Jornal de Negócios. Quando me chamavam parvo por não querer aproveitar da “ida ao pote”, por via da pensão da minha mãe, respondia sempre: “ser chamado de parvo por pessoas sem coluna vertebral é o maior elogio que posso receber”.

    Minha mãe quando se reformou (aos 55) passou a ganhar mais do que ganhava quando trabalhava: passou a receber valor igual ao do último salário… mas sem ter de descontar dele nada para a CGA.

    Não foi uma reforma antecipada nem isto é invulgar, caro jorgemmc. Na terra dos meus pais existia um senhor que se tinha reformado da Marinha aos 46 anos. Chegou a viver quase o dobro, sendo que recebia de reforma… mais uma vez, o valor igual ao do último salário (e que ia sofrendo actualizações). Não sei sinceramente quantas pessoas conheço que se reformaram do Estado antes dos 60 anos. Talvez duas dúzias. Olhe que não é pouco.

    Quanto se acaba o dinheiro que para lá se descontou, vai-se buscar aos descontos dos mais novos. Mas até mesmo estes não chegam para as ecomendas! E não me venham dizer que é por a CGA já não aceitar novos contribuintes – decisão do Governo de Sócrates, de 2006, salvo erro, muito louvável. Não, não é por isso: ainda a CGA se enchia, todos os anos, de novos contribuintes, e já o Estado, todos os anos, fazia transferências de 3 a 5 mil milhões de euros para tapar o buraco que aquilo sempre foi.

    Os agentes da PSP ganham uma MISÉRIA nos primeiros anos de trabalho. Uma MISÉRIA! Mas que fazem os sindicalistas? Pedem idade de reforma baixa e reformas “com dignidade!”, como eles dizem. Palhaços! Em vez de pedirem trabalho justamente remunerado põe-se com tretas esquerdalhas. Veja-se quantos agentes das nossas forças de autoridade se suicidaram nos últimos 10 anos.

    Campelo de Magalhães:
    bravo, como sempre!

  6. A sua mãe fez a licenciatura portanto.
    A minha fez o magistério, pelo que se reformou mais cedo.
    A licenciatura fez ela já quando eu estava no secundário, para aceder ao 10º escalão.
    Comparativamente com a minha mãe, a sua ficou a perder!

    Está a ver: no estado nada é tão ridículo que não possa ainda ser ainda mais 😉

  7. jorgemmc

    Obrigado pelos esclarecimentos. Não tinha noção que fosse tão grave essa situação. De qualquer forma penso que isso terá sido atenuado nas últimas cócegas, perdão, reformas que se fizeram ao sistema, em que as reformas antecipadas são penalizadas (talvez devessem ser mais ainda).
    Claro que não chega para equilibrar nada. Só a mudança para um sistema de capitalização, digo eu.

  8. “A geração de Abril”
    verdadeiramente uma praga
    é ir a uma repartição qualquer do estado e ver aquelas senhoras todas com mais de 40-50 com cabelo ligeiramente acima dos ombros e óculos a carregar lentamente nas teclas dos computadores
    é de cortar os pulsos

  9. Caro Gonçalves.

    Os sindicatos da PSP pedem reformas antecipadas por razões mais do que óbvias inerentes à profissão.

    Quer por pessoas com 67 anos à pancada com gangs de rua ?

  10. Outro comentário sem pensar por parte do Org.
    Um daqueles comentários de quem nunca debateu a questão do Envelhecimento Activo e de como estão a ser procuradas as opções para os finais de carreira de profissões como polícias, professores, entre outros.
    Leia antes descrever comentários desses.

  11. «Numa outra perspetiva, as reformas futuras terão de ser pagas pela produção futura e esta tem vindo a crescer bastante graças aos aumentos de produtividade! e, já agora, da imigração!»

    Não desta imigração dos nossos amigos do Sul e do Sudeste. Esta é parte do chupismo (problema) e não da solução (contribuições).

    A solução apresentada por uma rataria não é resolvida introduzindo ratazanas. Quando muito trazem-se gatos.

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