O fracasso dos regimes europeístas

Já não chega chamarem-lhes fascistas. Por Rui Ramos.

O eleitorado do “populismo” não é a medida de um anseio de marchar com camisas negras. É o sinal do fracasso dos regimes europeístas, não apenas em resolver os problemas, mas até em falar deles.

(…) Os populistas não são solução. Frequentemente, como agora na Itália, nem sequer é claro que sejam verdadeiras alternativas de governo. Falta-lhes os meios para mudar sociedades que, embora zangadas e aproveitando as eleições para votar neles, não desejam romper com a vida que a integração europeia lhes garante: por isso, na Grécia, o Syriza acabou como simples executante das políticas de Bruxelas, e na Itália, o 5 Estrelas e a Liga já se calaram sobre o euro. Talvez isso baste para sossegar alguns auto-proclamados europeístas nos seus sofás dourados. Mas com ou sem “populismo”, devia-nos preocupar a contradição de uma elite que por um lado quer uma Europa democrática, solidária e tolerante, e por outro lado vai sujeitando o continente a uma dinâmica que acabará por comprometer tudo isso. Que se pode fazer para escapar, a prazo, à pulverização das sociedades europeias em comunidades segregadas e hostis, inviabilizando democracias e Estados sociais? Os populistas, com a sua agitação apocalíptica, não sabem; mas muitos europeístas, com a sua complacência burocrática, também não.

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3 thoughts on “O fracasso dos regimes europeístas

  1. Mario Figueiredo

    A única coisa que ficou por dizer no excelente artigo de Rui Ramos foi que não existem quaisquer sinais que a união europeia entenda o fenómeno, ou que sequer esteja interessada em entender. Alegremente caminha para a sua própria implosão. Veja-se, por exemplo, o tremendo esforço em construir Mais Europa, em vez de a reduzir.

    Isto deve-se, sem dúvida, a mais de meio século de consanguinidade política europeia que reduziu os genes da classe ao equivalente de uma lesma com doença de asperger. Por exemplo, seria apenas possível em livros de banda desenhada ou nos livros de instruções para candidatos a cargos de chefia em clubes desportivos, que uma figura tão apatetada como jean-claude juncker fosse presidente da comissão europeia — propositadamente os dois vão com letra minúscula. Somos dirigidos e governados por gente menor, sem qualquer educação, cultura, ou perfil de estadista, que traem a memória dos grandes lideres europeus do passado, e centrados no interesse partidário ou pessoal ao serviço, se possível, de uma máquina mediática que insiste em achar que faz crescer audiências com a banalização da actividade política e que se limita a ser eco do discurso político e há muito recusou ser o seu contraditório.

    E assim estamos a fazer história. Estamos a assistir à ascensão do tipo de movimentos sociais e políticos que levam à queda do regime e nos arrastam para tempos difíceis. Mas esses movimentos são as vitimas do actual regime. E é mesmo preciso limpar esta porcaria, nem que para isso seja preciso pegar fogo à floresta.

  2. mg

    “…não existem quaisquer sinais que a união europeia entenda o fenómeno, ou que sequer esteja interessada em entender. Alegremente caminha para a sua própria implosão.”

    Quem diz que essa não é a verdadeira intenção, sobretudo depois do que aconteceu em 2008. As elites europeias estão a jogar com tudo para salvarem o pescoço. E ou de duas umas ou conseguem amordaçar os cidadãos, ou então se não conseguirem, vão e estão a aumentar o mais possível a pressão às populações, para que sejam elas próprias a pedir a saída, enquanto eles rebentam com os diques financeiros quase a estoirar, para depois atribuirem a culpa nas decisões nos povos. E se o caos se instalar adicionada ao da deliberada migração em massa importada, melhor lhes servirá de escudo.

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