Juntos e no fundo do abismo

A consagração da União Nacional, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) É pena? Depende. Por mim, sou suficientemente avesso a colectivismos, ou meramente egoísta, para encarar com desprendimento teórico os desvarios da nação. Se o país em peso resolve jovialmente lançar-se rumo ao penhasco ou a uma alucinação latino-americana, o país pode fazê-lo com estrondo. O problema é a prática, na qual se torna difícil conseguir um camarote para acompanhar ileso o espectáculo. Ao contrário dos oligarcas e respectivos protegidos, os cidadãos comuns, classe a que indubitavelmente pertenço, não escapam sem abalos a desastres desta dimensão. Um dia pagaremos o gozo dos que celebram os “acordos”, os “consensos” e, regresso – salvo seja – ao prof. Marcelo, as “convergências”, que aliás já começamos a pagar todos os dias. Quando a experiência acabar, ou quando acabarmos nós, seremos mais pobres, mais isolados, mais dependentes, mais ridículos. E menos livres. Mas muito unidos, no fundo o que importa. No fundo.

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One thought on “Juntos e no fundo do abismo

  1. Gaius Octavius

    «E não esqueçamos os que apontam o dedo à “extrema-direita”, “conservadora” e “neoliberal”, que se acotovela no “Observador”, de facto uma crescente excepção ao caldo de propaganda e entretenimento em que caiu a generalidade dos “media”.»

    A “excepção” que o Observador representa resume-se a meia dúzia de cronistas que não são de extrema-esquerda, incluindo Alberto Gonçalves, e dou de barato que haja por lá um ou dois jornalistas que também não sejam de Esquerda, mas sem certezas.

    E só por isto, por dar voz a meia dúzia de pessoas que não prestam total vassalagem ao Regime, é que o Observador é alvo a abater pela Esquerda que controla o Regime. A Esquerda não exige menos do que a conformidade absoluta da parte dos seus “súbditos” (ou seja, nós) face ao Regime que ela impôs e controla. E pior do que isso: a Esquerda encara qualquer voz dissonante, qualquer pessoa que se recuse vergar-se perante ela, como algo de imoral e ilegítimo.

    Mas daí a dizer que o Observador é uma excepção vai uma grande distância. Ainda por cima quando, segundo tenho lido, os comentadores de Direita são censurados ao mesmo tempo que os trolls comunas têm carta branca para tornar as caixas de comentários tão imundas e malcheirosas como a Quinta da Atalia durante a Festa do Avante.

    O Observador só é “excepção” na medida em que, ao contrário dos restantes média do Regime, não é 100% merda. Talvez seja apenas 90% merda.

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