Em vez de cortar árvores…

…talvez não fosse má ideia castrar os que escrevem as leis.

Bem sei que há as minhas pessoas e os meus animais (os meus Ozzy, Mimi e Angie por exemplo) mas há duas coisas que me obrigam sempre a parar, quase em contemplação, como que numa espécie de ascese. O granito gasto pelos passos das pessoas, como os degraus na entrada da Igreja da terra da minha mãe que há mais de 400 anos são caminhados e estão longe da forma original, só e apenas à custa dos passos dos fiéis. As pedras dos muros e pontes romanas em Trás-Os-Montes, que gosto de tocar e imaginar os legionários que por ali marcharam há dois mil anos. E as árvores, as árvores que resistem há gerações, que resistiram aos fogos, às tempestades, ao vento e à chuva, ao abate indiscriminado para criar pasto e vinha. As pedras e as árvores são as testemunhas silenciosas do que sou e de quem sou. Gosto dos imponentes carvalhos, castanheiros e salgueiros transmontanos, dos pinheiros mansos e amendoeiras algarvios, dos cedros e camélias do Minho, das oliveiras e sobreiros alentejanos, gosto de árvores. Gosto do embondeiro angolano, do matapalo costa-ricense, das sequóias californianas. Gosto de estar no 17 de Vidago e ver à esquerda do green aquele velho cedro que me convida. Cada árvore abatida, cada pedra arrancada, cada fraga partida é um bocadinho de mim que desaparece. É uma coisa tolkieniana muito minha. Quem dera houvera Ents. Puta que pariu os Orcs que nos pastoreiam, legislam, arquitectam e engenham.

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4 pensamentos sobre “Em vez de cortar árvores…

  1. Não sei porquê mas tenho o estranho pressentimento que este poético texto só se destina aos que nos pastoreiam no estado… Inclusive os que fazem as leis que protegem as árvores…

    Porque se for os que nos “pastoreiam, legislam, arquitectam e engenham” no privado, já podem abater as árvores todas que já não faz mal…

    Como aqueles liberais que estão a remover as leis ambientais para deitar abaixo as árvores que quiserem nos states ou no Brasil…

  2. mg

    Não se apoquente caro Helder, sempre pode continuar a comprar os seus vanguardos e imateriais Bitcoins. Esses não se desgastam como o granito nem nunca irão lhe pregar a partida de um dia puff “desaparecer”…

  3. mg

    Há, e já agora isso dos Romanos e seus legionários, e essa coisa da ligação à terra e seu povo, à sua cultura, aos seus costumes. Essa ligação ancestral é coisa de extremas direitas e nacionalismos, xenofobos e protecionistas, que um digno Liberal mise-ista jamais deve adoptar. Agora esqueça lá isso e vá comprar a ultima geração do Iphone que a anterior já não dá para actualizar aquela aplicação que nunca usou. E agora vá dar as boas vindas à ultima massa de imigrantes refugiada que acabaram de chegar da etiopia do paquistão e do senegal para virem enriquecer em todos os sentidos a sua vida claramente deprimente.

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