Obrigado Pedro Passos Coelho

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É um tempo novo, mas não queria deixar passar a oportunidade de agradecer todo o serviço de Passos Coelho ao país. Em meu nome e em nome de todos os que apreciam uma certa forma de fazer política: Muito Obrigado!

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63 thoughts on “Obrigado Pedro Passos Coelho

  1. Org Ragnarok,

    Quem é que meteu a PT em aventuras no Brasil, mandou vender bens à Venezuela — que não pagou —, andava a comprar fatos na Rodeo Drive e enquanto ministro era subornado pelos ingleses para deixar cortar uns sobreiritos?

    Quem mandou os selos — QUE EU VI! — do Governo Civil de Coimbra e do Estado Português para Moscovo, permitindo na prática que se pudesse falsificar documentos? Quem vendia coisas a Moscovo, recompradas horas depois a três ou quatro vezes mais, sem que essas coisas saíssem de Portugal?

    Quem assinou o Tratado de Lisboa, que fez a União Europeida enveredar pelo federalismo arbitrário?

    Quem escondeu a dívida debaixo de emperresas impúdicas criadas precisamente para esse efeito? Quem escondeu a dívida das autarquias das contas nacionais?

    Pista: não se chamava Coelho. Nenhum desses.

    A lista de grandes traidores à Pátria pode ser muito longa, mas Pedro Passos Coelho não estará lá arrolado.

  2. Gostava que os articulistas do Insurgente estudassem a vida da actual vice-presidente (antiga bastonária da ordem dos advogados) de Rui Rio e do PSD e os motivos ou as razões porque esta chegou a fazer uma queixa crime contra a antiga Ministra da Justiça e a todo o Governo de PPC e actualmente perde-se em elogios pela actual Ministra????? Principalmente, fazendo a comparação destes factos com um país onde a justiça é uma espécie de 0 (zero). Mais, onde a Policia já tem medo de respirar e os criminosos andam no Shopping ao nosso lado.

  3. A. R

    Obrigado Passo

    Encontrou um país falido pela tropa socialista-comunista-trotskista -os bancos falidos, o défice em 11%, um pais sem crédito, um país saqueado e humilhado, os cofres vazios não davam para pagar os salários do mês seguinte, a saúde num desastre – e levantou-o.

  4. Cristóvão N.

    O melhor estadista que este país ingrato já teve, o que para mim foi uma feliz surpresa. Deixo aqui o meu obrigado como português.

  5. Ork Ragnarok

    Caro Colaço

    O facto do sócas ter feito merdah não desculpa a merdah que o Passos fez.

    O sócas roubou mais para si próprio, uns vinte milhões.

    Mas tomara a nós que o estrago que o Passos fez na economia tivesse sido só isso. Estamos a falar de muitos milhares de milhões.

    Começa logo que numa situação de emergência nacional sabotou um programa de ajuda, o pec4, provocando o descalabro total numa situação que já era má e requeria a união de todos para salvar o país.

    De um programa soft, como a Espanha teve, fomos brindados com um resgate á bruta, tipo Grécia, graças ao Passos.

    Isto foi um acto de traição á Pátria mil vezes pior que o de Miguel Vasconcelos.

    Este programa foi dos eventos mais destrutivos para o país mergulhando-o na pior depressão dos ultimos cem anos e o traidor aplicou-o entusiasticamente dizendo que ainda queria mais.

    Quanto mais o programa agravava a crise mais ele queria.

    O maior aumento de desemprego, de impostos, falências. O maior aumento da dívida e dos juros, a maior descida do rating, foi tudo no governo Passos, já o sócas tinha ido á vida há um ou dois anos.

    Pior. O traidor alinhou sempre com os alemães, que nos estavam a “castigar” (!!!!!) como se o povo tivesse culpa.

    Depois ainda foi contra a única coisa que nos safou e continua a safar – o programa de compra de dívida de Dragui, que finalnente fez o banco central intervir para equilibrar a economia europeia – contra vontade dos alemães e do Passos.

    Ou seja, o gajo foi CONTRA a única coisa que nos salvou.

    Só quando o programa já estava a funcionar e a resultar acabou por concordar porque já começava a parecer esquizito…

    Só se pode concluir que pretendia manter indefinidamente a crise que agravou com o objectivo de aplanar as resistências ao empobrecimento das classes médias e baixas, o que era o seu verdadeiro objectivo.

    A prova é que já se falava que os cortes brutais na qualidade de vida dos mais pobres seriam para décadas – na verdade sem fim á vista, na verdade a serem agravados de ano para ano.

    A não ser em anos de eleições, claro, mas tendencialmente sempre a agravar – o que prova que a manutenção da crise era intencional.

    Estes abutres precisam do diabo para terem carniça indefesa á disposição.

    Mário Dragui estragou-lhe os planos, permitindo a recuperação dos países do sul, de que ainda hoje beneficiamos.

    Com muita pena do gajo, que preferia o dia bo, única forma de nos impor o seu experimentalismo neoliberal.

    A recuperação nacional foi uma verdadeira desgraça para ele.

    O Passos é um dos maiores traidores da história de Portugal.

  6. Ork Ragnarok

    Caro AR

    Os comunistas e os trotskistas nunca governaram Portugal nem a América, onde começou a crise mundial que nos viria a atingir.

    E a crise piorou imenso com o Passos, vindo a atingir o máximo já um ano ou dois depois de o sócas ter saído.

    Só começou a melhorar quando o BCE finalnente decidiu intervir, começando a estimular a zona euro o que permitiu começar a recuperação dos países do sul.

    O Passos foi um traidor que agravou a crise e andou a vender o país ás postas, literalmente, á China e ao MPLA.

  7. lucklucky

    Onde vão os “Liberais” do insurgente?

    Passos:
    Mais impostos.
    Mais Socialismo.
    Mais poder do Estado.

    Passos salvou o Socialismo e os supostos Liberais aplaudem…

    Mundo continua bizarro.

  8. LUCKLUCKY

    Liberais não é sinónomo de estupidez e cegueira.

    Sou Liberal classico, mas sei que pegar num país socialista e liberta-lo económicamente, sem uma revolução, tem que ser feito com impostos, o socialismo é viver à custa dos outros, o que o PPC fez foi os outros pagar.

    Também acho que podia ir mais longe no liberalismo…mas …

  9. PMBB

    O passado do PPC e a forma como chegou à presidência do PSD sempre me colocaram muitas reservas. Contudo, independentemente da minha opinião sobre muitas das suas políticas e mesmo concordando com o LUCKLUCKY que no final são todos uma “cambada de socialistas”, é para mim inquestionável a elevação com que ocupou o cargo, principalmente quando comparamos com o restante panorama político português. Fazendo um balanço, considero que foi o melhor PM depois de Sá Carneiro e merece os meus agradecimentos.

  10. Lucky Lucky,
    Já ouvi esse argumento da “Terra Queimada”: é deixar arder, rebentar com tudo, não pagar a dívida, que isso sim vai deitar o Estado abaixo.

    É um argumento possível, e é até um argumento consistente e sólido na sua lógica… esquece é que há um país com muitos impreparados para uma queda do estado, que iriam sofrer danos irreparáveis e até mortais em tal cenário.
    Olhando para as consequências, não sei se quero ver o estado diminuir dessa forma, chamemos de “descontrolada”.

    Consigo ver a vantagem, mas por agora acredito que o custo de uma política de “Terra Queimada” à Bloco de Esquerda (secretely ultra-liberals?) seria muito elevado.

  11. Orc,

    O facto de o tal PEC (Programa Esbulha Cacau) ter o número QUATRO, depois de UM, DOIS e TRÊS, não lhe indicia nada acerca do seu mais que previsível desfecho?

    Acha que ao bater a quarta vez com a cabeça no pilar este partirá e irá abaixo?

  12. Caro Colaço.

    Os pecs eram apenas programas de austeridade.

    O Passos era contra a austeridade ?

    É que, por incrível que pareça ludibriou o povo em 2011 convencendo-o que ia fazer MENOS austeridade que o sócas !!!!!!!!!!!!!!!!!

    Foi nessa base que torpedeou o pec4 !!!!!!!

    Aldrabão mais aldrabão não há.

    E há sempre idiotas para irem nas mesmas conversas de banha da cobra de um burlão deste calibre – tanta burrice é incrível !

    – O pec 4 não tinha nada a ver com os outros, visto que, embora também fosse um programa de austeridade, trazia “averbado” um discreto programa de ajuda da alemanha e do BCE e era só isso que nele interessava – um programa mais soft que a brutalidade da troika.

    O traidor do Passos sabotou este programa de ajuda europeu para ir mais cedo ao pote e quase ia destruindo o país no processo.

    E é a esse traidor nojento que vocês aqui prestam homenagem como se fosse um santo.

    Até tenho vergonha de ser português.

    Já agora declarem também santos o Isaltino, o Oliveira e Costa, o Duarte Lima !

    Desçam mesmo até ao fundo !

  13. Orc,

    Pode sempre ir para a Grécia. Li algures num dito jornal de referência — o que quer dizer em Portugal que é da esquerda que usa sabonete e óculos para parecer limpinha e inteligente — que por lá eles faziam frente aos credores. Mas admito que o tipo que escreveu isso podia estar sob o efeito de barbitúricos ou que podia ser um perfeito idiota.

    A Grécia continuou a queda. Creio que não houve traidores.

    Quanto ao PEC 4, peca quatro vezes quem creia em falsos messias. Jesus salva, Sócrates gasta.

  14. A. R

    Caro Ork

    Traição foi:
    1) Após 5 PECs os socialistas fugirem com o rabo entre as pernas
    2) O empréstimo de quase 1 bilião de euros de empréstimos da Caixa a amigos socialistas
    3) Traição foram os investimentos ruinosos em alcatrão, betão e renováveis que pagamos com língua de palmo
    4) Traição foi o procurador e o supremo protegerem um criminoso
    5) Traição foi um défice de 11%
    6) Traição foi a colaboração de regimes criminosos como o da Venezuela e brasileiro
    7) Traição foi a liquidação da PT.

  15. Caro Colaço.

    Não é por mandar-me seja para onde for que o Passos deixa de ser o maior traidor da História de Portugal.

    Eu acho que se vocês gostam tanto dele deviam-vos aplicar para sempre a política de cortes permanentes do gajo.

  16. Orc,

    «Eu acho que se vocês gostam tanto dele deviam-vos aplicar para sempre a política de cortes permanentes do gajo.»

    Contra resultados… vamos ver o que está a dar a dita política da Geringonça de austeridade e destruição de serviços públicos, digo, de rigor mortis.

    O aumento da dívida a fornecedores esconde muito défice. Porque é que se fala tanto hoje no «está por dias»?

  17. Gabriel Orfao Goncalves

    Resumo da narrativa socialista em defesa do Querido Líder José Sócrates:

    O malandro do Passos Coelho mais o seu partido – um autêntico Ali Babá e 40 ladrões, como estou certo que diria Pacheco Pereira – chumbou o PEC IV (ou 4, para quem se sentir ofendido com numeração romana e a civilização que nos deixaram).

    POR CAUSA DISSO…

    Portugal viu-se obrigado a pedir um empréstimo ao FMI/BCE/UE no montante de
    80 000 000 000 (oitenta mil milhões) de euros.

    Há pessoas que acreditam nesta narrativa, com destaque para a parte em maiúsculas.

    Nunca votei Passos Coelho. Acho que foi pouco habilidoso. Deveria ter deixado o Sócrates fazer o que lhe apetecesse. Inevitavelmente o pedido de ajuda teria de ser feito, e o PSD poderia hoje dizer: “Não tivemos rigorosamente nada que ver com isso”. Infelizmente não pode. Que sirva de lição à direita: numa situação idêntica, nunca prometam baixar impostos e nunca recusem que a esquerda os aumente para “fazer face a pequenas dificuldades de tesouraria”. Deixem a esquerda sozinha com as responsabilidades por não conseguir ter acesso a essa coisa horrível que detestam: crédito. Quando não houver dinheiro em caixa para pagar a funcionários públicos, acaba-se o namoro. Não há, não há. Limpem as mãos à parede.
    Estou inteiramente convencido de que um Primeiro-Ministro, em Portugal (não na Venezuela) que deixasse chegar as coisas a este ponto acabaria por levar um balázio dos Militares em menos de um farelo. Mas é que estou inteiramente convencido disto. Fica a nota.

  18. Gabriel Orfao Goncalves

    ORK,

    tendo em conta que escreveu isto

    «Eu acho que se vocês gostam tanto dele deviam-vos aplicar para sempre a política de cortes permanentes do gajo.»,

    já trazido à colação e comentado por Francisco Miguel Colaço,

    o que tem a dizer sobre isto?

    «P.S. 2 – A segurança no mar anda ‘sem gás’ durante a noite desde há meses, ou seja, o controlo de tráfego marítimo não recebe nem transmite alertas entre as 23 e as 7 da manhã. Causas? As finanças, de novo, ao não permitirem o recrutamento de 12 técnicos já identificados e com classificação homologada pelo Ministério do Mar. Sabendo nós que tanta navegação em Portugal – como no caso das pescas – se faz de noite, podemos estar descansados? E as famílias dos pescadores podem estar tranquilas? Meu Caro Dr. Mário Centeno, por favor faça aí um intervalo nos seus afazeres, agora também europeus, e desbloqueie estas verbas tão essenciais.»

    tirado d’aqui

    https://sol.sapo.pt/artigo/601482/da-viol-ncia-na-estrada-a-viol-ncia-no-namoro

    Depois não nos admiramos que a dívida pública seja isto:

    https://sol.sapo.pt/artigo/601602/divida-p-blica-cai-para-126-2-valor-mais-baixo-dos-ltimos-cinco-anos

    Só digo uma coisa: daqui a uns anos vai-se descobrir como é que é possível “devolver salários”, “repor feriados”, diminuir o número de horas de trabalho na função pública, aumentar as reformas de pessoas como a minha mãe (CGA; pela enésima vez torno público: sim, sou a favor da austeridade e de cortes; e contra os meus interesses patrimoniais, embora indirectos, falo! AS pensões da CGA não podiam continuar como estavam… e como estão.)… e mesmo assim conseguir diminuir a dívida em % do PIB. É muito simples:

    quando caírem pontes ou viadutos ou houver um acidente de proporções nunca antes vistas com um comboio depois vão perceber a dimensão do que não está a ser gasto em manutenção de infraestruturas. No tempo do Passos Coelho havia escolas com amianto; agora há não há. Havia listas de espera no SNS; agora já não há; havia crianças mal-nutridas; agora há pedacitos de frango quase cru nas cantinas de escolas públicas… Eh pá, tenham vergonha!

    Então acham que os 100 mortos em incêndios no ano passado foi o quê se não a consequência de desinvestimento em serviços públicos? No tempo do Passos Coelho a esquerda berrava contra um investimento público tão baixo. A seguir vem Centeno e baixa ainda mais o investimento público. A esquerda nada diz. O que se pode dizer desta gente senão que são hipócritas?

  19. Caro Gonçalves.

    Deixe primeiro limpar as lágrimas de tanto rir por chamar esquerda ao PS.

    Pronto, já está.

    Quanto ao resto, sim, agradecia que se o país estiver a afundar não sabotem os programas de ajuda fazendo tudo ir mesmo ao fundo só para irem mais depressa ao pote.

    Isso chama-se traição à pátria.

    Obrigado.

  20. Caro Gonçalves.

    Por favor não continue a chamar esquerda ao PS que estou a ficar com falta de ar com as gargalhadas.

    Sim, o governo de DIREITA MODERADA do PS, ou quando muito de centro direita, está a manter parte da política dos cortes do governo anterior.

    Nunca disse que ia acabar com todos e muito menos imediatamente.

    A maior parte desses cortes, ou cortes equivalentes, veem do governo anterior, conforme devia saber.

    Então mas concorda ou não com a austeridade ?

    Quando o actual governo de direita moderada do PS acaba com os cortes você protesta, quando mantém os cortes você protesta.

    O que parece é que protesta sempre que se agita um pano vermelho à sua frente.

    Aliás, acho que o nome e a cor da bandeira é a única coisa que justifica tanta embirração com o PS por parte da vossa extrema direita, poque em 99% dos últimos 40 anos o PS manteve políticas governamentais idênticas às do PSD-CDS.

    Sim, o governo PS corta, mas corta menos e gradualmente está a repor parte do nível de vida da população.

    Ainda bem para o país e para a economia.

  21. «Sim, o governo PS corta, mas corta menos e gradualmente está a repor parte do nível de vida da população.»

    Se considerar a população apenas e só o desfuncional impúdico que orbita as sacanatarias de estado de Lisboa.

    O trabalhador do privado, quando vai às bombas ou quando compra bolachas ou quando vai a um centro de saúde sente na pele a reposição do nível de vida da tal população de que, obviamente, não faz parte.

  22. Caro Colaço.

    Sou trabalhador do privado e tive este mês o meu primeiro aumento em 7 anos.

    Este ano já não há também a sobretaxa que afectava todos os trabalhadores.

    O salário mínimo teve dos maiores aumentos de sempre e o IVA aos restaurantes foi substancialmente reduzido logo no início do mandato deste governo.

    O corte de 600 milhões que o Passos se preparava para fazer a seguir ás eleições foi logo anulado.

    Dizer que tudo isto só beneficia os funcionários públicos é mais uma aldrabice passista.

    – Quanto á hecatombe que vocês dizem estar a acontecer na saúde com o suposto caos total nos centros de saúde.

    Calha bem.

    Estive hoje mesmo num centro de saúde onde fui rapidamente atendido.

    O médico insistiu bué para eu fazer uma data de análises, que este ano já posso fazer no próprio centro, dantes não podia. Eu é que me cortei porque não estava para isso.

    O ano passado um familiar meu foi operado sem problemas nem grandes esperas – como é óbvio pode haver problemas como sempre houve, mas o vosso cenário catastrófico na saúde está ao nível dos célebres “suicídios” que segundo o aldrabão do Passos estariam a ocorrer entre os sobreviventes dos incêndios…

  23. Gabriel Orfao Goncalves

    Caro Ork Ragnarok,

    «Quando o actual governo de direita moderada do PS acaba com os cortes você protesta, quando mantém os cortes você protesta.»

    É porque são cortes feitos em sítios diferentes! Quando vai ser operado é-lhe indiferente o sítio em que o cirurgião corta? Ó valha-me Deus Nosso Senhor!

    «Sim, o governo de DIREITA MODERADA do PS, ou quando muito de centro direita, está a manter parte da política dos cortes do governo anterior.»

    Sim, mas noutro sítio do “corpo” da Nação: antes era sobretudo nos funcionários públicos; agora é nos serviços de que a nossa vida depende. Para si se calhar não há muita diferença… Sabe, se o Sr. chora a rir por que eu chamar esquerda ao PS – coisa que nem fiz… – a mim deu-me para chorar quando soube que havia crianças entre os mortos em Pedrógão Grande.

    Contra mim falo, mas cortes a pensões como a de minha mãe deveriam manter-se! É de elementar justiça para com as gerações que não tiveram a sorte de… reformar-se aos 55 e, imediatamente, passar a ganhar uma reforma… igual ao do último vencimento!!!… mas sem os descontos para a CGA!

    Isto é de loucos! A CGA foi sempre um esquema em pirâmide. Era insustentável. Ao menos que haja um Homem, um Homem, modéstia à parte, nesta Nação, que diga: eu concordo com cortes que vão contra, embora de forma mediata, os meus interesses patrimoniais (é natural que os pais desapareçam antes dos filhos; e no nossa ordem jurídica os filhos herdam dos pais). Tenho pena de não haver mais homens com tomates neste país que sejam capazes de dizer, como eu: a minha família é injustamente beneficiada – e para isso acontecer há pessoas que são injustamente prejudicadas.

    Estes são os primeiros cortes que deveriam ter sido mantidos.
    Ex aequo estão as pensões vitalícias, que o Tribunal Constitucional entendeu, a meu ver e com o devido respeito, mal, que não poderiam ser sujeitas a “condição de recursos” (sem entrar muito em pormenores, tratava-se de diminuir o valor da pensão quando o agregado familiar a que o titular da subvenção tivesse rendimentos acima de não sei quantos mil euros / ano) . Ainda hoje estou para perceber onde estaria a inconstitucionalidade de uma tal sujeição!

    (continua)

  24. Gabriel Orfao Goncalves

    (continuação)

    O que não devia haver era cortes nos serviços públicos. Sabe, eu sou social-democrata (não filiado em nehum partido). É por isso que não me é indiferente ver as cativações que são feitas. Quando, no entanto, neste site lê a opinião de pessoas que se identificam como liberais ou mesmo libertários no sentido de “quanto menos Estado melhor Estado” (frase com que eu não posso estar a 100% de acordo), e que criticam a política de desinvestimento público, notará sempre que isso é feito não porque essas pessoas se contradizem, mas sim porque apontam à esquerda contradições: a esquerda, com Passos, criticava os cortes feitos aos funcionários públicos; agora pouco se importam com as cativações. Os liberais não estão a defender que não haja cativações, tout court (sobretudo os liberais que entendem que tudo o que não seja segurança de pessoas e bens, ou seja, defesa externa e segurança interna, deveria ser entregue aos privados; para esses liberais quanto menos o Estado gastar melhor, desde que não descure o mínimo em defesa e segurança); estão a apontar à esquerda contradições, se não mesmo hipocrisias.

    Acabo com a frase com que comecei, e que é sua:

    «Quando o actual governo de direita moderada do PS acaba com os cortes você protesta, quando mantém os cortes você protesta.»

    Mas que cortes é que o PS mantém? Aqueles que vão desaguar em que uma ponte, um viaduto, ou um acidente ferroviário de proporções nunca vistas se dê? Então mas alguma vez isso é comparável com o aumento de IRS (que é uma maneira de cortar rendimento líquido) e os cortes feitos a FP, mais a sobretaxa, mais sei lá o quê? Prefere estar vivo e viver remediado ou estar morto? Prefere viver mal ou morrer queimado porque as antenas do SIRESP não funcionam???

    Algum funcionário público com contrato sem termo (sempre disse que os cortes não deveriam ser aplicados a servidores do Estado com contrato sem termo!) por acaso deixou de conseguir pagar a casa ao banco? Continuo à procura, passados estes anos, de um caso. Um! E eu escrevi (na altura no InVerbis) que nunca faria cortes tão elevados como os que Passos Coelho fez.

  25. Gabriel Orfao Goncalves,

    As cinco funções inalienáveis do Estado são a produção legislativa, a segurança externa, a manutenção da ordem interna, a diplomacia com outras nações e povos e a administração da justiça. Tudo o resto é opcional.

    (Eu concordo com o custeio da educação obrigatória e com o custeio da saúde primária. Custeio não implica provisão dos ditos serviços).

  26. Para a saúde e educação ser fornecida pelos privados como os privados fornecem o SIRESP ?

    Encher a pança a empresários liberais para fornecerem serviços que não funcionam …

  27. Caro Gonçalves.

    -A esquerda está constantemente a protestar contra o cumprimento das regras de Bruxelas por parte do governo de direita PS, que o obrigam a cativações.

    – A degradação dos serviços públicos não foi inventada por este governo, mas é característica de todos os anteriores, principalmente o de Passos mas não só.

    – Na questão dos incêndios este governo foi apenas coresponsável.

    O anterior tinha cortado na vigilância e manutenção das florestas e todos têm privatizado os meios de defesa civil degradando a qualidade dos serviços.

    Os helicópteros aparecem quando querem e se quiser paga mais.

    O SIRESP foi uma negociata do grupinho matavilha da SLN composto por barões do PSD e que atravessou cinco governos PSD e PS que pagaram fortunas e fizeram de conta que não perceberam que aquilo não funciona – incluindo o governo do Passos.

    E, claro, desde os anos 60 do século passado que se está a deixar degradar a floresta sem que nenhum governo tenha achado que valia a pena fazer qualquer coisa.

    – Os liberais que são contra os serviços públicos a não ser quando falham num governo PS, altura em que clamam por um reforço dos serviços públicos, são do mais reles e hipócrita que há.

    Porque não só os cortes não são só deste governo mas principalmente do governo liberal passista, como a degradação deve-se não só aos cortes, mas á privatização neoliberal dos serviços.

    O SIRESP e os helicópteros privados não são cortes.

    Pelo contrário, estamos a pagar 5 vezes mais pelos serviços do que se fossem fornecidos pelo estado – com o pormenor que ainda por cima estes serviços privados funcionam pior ou até não funcionam de todo.

    A idelogia neoliberal selvagem aplicada pelos partidos do arco da governação, todos eles de direita, incluindo o PS, está a destruir os serviços públicos e os neoliberais culpam o… Socialismo !

    Simplesmente nojento.

  28. Caro Gonçalves.

    Para ter uma ideia do que é a pouca vergonha liberal…

    O Oliveira e Costa, do grupinho maravilha laranja do BPN-SLN admitiu que a organização do SIRESP custou á empresa que o organizou 80 milhões de euros.

    E o estado pagou 540 milhões !

    Foram 460 milhões de lucro para os privados…

    As maravilhas do neoliberalismo.

    Por isso é que querem a provisão dos serviços públicos feita por privados – para se encherem.

    Morra quem morrer…

  29. Ó Ork,

    Há poucas coisas menos Liberais do que um grupo de encostados ao estado que nunca fizeram nada de especialmente produtivo na vida – e você não é burro nenhum e percebe bem isso.

    Por isso critique o grupo do BPN/SLN à vontade, só não os chame de Liberais, por favor.

  30. Gabriel Orfao Goncalves

    O Ork é um cientista político do mais alto calibre.

    Descobriu que em Portugal a extrema-esquerda (PCP e BE) apoia um governo de direita (PS).

    O Ork também é contra a ADSE porque enche os bolsos aos privados, é ou não é? Ó Kamarada, temos de acabar com essa vergonha! O lugar dos servidores do Estado, quando estão doentes, é na bicha do SNS! Entre permitir o lucro aos privados e morrer, antes a morte, é ou não é?

    Ork, se é daquelas pessoas para quem tudo o que não seja PCP ou BE não é de esquerda e, portanto, é neoliberal, diga. A gente já conhece o estilo, o modo de pensar, e… diga lá, tem ou não tem um Apple? Se não tiver a gente faz uma vaquinha. Não prometemos é que voe, porque isso é com o político – de direita, na sua perspectiva – António Costa.

    Só uma perguntinha: em que país mais socialista do que Portugal – na sua acepção de socialismo, seja ela qual for – é que os serviços públicos são melhores do que em Portugal? (A URSS de Estaline não conta, porque aí estamos todos de acordo em que os serviços públicos eram do melhor: quem não fosse socialista era logo eliminado. Se isto não é serviço público, não sei o que é!)

    Grato pelo diálogo.

  31. Caro Magalhães.

    Para o liberalismo o estado só deve existir estritamente para apoiar as empresas privadas.

    Por isso, um grupo de encostados ao estado é a própria definição de liberalismo.

    A única diferença é que para os liberais só os empresários é que se podem encostar ao estado.

    É o estado coutada empresarial – que é precisamente exemplificado pelos exemplos que dei e que está na origem de 90% dos problemas nacionais e mundiais.

  32. Caro Gonçalves.

    – Sim, neste momento a extrema esquerda está a apoiar um governo de direita.

    Chama-se jogada política – por questões de estratégia apoiar um inimigo contra outro pior.

    Qual é a novidade ? A nível mundial vimos inimigos ideológicos apoiarem-se mutuamente na URSS a apoiar os aliados na II GM, na Tatcher e no Reagan a apoiarem os Khmers vermelhos contra o invasor vietnamita etc etc etc.

    – Sim, também acho que devia haver um serviço de saúde único.
    O que já não percebo é o senhor, aparentemente a favor dos privados, já ser contra a autofinanciada e baseada em privados ADSE… É só porque favorece funcionários públicos não é ? Logo, tudo o que for mau para eles é bom para você… É só nesse pormenor que não concordo consigo.

    – Sim, em Portugal a nível de partidos representados na assembleia só o PCP e o bloco são de esquerda. O que não quer dizer que não exista muita gente de esquerda que não se identifica com o extremismo radical desses partidos.

    Simplesmente não existe em Portugal um verdadeiro partido social-democrático em Portugal. O PS não se qualifica, porque não se distinguiu das políticas direitistas dos governos PSD-CDS em 90% dos casos ao longo de 40 anos.

    – Serviços públicos melhores num país mais socialista que o nosso ? Atualmente nos países do socialismo nórdico.
    – Noruega.
    – Suécia.
    – Finlândia.
    – Islândia.
    – Dinamarca.
    – Holanda.

    Mas também na França, Alemanha, Reino Unido, ainda são melhores do que o nosso – vestígios estruturais da época em que o paradigma social-democrata, uma forma de socialismo, era dominante na Europa.

    – Por acaso tenho um Apple, comprado em terceira mão.
    Não percebi é o que tem isso a ver com a nossa conversa.

  33. Ork,

    «-A esquerda está constantemente a protestar contra o cumprimento das regras de Bruxelas por parte do governo de direita PS, que o obrigam a cativações.»

    É o cumprimento das regras ou a falta de pilim? Acha que o Costástrofe não anda aí com o apalpa-folgas a ver onde pode esgravatar para dar mais cacau aos apaniguados e à sua coutada de votantes — funcionários públicos e dependentes do Estado? E quando não há, aumenta mais uma vez os impostos, as taxas e as multas, mormente sobre quem não está na sua coutada de votantes, como eu.

    Se o homem pudesse, esticaria a dívida tanto quanto o Sócrates. Mas a realidade revela-se no fim do dinheiro dos outros. Já começou a esgravatar internamente — tem comprado bolachas ou gasolina? Como não se pode tudo, cativa-se o que pode ser cativo. Como corolário, aba por se destruir os serviços públicos, expressão que foi aplicada por anos à pessoa errada.

  34. Ork,

    Os liberais não querem que o Estado apoie empresas privadas. Na verdade, queremos um Estado tão pequeno quanto possível, e que não intervenha mais na economia do que ao se assegurar de que os contratos livremente feitos por seres humanos conscientes são cumpridos — a definição de justiça.

    Se o Estado valesse 5% do PIB em vez de 50%, deixaria de haver quem se aproveitasse do Estado para fazer leis à medida ou para fornecer quanto quer aos preços que não consegue nos privados. É que simplesmente não valeria a pena fazê-lo.

    Fiz as contas há algum tempo, e o Estado, para cumprir as cinco funções essenciais mais custeio da educação e custeio da saúde não chega a valer 15% do PIB — ou 30 mil milhões de euros. Neste momento gasta quase 80.

  35. Ork,

    «– Sim, também acho que devia haver um serviço de saúde único.
    O que já não percebo é o senhor, aparentemente a favor dos privados, já ser contra a autofinanciada e baseada em privados ADSE… É só porque favorece funcionários públicos não é ? Logo, tudo o que for mau para eles é bom para você… É só nesse pormenor que não concordo consigo.»

    Ser-se de esquerda é realmente um problema biológico: falta de coluna vertebral.

    Em casa de ferreiro, quer-se espeto de pau. E veja vem o São Costa, o que ele manda fazer não é daquilo que para si gosta.

    Já agora, o SNS público é assim tão mau que os funcionários públicos queiram ir aos privados?

  36. Caro Colaço.

    – Segundo a pordata o estado gasta cerca de 24% do Pib em despesas públicas, muitas das quais são na verdade investimentos sem os quais o país não existia.

    Ou há empresas privadas prontas a exercer serviços de polícia, tribunais, educação, defesa nacional, assistência, construir pontes autoestradas – tudo de graça ?

    – O liberalismo defende tudo e o seu contrário que no momento convenha aos interesses das grandes empresas.

    Defende um estado pequeno, mas só no sentido de deixar de apoiar todos menos os grandes empresários.

    No que toca aos grandes empresários acaba sempre por se mostrar um mãos largas.

    O desenvolvimento do capitalismo foi sempre à custa do estado.

  37. Caro Colaço.

    Mesmo quando havia pilim o PS sempre foi a favor de Bruxelas.

    Foi o partido que nos pôs na UE, ouvesse ou não houvesse dinheiro.

    Quando aos da extrema esquerda sempre foram contra.

    Pode dizer o que quiser. Isto são factos.

    Por falar em factos, os maiores dependentes do estado, os que chulam mais, são os seus amigos empresários privados liberais.

    Só o BPN dos super-laranjinhas custou-nos dez vezes mais que coisas como o subsídio social de inserção.

    Mas como é para encher gajos que já são ricos já não vos incomoda.

  38. «Só o BPN dos super-laranjinhas custou-nos dez vezes mais que coisas como o subsídio social de inserção.»

    Mas ainda menos que a Caixa Geral de Depósitos e o BES socialista. Separadamente

    Quem salvou o BPN foi o So-traste. Quem negou o salvamento do BES foi o Pedro Passos Coelho.

  39. Gabriel Orfao Goncalves

    Liberais: queremos um Estado o mais pequeno possível sem descurar certas tarefas fundamentais (ler acima).

    Ork: o que os liberais querem é encostar-se ao Estado.

    Liberais: não, nós queremos cultura de mérito, de inovação, de transparência, de fim do amiguismo e do compadrio.

    Ork: vocês são contra o Estado excepto quando vos dá dinheiro.

    Liberais: não somos contra o Estado, mas contra certa forma de funcionamento do Estado que consome demasiados recursos à economia. Entendemos que a prestação de serviços tradicionalmente feitos pelo Estado e pelo seus servidores poderia ser feita tão ou mais perfeitamente pelos privados, com o benefício do aumento da concorrência, o que traz inevitavelmente o desenvolvimento de formas de produção mais rápidas/baratas/sofisticadas, com benefício para todos.

    Ork: vocês querem é lucro, lucro, lucro.

    Liberais: como é que se trabalha sem lucro? Os funcionários públicos acaso trabalham sem lucro, que é, no caso, o seu vencimento?

    Ork: mas o liberalismo conduz à concentração de capital nas mãos dos privados, e isso é perigoso.

    Liberais: perigoso é ir buscar vários milhares de milhões aos contribuintes, injectar na CGD sem pedir licença a ninguém, e dizer: não há perigo, que isto é de todos.

    Ork: mas é diferente o dinheiro estar concentrado no Estado ou estar concentrado nos privados.

    Liberais: pois é, Ork, é diferente. Por exemplo, o seu Apple não saiu das mãos de nenhuma empresa estatal, pois não? Se não fosse o perigosíssimo Steve Jobs a concentrar capital onde é que hoje ia buscar um smartphone? Nem em terceira mão nem em mão nenhuma, porque simplesmente não existia.

    ——————-

    Ork: eu não sou contra a ADSE. A Constituição é que é contra. Um seguro de saúde, ainda que totalmente auto-financiado pelos beneficiários (só ainda não percebi por que razão, se é auto-financiado, tem a ADSE uma Direcção-Geral… com director-geral, motorista do director-geral, e mais toda a cangalha de trata-papéis que no privado eram, com sorte, metade!), é inconstitucional se for reservado a uma categoria de cidadãos. O Estado também não pode criar creches, ou escolas, ou universidades, ou hospitais só para funcionários públicos. Está no art. 13 da CRP. O regime da ADSE, ao só poder ser aplicado a servidores do Estado, é inconstitucional de caras. É-me indiferente se é um benefício para os FP ou não. Não me é indiferente se é um benefício inconstitucional. Não vale o argumento de que os patrões privados “oferecem” aos seus trabalhadores seguros de saúde. E não vale porque tais seguros de saúde não estão proibidos a ninguém. O Estado também os poderia “oferecer”. Por que não o faz? Já a ADSE está proibida a toda a gente que não é FP ou não tenha certas relações de parentesco (ainda que cumuladas com outros requisitos) com FP. Nota: fui beneficiário da ADSE. Até aos 25 anos, imagine. Porquê? Por ser filho de uma funcionária pública. Só por isso. Por isso e por mais nada. Isto viola, de caras, o art. 13 da CRP.

  40. Caro Gonçalves.

    – Eu também sou contra a ADSE.
    Entretanto nada na constituição proíbe a existência de serviços privados destinados a clientes específicos, como trabalhadores de certas empresas ou sectores – que é isso que a ADSE é.
    Por exemplo, uma cantina, seguro de saúde ou creche pode ser destinada aos trabalhadores de uma determinada empresa ou sector e não há nada que o proíba.

    – “nós queremos cultura de mérito, de inovação, de transparência, de fim do amiguismo e do compadre.”

    Isso é a vossa propaganda. Aliás até a do PCP diz o mesmo.

    Na prática, assim como o comunismo dá em ditaduras, com o capitalismo não controlado pelo estado o que acontece SEMPRE é o crony capitalismo.

    – Todos os casos de transferências de serviços para o estado revelam exatamente o contrário da vossa propaganda – os privados regra geral são PIORES a fornecer serviços públicos.

    As PPP têm sido um sorvedouro, a banca privatizada deu falências em série que vamos ter de pagar por gerações, os correios estão a rebentar, a PT rebentou.

    – Sim, a CGD é de todos, porque quando dá lucro ajuda a pagar os serviços do estado. Dos bancos privados só pagamos o prejuízo, que os lucros foram para os acionistas.

    – Está enganado, o meu Apple saiu dos impostos dos cidadãos americanos.

    Não sabe que os computadores e a internet foram e são desenvolvidos por pesquisa contratualizada e financiada pelo estado ?

    A Apple, como todas as empresas empresas aproveitam o financiamento e contratos de desenvolvimento e/ou a posterior divulgação de tecnologias do estado americano. Por vezes desenvolvidos em laboratórios do próprio estado.

    O desenvolvimento privado é principalmente a nível da comercialização.

    O que lançou essa empresa e todas as de silicon valley foram contratos para a indústria militar americana.

    – Eu não sou contra os privados nem contra o lucro. Sou contra o exagero de por um sector da sociedade com poder cada vez mais absoluto sobre o resto da sociedade.

    Quando ainda por cima esse sector faz alarde de uma ideologia baseada no egoísmo e no individualismo total, a vida em sociedade fica ameaçada.

    – A concorrência pode ser positiva mas também negativa.

    O que se vê em inúmeros casos é que a concorrência não concorre ao fornecimento de serviços de “excelência” mas a uma espécie de corrida pelo pior, a ver quem consegue fornecer o serviço mais aldrabado.

    – Para além disso, claro, gostava muito de ter tido patrões que cumprissem os contratos. Isto é, que não roubassem.

  41. Gabriel Orfao Goncalves

    Caro Francisco Miguel Colaço,

    ora essa, estou apenas a fazer “serviço público”! (risos)

    Creio que o Ork confunde liberalismo, ou neoliberalismo (coisa que ainda estou para saber o que é – para além de um rótulo com intuitos depreciativos, claro) com o capitalismos clientelista ou “crony capitalism”.

    Na sequência do que o caro Francisco Miguel Colaço já disse, a propósito do risco que é o Estado ter tanto peso na economia, pergunto-me: teria este capitalismo clientelista tão larga e nefasta expressão entre nós se o Estado não tivesse tanto controlo sobre tão grande quantia de capital? Creio sinceramente que não.

    Fica aqui um vídeo para o Ork e outros perceberem o que é o capitalismo de clientela:

  42. Gabriel Orfao Goncalves

    Estava a editar o meu post (estou um pouco cansado) e entretanto o caro Ork publicou o seu post enquanto eu ia lentamente escrevendo. Curiosamente, ia também fazer referência à ligação entre certas empresas e a indústria militar dos EUA, invocando o célebre discurso de Eisenhower em que se refere pela primeira vez (tanto quanto sei) os perigos do “military industrial complex”. Procure-se no google por >eisenhower military industrial complex quote<

    No entanto, há evidente exagero qd diz «O que lançou essa empresa e todas as de silicon valley foram contratos para a indústria militar americana.» A Microsoft tabmém está onde está por causa das forças armadas americanas? E a Airbnb? E a Uber? E a Google? Não estará a confundir com a Huawei que, essa sim, veio direitinha do poderia militar chinês? (Poderio esse que, apesar de lamentavelmente vir de um país onde não há democracia, bem pode ter o mérito de conter o louco norte-coreano, dada a proximidade historico-ideológica entre os dois países.)

  43. Caro Gonçalves.

    Informe-se melhor.

    Os contratos estatais da indústria militar estão por detrás do nascimento de toda a Silicon Valley.

    O objectivo é a superioridade militar-espacial-comercial – prosseguidas pelas políticas estatais.

    Computadores, internet, robótica, inteligência artificial etc, são desenvolvidos com esses fins..

    A maior parte da pesquisa fundamental em todos os sectores é financiada pelo estado ou desenvolvida em laboratórios estatais.

    Depois as empresas adaptam-na para fins comerciais, colocando-lhes aplicações dirigidas ao público, marcas giras e cores baris.

  44. Caro Gonçalves.

    Aliás, não precisava de mais nada do que isto – se não fosse o esforço gigantesco dos estados para impor a educação de massas gratuita e obrigatória a nível do primário e do secundário e em muitos países do universitário, as indústrias privadas não dispunham dos milhões de engenheiros, técnicos e trabalhadores especializados que permitem o seu desenvolvimento.

    Falam contra o estado, mas são os maiores beneficiários das despesas do estado – que na maior parte, como na educação, não são “despesas” são INVESTIMENTOS de que toda a sociedade beneficia.

  45. Caro Gonçalves.

    Essa vossa ás questões, fingindo que não existem é mesmo um espetáculo triste.

    Sim, para mim neoliberal é um insulto, assim como seria comunista ou fascista.

    Mas isso não quer dizer que essas coisas não existam.

    É que não fui eu nem os “comunas” que inventaram o termo neoliberal com “fins depreciativos”, mas os próprios criadores dessa corrente de pensamento, que por acaso é a vossa.

    Foram tipos como Mises, Friedman etc que inventaram e usaram esse termo.

    Depois, quando se vos acabam os argumentos dizem que não existe direita, que não existe neoliberalismo blá blá.

    A vossa ideologia é tão má que tenham de esconder a sua própria existência ?

    Tenham vergonha.

    Mas se nem sabe sabe o que você próprio é eu explico-lhe.

    O neoliberalismo foi inventado para tentar fazer renascer o liberalismo clássico, reconhecido como um falhanço pelas crises constantes do capitalismo que culminaram na de 29.

    Essencialmente os neoliberais reconheceram que o estado tem de ter um papel importante para impedir que o capitalismo se consuma si mesmo, nem que seja temporariamente, enquanto não chega a vossa sociedade ideal em que, por milagre, esses problemas desapareciam e as empresas poderiam mandar num mundo, eventualmente até sem estado.

    Essencialmente o vosso fundamentalismo é igual ao comunismo, que também é anti-estado, mas que encara o estado como uma “etapa” enquanto o “paraíso” não chega.

    É por isso que vemos um Mises a elogiar o fascismo, e um Eyeck e um Friedman entusiasmadissimos com funcionários públicos como Pinochet e Videla – que triplicaram as despesas militares.

  46. Caro Gonçalves.

    Você não compreende que esse vídeo debita propaganda tão infantil, neste caso literalmente, como a da Coreia do Norte ?

    Os defensores do capitalismo radical a queixarem-se de que têm demasiada força no governo ?

    Deve estar a brincar. Ou acredita mesmo nisso ?

    Não percebe que estão apenas a tentar remover os últimos obstáculos da democracia e da lei – para governar directamente ?

    Sim, dá uma certa despesa e trabalho ter de contratar lobistas e corromper políticos, e ás vezes a lei e a população ainda os impede de abater uma floresta ou reduzir à miséria a maior parte da população.

    Mais valia fazerem o que já fazem sem essas despesas e obstáculos não era ?

    Ainda não percebeu que os que pagam esses videos de propaganda são os mesmos que pagam aos lobistas e aos políticos de que tanto se queixam ?

    Lobistas e políticos TRABALHAM PARA OS GAJOS QUE FAZEM ESSES VÌDEOS que exprimem apenas a sua vontade de passar à etapa seguinte de domínio total.

    O crony capitalismo é o capitalismo real – estes gajos apenas querem dispensar os amiguinhos políticos que agora têm de corromper, para poderem roubar só para eles próprios.

    Não passa de um corte de despesas pelos próprios capitalistas que vivem à custa do estado.

  47. Gabriel Orfao Goncalves

    Ork escreveu:

    «Na prática, assim como o comunismo dá em ditaduras, com o capitalismo não controlado pelo estado o que acontece SEMPRE é o crony capitalismo.»

    A sério? Eu julgava que o crony capitalism era precisamente o que acontecia quando o capitalismo era controlado pelo Estado… Andei sempre trocado! lol
    Na minha perspectiva, a única coisa que o Estado tem de fazer em relação ao capitalismo (que é a liberdade de fazer negócios e de acumular riqueza) é evitar a formação de cartéis e monopólios. Creio que conhecerá os vários Antitrust Acts norte-americanos. Nós por cá temos as várias “entidades reguladoras” – com resultados espantosos, a começar pelo Banco de Portugal. Também defendo que o Estado deve fazer política fiscal anti-cíclica, no que alguns liberais podem ver um certo ataque ao capitalismo. Por exemplo, defendo que o IVA da hotelaria, neste momento de sucesso do nosso turismo, deveria aumentar para a taxa intermédia (dormidas, especificamente, que pagam 6%; já o papel higiénico paga… 23%).

    Ork escreveu.

    «Ainda não percebeu que os que pagam esses videos de propaganda são os mesmos que pagam aos lobistas e aos políticos de que tanto se queixam ?

    Lobistas e políticos TRABALHAM PARA OS GAJOS QUE FAZEM ESSES VÌDEOS que exprimem apenas a sua vontade de passar à etapa seguinte de domínio total.»

    Aparece um vídeo a criticar o crony capitalism. Reacção sua: isso é tudo uma farsa! Os que criticam estão feitos com aqueles que criticam!

    Entrámos na fase do delírio. É o que eu digo: se as pessoas escrevessem na net com o nome que consta no cartão de cidadão não escreveriam metade do que escrevem.

    —————————–

    Ork tb escreveu:

    «Os contratos estatais da indústria militar estão por detrás do nascimento de toda a Silicon Valley.

    O objectivo é a superioridade militar-espacial-comercial – prosseguidas pelas políticas estatais.

    Computadores, internet, robótica, inteligência artificial etc, são desenvolvidos com esses fins..

    A maior parte da pesquisa fundamental em todos os sectores é financiada pelo estado ou desenvolvida em laboratórios estatais.

    Depois as empresas adaptam-na para fins comerciais, colocando-lhes aplicações dirigidas ao público, marcas giras e cores baris.»

    Leio e penso: a ser isto verdade, deve ser o paraíso de um socialista moderado: o Estado lá atrás a comandar, e os privados a gerir com eficiência. Mas, acima de tudo, o Estado é que puxa os cordéis. Aliás, isto até poderia ser o retrato de uma certa China! Se alguém quiser comentar, é bem-vindo.

    É óbvio que não subscrevo, de forma alguma, a ideia de que toda a Silicon Valley nasceu graças à indústria militar. Gigantes como a Microsoft e a Apple não tiveram, na origem, nada que ver com a indústria militar. Talvez a IBM, na altura em que a Microsoft lançou o primeiro sistema operativo, já ganhasse bastante com contratos de fornecimento para as Forças Armadas.
    Mas já agora pergunto: na Rússia, na Venezuela, na Coreia do Norte, em qualquer sítio, os militares compram material informático (hard e software) e serviços informáticos a quem? Aos vendedores de castanhas? A NATO anunciou há uns meses que vai passar a dispor de uma 4ª força: militares informáticos. Suponho que do outro lado da cortina ninguém usa a informática para fazer guerra. São só os porcos capitalistas da NATO que tiveram mais esta diabólica ideia…

  48. Caro Gonçalves.

    – De facto anda bastante trocado.

    O Crony capitalismo não beneficia, mas prejudica o estado em proveito de capitalistas privados.

    Logo, como é evidente, não é o estado que está a controlar, mas os privados que são beneficiados.

    Porque quem controla, controla para seu proveito, não em proveito dos supostos inimigos.

    Isto devia ser óbvio para toda a gente, mas a propaganda liberal tipo coréia do norte desses vídeozecos consegue impingir-vos a treta incrível que os grandes capitalistas que saqueiam o estado são vítimas do estado.

    Como é que vocês conseguem engolir patranhas destas é verdadeiramente incrível.

    – Sim, sei que é a favor de leis antitrust, porque os trusts dão cabo da maior parte dos capitalistas, reduzindo-os a proletários.

    São as maravilhas do capitalismo real, que por acaso contradizem todas as bonitas doutrinas liberais…

    Mas para mim o estado existe para defender os interesses de toda a sociedade.

    Logo, deve também defender especificamente os interesses dos trabalhadores e da população em geral.

    Logo, para além de leis antitrust, deve também ter leis ambientais, laborais, de defesa do consumidor etc.

    – Os liberais que fazem esses vídeos apenas defendem a retirada do estado que os capitalistas agora têm de corromper para conseguir os seus fins.

    Os fins são os mesmos, trata-se apenas de remover um obstáculo.

    Eles querem, por exemplo, em vez de terem de corromper um governo para deitar uma área florestal protegida abaixo, que o governo deixe de proteger áreas florestais para eles as deitarem abaixo à mesma sem terem de perder dinheiro com a corrupção.

    Querem apenas aumentar o grau de controle que já teem sobre as áreas agora tuteladas pelo estado.

    Você ainda não ter percebido isto é de facto incrível.

    – Sim, é óbvio que você nunca poderá reconhecer que foi o governo americano que desenvolveu toda a indústria de computadores, internet, comunicações etc com fins de hegemonia militar e comercial.

    Quer desenvolvendo em laboratórios do estado, quer financiando ou sub-contratando empresas e universidades.

    A DARPA, NASA, são apenas alguns exemplos destas agências estatais que estão a desenvolver todas as tecnologias de ponta

    São factos conhecidos de todos e tem facilmente acesso a eles pela net.

    Mas você, como bom coreano do norte versão capitalismo selvagem vai fechar os olhos com muita força e dizer knão knão.

    É mesmo uma tristeza.

    http://www.businessinsider.com/the-us-military-is-responsible-for-almos…

    http://www.businessinsider.com/15-current-darpa-innovations-2014-7?op=1

    – “São só os porcos capitalistas da NATO que tiveram mais esta diabólica ideia…”

    Como sou a favor da NATO esta não percebi.

    Ah. Já sei.

    Como bom coreano do norte versão capitalista selvagem você entrou no modo de chamar comunista a quem que seja que descubra que o liberalismo é uma grande treta.

    Não, não foi isso que eu quiz dizer. Todos os regimes usam a guerra electrónica e por exemplo o socialismo alemão nacional-socialista foi um dos que em tempos mais a desenvolveu.

    O que eu estou a dizer é que é PURA ALDRABICE vossa que o capitalismo não precise do estado para nada.

    Vocês usam e abusam das estruturas do estado quando vos dá jeito.

    Só querem é os benefícios todos só para os grandes capitalistas.

    Isso é que é ser um porco capitalista.

    O capitalismo moderado é bem-vindo.

  49. This Chart Shows How The US Military Is Responsible For Almost All The Technology In Your iPhone

    Nearly all of the technology in many of the world’s most ubiquitous electronic devices can be traced to a single, taxpayer-funded source: the US Department of Defense.

    In an article promoted by the European Commission today, Italian economist Mariana Mazzucato wrote that sparking the world’s economies after a long recession will require greater and riskier investment from government. She used Apple’s wildly popular handheld devices as a present-day example.

    The world’s biggest company may have more cash on hand than many actual governments. But the technological breakthroughs behind its iconic iPods, iPhones, and iPads were funded almost exclusively by government agencies — and by one particular segment of one particular country’s government.

    As the chart below demonstrates, there’s little in these devices that doesn’t owe its existence to the US Department of Defense in some form or another.

    iPhone Technology Military Funding Chart PNG
    Mariana Mazzucato, The Entrepreneurial State: Debunking the Public vs. Private Sector Myths. London: Anthem.
    Later devices saw investments from the Navy for their GPS capabilities, and the Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) funded Siri. In fact, the parent company of Siri’s creator, which was acquired by Apple in 2010, still gets over half of its revenue from the Department of Defense, according to a report they published earlier this year.

    Highlighting an idea from her recent book on the relationship between the private and public sectors, Mazzucato explains that achieving missions like putting a man on the moon required “a confident ‘entrepreneurial state’ willing and able to take on the early, capital-intensive high risk areas which the private sector tends to fear.”

    The US military was often the one taking “capital-intensive risks” that resulted in Apple’s line of products. And the result is a family of devices so widely used that it’s difficult to imagine the world without them.

    Business insider

    Oct. 29, 2014, 4:02 PM

  50. O link do vídeo da história de Silicon Valey começa adiantado, é só colocá-lo no princípio.

    Coragem.
    Afinal o seu cerebro está de tal modo formatado pela propaganda neolib que não vai conseguir apreender a informação de qualquer maneira.

    Não são são meros factos e a simples realidade que o vão fazer apostasiar a sua religião político-económica.

  51. Por falar nisso.

    Para além destes bilionários investimentos estatais em programas concretos de tecnologia…

    Empresas como Apple, Microsoft etc, quando apareceram foram também directamente financiadas pela SMALL BUSINESS INNOVATION RESEARCH.

    Agência do estado que lança as start ups.

    Que os financiadores privados não estão para arriscar nessas coisas…

  52. Gabriel Orfao Goncalves

    Ork,

    V. escreveu:

    «Caro Gonçalves.
    – De facto anda bastante trocado.
    O Crony capitalismo não beneficia, mas prejudica o estado em proveito de capitalistas privados.
    Logo, como é evidente, não é o estado que está a controlar, mas os privados que são beneficiados.
    Porque quem controla, controla para seu proveito, não em proveito dos supostos inimigos.»

    Há aqui, a meu ver, um erro grave que inquina tudo isto.

    O crony capitalism prejudica o Estado. Correcto. E, já agora, prejudica muito mais do que o Estado – a menos que se entenda Estado naquela acepção errada que confunde Estado com Povo. (Sobre a distinção, veja-se o Manual de Ciência Política do Prof. Doutor Jorge Miranda. O Povo é um dos elementos de um Estado.)

    A seguir é que vem aquilo que entendo ser um erro: diz o Ork que «como é evidente, não é o estado que está a controlar, mas os privados (…) Porque quem controla, controla para seu proveito, não em proveito dos supostos inimigos»

    E o erro, se bem vejo, está nisto:

    O Estado não existe como entidade absolutamente imaterial. É certo que há algo de imaterial não só no conceito como na própria existência de um Estado. Mas esse algo não é, nem nunca poderia ser, todo o Estado: um Estado totalmente imaterial não existe. Claro que não aponto ao Ork o erro de dizer isto, mas preciso de frisar o ponto para chegar onde quero chegar.

    O Estado tem os seus agentes: executivos, legislativos, judiciais, etc.

    É através desses agentes que o Estado age. Não é pensável que um Estado aja, em concreto, sem ser através dos seus agentes: temos o polícia que autua, o juiz que condena, o deputado que aprova, o Ministro que adjudica, o Secretário de Estado que indefere, por aí fora. Mais uma vez: um Estado puramente imaterial não existe.

    Esses agentes, tendo embora o dever jurídico e moral de prosseguir o bem comum e de respeitar e fazer respeitar as leis, têm o poder fáctico de agir em sentido diverso.

    Quando os agentes do Estado se aliam aos privados para prejudicar o próprio Estado não perdem, por isso, a qualidade de agentes do Estado. Se tal qualidade perdessem, então, por exemplo, nunca um funcionário público poderia ser punido, por exemplo, pelo crime de abuso de direito, já que este crime pressupõe precisamente a qualidade de funcionário público ou equiparado.

    Os agentes do Estado, agindo nessa qualidade, e em conluio com os privados, podem lesar o Estado. E podem fazê-lo ilicitamente, nuns casos com meras consequências administrativas/laborais, noutras com consequências criminais; ou podem fazê-lo sem consequências jurídicas: haverá imoralidade, mas não ilicitude, por o Direito não disciplinar rigorosamente todo o espectro dos comportamentos humanos (como por exemplo o caso em que um Primeiro-Ministro, contra o bem comum, decide afectar dinheiro dos contribuintes para a construção de não sei quantos “estádios” de futebol).

    É na sequência de tudo isto que entendo errada a sua afirmação de que «como é evidente, não é o estado que está a controlar, mas os privados que são beneficiados.
    Porque quem controla, controla para seu proveito, não em proveito dos supostos inimigos.»

    É o Estado, é. É o Estado, através dos seus agentes, por um lado, que está a controlar; e por outro os privados. São ambas as partes a ir ao pote que é o dinheiro dos contribuintes. Uma parte não conseguiria fazer o que faz sem a outra parte. Ambos têm o controlo da realidade em que interferem. Nem poderia ser de outra maneira…

    Afirma depois que quem controla, controla para seu proveito, não em proveito dos supostos inimigos.

    Vá lá então perguntar ao Guterres quem é que controlava o dinheiro dos contribuintes quando o referido senhor decidiu afectar não sei quantos milhões à construção de 10 estádios. Era o Guterres ou tem dúvidas? E foi ou não em proveito mais dos privados que do interesse comum?

    Tenho um reparo a fazer a isto que escrevi: «A sério? Eu julgava que o crony capitalism era precisamente o que acontecia quando o capitalismo era controlado pelo Estado… Andei sempre trocado! lol»

    Corrijo: não direi que no crony capitalism o capitalismo é controlado pelo Estado; direi antes que o Estado e os seus agentes controlam demasiado capital (próprio ou alheio, naturalmente; e sendo variadíssimas as formas que esse controlo pode assumir).

  53. Caro Gonçalves.

    Os blogs hoje em dia não puxam os textos para cima quando há textos novos, preferindo este modelo de “pastilha elástica” consumista em que os textos v\ao ficando para baixo e mais ninguém os vê.

    É uma das coisas que critico no capitalismo é esta mentalidade de pastilha elástica de mastigar e deitar fora.

    Por isso, se voltar a fazer respostas em textos que estiveram vários dias sem movimento havendo post’s novos que os empurram para baixo, agradeço que me chame a atenção na “parte de cima” do blog, para não acontecer como neste caso, em que não vi a sua resposta.

    Posto isto, passo a responder.

    – Eu nunca disse que o estado é imaterial, obviamente que há sempre pessoas responsáveis pelo que o estado faz.

    O que eu digo é que essas pessoas, mesmo que sejam agentes do estado, se trabalham CONTRA os interesses do estado a favor dos privados, obviamente que estão a trabalhar para interesses privados e não para o estado, embora oficialmente possam representar o estado.

    Dando um exemplo de fora deste assunto, na IIGM, o almirante Canaris, como chefe dos serviços secretos militares do III Reich era representante dos interesses do III Reich – mas fazia espionagem para os aliados.

    Logo, obviamente, embora fosse um membro do III Reich, ele estava era a defender os interesses dos inimigos do III Reich.

    Do mesmo modo, quando temos um chefe de estado a dar cabo do estado para favorecer os privados, ele está é a trabalhar para os privados e não para o estado que chefia.

    E enquanto um Canaris não ia receber nada por isso, a maior parte dos nossos políticos são recompensados com cargos nas empresas e universidades privadas nos períodos em entre cargos políticos, sendo efectivamente empregados dos grandes empresários privados quando – não são eles mesmo empresários privados, como o Dias Loureiro ou oTrump.

    Se for a ver os políticos do arco da governação, que no governa há 40 anos, são todos donos de empresas privadas, consultores de empresas privadas ou gestores de empresas privadas.

    Precisamente por PESSOAS concretas como essas controlaram o estado, o estado está controlado pelos interesses empresariais privados.

    Quando o Guterres tentou privatizar a TAP não o fez pelos interesses do estado nem pelo socialismo, seguiu a cartilha neoliberal de tentar privatizar tudo, custe o que custar – para beneficiar os interesses privados.

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