Levar e calar

Não havia sapos à porta do São João, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) Também não aprecio discriminações e, por princípio, não vejo grande utilidade em mencionar a “raça” dos causadores de uma baderna. A questão é que, excepto se se aceitar um conceito discutível, não interessa definir os ciganos enquanto “raça”, e sim enquanto cultura. Uma cultura coesa e ancestral, com valores tradicionais e uma série de comportamentos relativamente padronizados e reconhecíveis. Um comportamento típico, que 99% dos profissionais de saúde poderão certificar, consiste em invadir hospitais ao berro e abandoná-los ao pontapé.

Os ciganos possuem inúmeros comportamentos típicos, muitos deles com o curioso recurso ao berro e ao pontapé. Tudo decorre da peculiar maneira com que essa comunidade olha o mundo “exterior”: um território de privilégios infinitos e zero deveres. Em teoria, eu deveria achar certa graça à fúria com que os ciganos investem contra o Estado (por razões que não vêm ao caso, apetecia-me invadir a Direcção Geral de Energia com uma bazuca). Na prática, a graça perde-se no zelo com que reclamam os respectivos benefícios. Outras características fascinantes passam pela amabilidade que dispensam às mulheres, o empenho que devotam à educação e, descontados os carros, os televisores e demais pechisbeques, a abertura a qualquer avanço civilizacional posterior ao século VII.  (…)

Admita-se que a culpa é um bocadinho nossa (embora não seja minha). Permitir, sob determinados e absurdos critérios, que um conjunto de cidadãos saltite por aí à revelia da lei e dos hábitos não é exibir tolerância: é conceder impunidade. E – estrebuche-se à vontade – notar este desagradável facto não é “racismo”, “xenofobia”, “preconceito” ou “discriminação”. Discriminação é tratar alguém de modo diferente. E, através do cínico “respeito” pela “diferença”, condenar milhares de criaturas a uma existência quase primitiva, além de condenar as suas vítimas a tratamento médico. (…)

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17 thoughts on “Levar e calar

  1. Neste assunto tenho de reconhecer que a vossa extrema direita neoliberal é a única que está a ter coragem de abordar o problema.

    É aliás uma das razões pelas qual não sou de esquerda.

    A esquerda rege-se por um dogma em que quando mais escura for a pele mais vitima se é.

    Assim se alguém de pele escura for um capitalista explorador, um mafioso ou membro de um gang que espalha o terror e a vitima for um branco, a esquerda inverte a situação e considera-o vitima à mesma.

    O comportamento da comunidade cigana ultrapassa todos os limites do aceitável.

  2. Euro2cent

    > “a vossa extrema direita neoliberal”

    > Este lerolero é hilariante.

    Se eu disser que o Calígula é que tinha razão, como é?

  3. André Miguel

    “vossa extrema direita neoliberal”

    Eheheheh

    Muito bom.

    O ork como humorista é impagável.
    Continue.

  4. Perdão camaradas neolibs.

    Tinha-me esquecido que vocês são de “centro moderado”.

    Viu-se no apoio ao fascismo e a Pinochet dos criadores do neoliberalismo e nos projectos grandiosos dos libertários de construir uma utopia que é uma verdadeira ditadura de sovietes empresariais, destruindo o estado e entregando o poder aos “proprietários”, isto é, aos detentores de capital.

    Praticamente vocês são leninistas do capital, só trocam nas vossas utopias a palavra “proletariado” por “proprietários”.

  5. André Miguel

    Centro moderado?

    Ora deixa cá ver: branco, católico, hetero e capitalista?

    Eu sou mesmo ultra hiper mega direita liberal fassista e essas cenas todas!

  6. Caro Miguel.

    Ah, já percebi.

    Está a fazer-se de vitima, fingindo que eu o estou a perseguir por você ser essas coisas todas, dando a entender que eu serei um perigoso extremista de esquerda.

    Isto no mesmo post em que denuncio a extrema esquerda !!!!

    Não tinha nada um poucochinho mais inteligente para escrever ?

    O facto do fanatismo não vos deixar pensar no que estão a dizer é a melhor prova de que são mesmo fanáticos extremistas.

    Para vocês, quem não for da vossa seita é comunista.

    Há melhor prova de fanatismo obtuso ?

  7. André Miguel

    Fazer-me de vítima?!
    V. Exa. é presunçoso (para não chamar outra coisa que está relacionada com baixo QI).

    Nada disso, tenho muito orgulho naquilo que sou.
    A vitimização deixo-a para os acólitos da sua ideologia, que adoram os “coitadinhos” deste mundo…

  8. Orc,

    O principal método do diabo é convencer que o diabo não existe.

    Nunca vi ninguém dizer que pertence à extrema-esquerda. No seu caso, acho engraçado que repudie a esquerda — e repare que já percebi que o Orc nunca pertenceria à extrema-esquerda, a não ser que seja o diabo a afirmar que o diabo não existe.

    Mas pela linguagem primária e cheia de maniqueísmos que ostenta, acho que o Orc prova a existência do diabo muito melhor do que aquele que diz que o diabo, no fim de tudo,não existe.

  9. André Miguel,

    Eu não tenho orgulho especial de ser branco. Não foi minha escolha. Foi uma confluência de genes de pessoas caucasianas, e eu ainda não estava lá para escolher. Nada fiz de que me possa orgulhar para ser branco.

    Posso no entanto ter orgulho de ser cristão, casado e heterossexual. Essas foram e (até ao momento) vão sendo escolhas minhas. Posso ter orgulho em ser conservador, outra escolha minha. Posso ter orgulho nos resultados do meu trabalho, dos meus resultados académicos ou do modo como me expresso. São neste caso fruto de persistência, trabalho, estudo e perseverança.

    Eu conheço negros inteligentes, cristãos, casados, heterossexuais, conservadores, perseverantes, diligentes, virtuosos e literados. Todo excepto serem negros é coisa de que se podem orgulhar.

  10. A. R

    Toda a gente sabe que os ciganos são o que são: André Ventura ousou dizer a verdade. Ali na Estação em Coimbra uns ciganos partiram um braço a um esquerdista e ele percebeu a lição.

  11. Alberto (e demais insurgentes) mais uma vez apresentam o discurso do costume, sempre sem racismos mas com a constante insinuação duma generalização subjacente… enfim o costume. O que também é costume é a falta de soluções, parece que estão à espera que alguém ponha as mãos na massa por eles…

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