#MeToo e os limites para o cinismo

Hoje no i.

#MeToo e os limites para o cinismo

Samantha Geimer tinha 13 anos quando foi violada por Roman Polanski. Foi em 1977. Quarenta anos antes do movimento #MeToo, que nas redes sociais tem revelado casos de abusos sexuais em que as vítimas são mulheres. Ora, Samantha Geimer surpreendeu tudo e todos quando, na quinta-feira passada, explicou ao “Le Monde” porque defendeu a carta aberta de Catherine Deneuve, publicada naquele mesmo jornal, às mulheres (e homens) vítimas de abusos por parte de homens.

Nessa carta, Deneuve criticava a caça às bruxas em que se tornou o movimento #MeToo, com acusações muitas vezes sem provas, e no qual se equiparam casos de violação a meros flirts ou outros comportamentos que não tornam necessariamente uma mulher (ou um homem) uma vítima pois, nas situações referidas pelas pretensas vítimas, houve a possibilidade de dizer não.

Samantha Geimer alerta ainda que o #MeToo está a tornar as mulheres vítimas e não pessoas fortes, capazes de se defenderem, que é a única forma de conseguirem viver em igualdade com os homens. O que Geimer também diz é que, ao equiparar a gravidade de diferentes tipos de abusos sexuais, muitas das acusações do #MeToo são ofensivas para as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais. Na verdade, uma mulher que foi violada não se encontra na mesma situação da que ouviu um piropo ou da que, por livre vontade, se sujeitou a algo para conseguir um papel num filme ou subir na carreira.

Até porque se houve (e há) mulheres que se sujeitaram a tal por falta de alternativa, também houve (e há) quem utilizasse tal estratagema para vingar na profissão. Não cabe aqui fazer juízos de valor – as situações são todas diferentes -, mas é legítimo que se pergunte quantas pessoas (mulheres, mas também homens) para quem uma noite com alguém não foi inoportuna e hoje estão na primeira fila das vítimas? Como não se sentirão as mulheres que sofreram verdadeiros abusos sexuais vendo o seu sofrimento ser equiparado com comportamentos que as ferem na sua dignidade não só de mulheres, mas de pessoas?

Porque o que está em causa no #MeToo é, além da meritória oportunidade de se pôr um ponto final na forma abusiva como alguns homens tratam as mulheres, não só uma caça às bruxas, um apelo ao conservadorismo mais sombrio, mas também uma falta de respeito pelas mulheres que sofreram nas mãos de homens. Umas sofreram; outras, em seu nome, ficam com os louros fazendo-se de vítimas. O que Deneuve e Geimer nos vêm dizer é que há limites para o cinismo.

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18 thoughts on “#MeToo e os limites para o cinismo

  1. mg

    Ainda não percebi em que é meter a mão no rabo de uma gaja, ou mesmo a piroca na passarita, sem o seu consentimento, é juridicamente mais grave que um gajo ser esmurrado na cara, ou levar uma joelhada nos tomates, sem o mesmo “consentimento” por uma gaja. É porque aposto que levar uma joelhada nos tomates é bem mais doloroso e traumatizante, que uma mão nas mamas ou uma piroca estranha entrar sem consentimento da passarita. Isto tento em conta que a grande maioria da supostas “violações”, ocorrem digamos por mal entendidos em encontros(dates) e relações entre conhecidos e alcool a mistura, e não por extrema violência física, como falsamente nos querem fazer querer.

  2. Pingback: Lido noutro lado 2 | Exílio de Andarilho

  3. Caro MG.

    Também acredito que grande parte das violações são fictícias, inventadas pelas gajas por razões de histeria, frustração, vinganças pessoais, extorsão etc.

    Quanto ás verdadeiras violações serem consideradas juridicamente mais graves que um murro, tal deve-se à mesma razão pela qual você preferia levar um murro a “uma piroca estranha entrar sem consentimento” no seu traseiro. Ainda por cima eventualmente à bruta.

    Claro que isto sou eu a pensar que você preferia o murro…

  4. ninguém vai ganhar a guerra dos sexos, existe demasiada confraternização com o inimigo

    um não-assunto, daqui a uns 10 anos ainda nos vamos rir de ter andado a perder tanto tempo com estas coisas

  5. Mario Figueiredo

    Tem mesmo que ser só daqui a 10 anos. Porque agora não estou a achar piada nenhuma a isto. Já não posso ler #metoo, que começo logo a ganhar sarna. E pior ainda quando é nos media nacionais, que estão a ignorar POR COMPLETO o grande número de criticas que está a ser dirigido ao #metoo, incluindo agora da filha do Woody Allen.

  6. Caro MG, “uma piroca estranha entrar sem consentimento da passarita” é bastante grave para as mulheres porque, de um ponto de visto evolutivo geral, a mulher selecciona o parceiro capaz de a suportar a si e ao possível rebento que vem de tal acto, é um medo primordial das mulheres (centenas de milhares de anos de evolução) ficarem 9 meses grávidas e depois com um filho nos braços e sem um parceiro (homem) que os suporte – equivalia a uma sentença de morte, e por isto têm razão quanto à gravidade de serem violadas – escrevo sobre violação a sério claro.

  7. Caro Mário Figueiredo, não sei, não tenho redes socias e não vejo televisão – o sítio onde vejo mais #metoo até é no insurgente 😉

  8. mg

    “Caro MG, “uma piroca estranha entrar sem consentimento da passarita” é bastante grave para as mulheres”. Elas é que não sabem o que é levar com um joelhada nos tomates… Mas e se for com preservativo ?
    Eu sei o contexto evolutivo e histórico. Não podem é exigir a quebra dos valores e tradições que não lhes convêm e depois querer usufruir do mesmo contexto, quando lhes é conveniente. Praticam abortos como método contraceptivo, mas depois ai ai que fui “violada”( aka: estou arrependida porque bebi demasiado e fui para cama com um grunho qualquer) e posso engravidar . Estão é mal habituadas numa sociedade de eunucos pategos que as coloca num pedestal e não lhes exige responsabilidade nenhuma. Pré-requisito da decadência de qualquer civilização. É por isso que vamos na direcção que vamos.
    Caro camarada ragnaroc , “Quanto às verdadeiras violações serem consideradas juridicamente mais graves que um murro”, é comparação desadequada. Compare antes uma violação “grave” seja na passarita ou assim no seu “rabo à bruta”, ou com um espancamento, assim daqueles que o outro coitado levou dos dois ciganos. Não é por acaso que nas violações graves muitas vezes o estupro acontece por ameaça física. Ou seja as gajas preferem submeterem-se e levar com a piroca estranha do que a ser espancadas. O que quer dizer que na sua cabeça a primeira é menos grave e menos danificadora que a segunda. De tal forma que até faz parte do imaginário de muito mulherio. Ora, o mesmo não se pode dizer de um gajo hetero.
    Mas para concluir, eu diria ao camarada ragnaroc, no dia em que uma piroca estranha lhe estiver a assaltar o rabo à bruta, ao menos “take it like a champion”.

  9. Caro MG, espero que não esteja a tentar comparar uma mulher ser violada (e refiro-me a violação strictu senso, não a “bebi uns copos a mais e fui para a cama com o tipo errado”) com um gajo levar uma joelhada nos tomates, tem irmãs? tem filhas? tem mãe?

  10. mg

    Diga-me caro marialva porque razão uma mulher perante a ameaça fisica de espancamento “consente” ser violada ? Não será porque considera que a ultima forma é pior que a primeira ? Existe alguma circunstancia em que o marialva considere uma joelhada pior que uma violação ou não ? Numa situação põe em causa o risco de lesão de um orgão humano no outro não, apenas a vontade violada. Não têm homens o mesmo direito à integridade reprodutora que as mulheres ? Porque é que uma tem de ter mais gravidade que outra. Devolvo-lhe a questão você tem irmãos, filhos , Pai ? Procure lá na legislação portuguesa e não só, pela proibição da mutilação genital masculina para ver se encontra alguma coisa. O problema do ocidente como lhe disse e como você acaba por demonstrar é o desprezo pelo sofrimento masculino, e colocação no pedestal do capricho feminino. A partir daí é a decadência da sociedade por ai abaixo. Essa é a razão pela qual já vamos no #metoo . Porque ninguém quer saber se a vidas dos homens nem a sua reputação é destruida, o que importa é agradar aos caprichos aflitivos das senhoras.

  11. Caro MG.

    A cedência face à violência pode ocorrer por instinto de conservação no imediato.

    Porque nesses casos a violência pode ir até à morte.

    Mas como é óbvio, no longo prazo, as consequências psicológicas de uma violação são muito mais graves dos que as de uma tareia.

    Eu já dei e levei muitos murros na cabeça e embora nunca tenha experimentado a outra situação, francamente prefiro de longe os murros do que a ideia de ser violado.

    A não ser que no seu caso seja uma fantasia sexual há muito desejada.

  12. Porque caso ainda não tenha percebido, é um homem, e faz parte de ser homem levar (e dar) uns murros – mas isto é entre nós homens – damos e levamos uns murros – e ainda cá estamos, não compare isto a uma mulher ser violada por um homem por favor.

  13. E sinceramente, o problema do MG nesta questão é que se está a rebaixar ao nível de vítima feminino e a adoptar a mesma filosofia de coitadinho, pois bem, descarte essas coisas, é um homem – leva pancada sim, porque aguenta e ainda pode dar mais de volta.

  14. Resumindo caro MG, durante séculos e até milénios, os seus e os meus antepassados esvaíram-se em sangue em campos de batalha aos milhões… para agora chegar-mos ao século 21 depois de Cristo e o MG estar-se a comparar e a querer ser uma mulher ou coisa assim? Vá, ganhe alguma espinha.

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