“Há algo de suicida nesse triste espectáculo”

Globos de Ouro, elites de palha. Por António Pedro Barreiro.

Há algo de suicida nesse triste espectáculo em que os agentes culturais se voltam contra a liberdade de expressão. Sobretudo, quando o fazem com gosto. Porém, é ainda mais macabro que a elite cultural se disponha a atacar as estruturas tradicionais da nossa civilização, vendo-as como arranjos opressivos e desiguais. Tragicamente, não estão sozinhos nesta sanha.

Os novos feminismos entretêm-se a denunciar a masculinidade tóxica e os privilégios estruturais que a sociedade patriarcal concede aos homens. Em Los Angeles, marcham pelo direito à nudez e, em Londres, aplaudem a proibição da nudez na publicidade. Em Portugal, pedem que se diga “todos e todas” e, no Reino Unido, querem pronomes neutros em relação ao género. Também os novos movimentos contra o racismo e a homofobia deixaram de celebrar o sucesso e a superação individual e cultivam agora a força das quotas e da identificação com o grupo. Nos campus universitários, empenham-se em proibir o discurso livre e em policiar as micro-agressões de que se dizem vítimas.

É perigosa a insistência neste novo individualismo, que atomiza as pessoas para depois as rotular de acordo com as suas características físicas dominantes, integrando-as numa narrativa vitimizadora e voltando-as contra a sociedade. Não se trata apenas do discurso excêntrico de um punhado de famosos em festa. É o vocabulário novo de uma guerra cultural que nos ameaça a todos. E, se queremos responder-lhe, precisamos mais do que nunca de um discurso conservador – embora não necessariamente moralista –, capaz de ir além da obsessão sensaborona com o défice e a economia e de formular um projecto cultural livre, fundado nos princípios civilizacionais do Ocidente.

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10 thoughts on ““Há algo de suicida nesse triste espectáculo”

  1. mg

    “Porém, é ainda mais macabro que a elite cultural se disponha a atacar as estruturas tradicionais da nossa civilização, vendo-as como arranjos opressivos e desiguais.”

    Como assim a ((elite cultural)) ?
    Miseistas continuam a dormir desde a república de Weimar. E ainda continuam tontos a pensar que o abismo Alemão se deveu à hiper inflação. Têm Nietzsche e Dostoievsky nas prateleiras das suas biblioteca mas está lá só para efeitos estéticos de estatuto intelectual…

  2. Mario Figueiredo

    O debate tem sido mais cerrado nos EUA, onde a palhaçada e os gritos histéricos nos globos de ouro estão muito longer de ter formado qual

  3. Mario Figueiredo

    … qualquer tipo de consenso. Muito ao contrário do que os media portugueses (como sempre mal e porcamente informados) querem fazer crer.

  4. André Miguel

    Mario, bem lembrado. Na República Socialista Portuguesa só passa aquilo que o lápis vermelho autoriza.

  5. lucklucky

    “Muito ao contrário do que os media portugueses (como sempre mal e porcamente informados) querem fazer crer.”

    A função principal dos media portugueses é censurar o que não for conveniente para a narrativa do regime socialista.

  6. Euro2cent

    “Tudo o que é sagrado será profanado”, como disse o profeta.

    (E ele estava a falar da burguesia. Século XIX, v3.0)

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