Viver sem dívida: um salto civilizacional

Já me disseram que sou um chato por estar sempre a falar da dívida pública. A tertúlia no Grémio Literário com Maria de Fátima Bonifácio e Rui Ramos é sobre isso (falarei sobre isso noutra oportunidade, mas podem já tomar nota: 26 de Janeiro, às 19.30). Faço-o porque este é o assunto mais premente dos nossos dias.

Se uma pessoa tem dívidas e morre, os seus herdeiros (filhos, netos incluídos) podem renunciar à herança. Até podia estar em causa um grande património, mas se a dívida for colossal e anular esse património têm sempre escapatória.

Com o Estado isso não sucede. Se o Estado (nós) vive com dívidas, os nossos filhos e netos não podem renunciar a ela, não podem renunciar à sua herança. Ficam de mãos e pés atados. Viver com dívida é uma ofensa e meter na cabeça que o Estado não se pode endividar como se não houvesse amanhã é um salto civilizacional que o país, no seu todo, tem de dar. Se não o fizer, a única forma dos nossos filhos e netos terão de escapar ao que lhes deixamos é ir embora. Isso será injusto para eles e significará o fim do país.

Se quiserem podemos pôr o assunto nos termos das questões ambientais.

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9 thoughts on “Viver sem dívida: um salto civilizacional

  1. Uma nota quanto ao simplismo: gerir o Estado não é como gerir uma família. Nem como gerir uma empresa, já agora. Não vou perder tempo a elaborar – já houve quem o fizesse abundantemente.

  2. Ainda não percebi este armar em bons do liberais com a dívida.

    A dívida está na essência do capitalismo.

    A maior parte dos maiores países capitalistas têm ou tiveram tiveram dívidas enormes.

    Os EUA, o Japão e o Reino unido têm dívidas enormes.

    A própria revolução industrial começou no RU através de um enorme endividamento do estado.e do rentismo da dívida subseqüente que sustentou gerações de capitalistas.

  3. Euro2cent

    > os nossos filhos e netos não podem renunciar a ela, não podem renunciar à sua herança

    Podem sim.

    Chama-se emigração.

    Depois o governo elege outro povo, como sugeriu o poeta.

  4. Ainda não percebi os dedinhos para baixo em posts em que apenas exponho factos.

    Por exemplo neste;

    – As dívidas dos EUA, RU e Japão não são enormes ?

    – A dívida no tempo da revolução industrial no RU não era enorme ?

    – A rentabilização do capital através de empréstimos (criação de dívida) não é a base do capitalismo ?

    É por porem dedinhos para baixo que o mundo real vai desaparecer ?

  5. ameliapoulain

    Antes do Capitalismo já existiam empréstimos e dividas… et por cause…
    Períodos de crescimento e de recessão sempre foram uma constante ao longo da História. E quando as crises surgem… já se sabe, ele há guerras, revoluções, convulsões, etc.. etc.. Isto porque quando o dinheiro, capital ou outro género de troca escasseia, há sempre quem fique inquieto e preocupado…
    Nada de novo debaixo do Sol….

  6. Eu não disse isso liberalzeco aldrabão.

    Mas obrigado pela demonstração – o recorrerem constantemente a aldrabices é um bom indicativo do que é a doutrina liberal.

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