RAP dissidente

A entrevista que tanta celeuma tem levantado entre senhoras com panache de porteiros, e senhores que mendigam entrada no seu clube exclusivo – Ricardo Araújo Pereira: ‘Deixar um idiota falar é quase sempre menos nocivo do que calá-lo’:

Periodicamente, há umas porteiras, proprietárias da esquerda, do feminismo e da luta contra o racismo e a homofobia, que decidem que não fizemos o consumo mínimo obrigatório e resolvem pôr-nos na rua. Não é grave: aquilo a que chama a “quota Câncio”, a esquerda da “Égalité, Fraternité, Cala-té”, tem todo o direito de me mandar para onde quiser, incluindo para a direita. Na categoria de gente autoritária que tem problemas com o que eu digo, o PNR mandou-me para sítios piores.

Para mim, então, o politicamente correto é uma estratégia de controlo da linguagem – e, por isso, de controlo do pensamento – que não tolera a dissensão e que assenta no princípio de que certas pessoas ou grupos são demasiado frágeis para serem confrontados com determinadas palavras ou ideias. Esse princípio parece-me ser infantilizador das pessoas que se propõe proteger e, por isso, contraproducente. Eu convivo mal com a ideia de proibir discursos de que a gente não gosta.

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5 thoughts on “RAP dissidente

  1. A diferença entre um anarca sem contrato e o RAP, é que o primeiro fala à hora que quer e grátis para o ouvinte, e este só fala em palanques, a horas certas e pago pelas conversas. No final bate tudo certo e daqui a 100 anos valem todos o mesmo.

  2. Aónio Lourenço

    Tenho sempre “medo” deste anarquismo ideológico. O nazismo também começou apenas com ideias, e chegou a um ponto em que já não serviram apenas outras ideias para combatê-lo.

    Faço a pergunta, por exemplo: deveremos tolerar no espaço público, expressões como “morte aos pretos”?

  3. «Faço a pergunta, por exemplo: deveremos tolerar no espaço público, expressões como “morte aos pretos”?»

    Sim. As pessoas devem ser livres de dizer o que quiserem. Desde que não matem pretos ou brancos ou azuis ou amarelos. Desde que não mintam nem enxovalhem a imagem alheia — de um indivíduo determinado.

    Pelo meu lado, eu tenho o que diz «morte aos pretos» classificado no mesmo agregado onde classifico os que dizem «morte aos capitalistas» — mais ou menos também onde tenho o Costa, mas ainda mais por baixo.

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