O caso Raríssimas e o Estado

Raríssimas: o Estado é parte do problema. Por Rui Ramos.

Mais do que por uma “vida de luxo”, a direcção da Raríssimas foi atraída por uma “vida de Estado”. Libertar a sociedade deste Estado gordo e promíscuo seria um meio de a libertar das piores tentações.

Anúncios

5 thoughts on “O caso Raríssimas e o Estado

  1. Repescado de Julho 2011
    O Est(r)ado da Nação
    -Sociedade Portuguesa hoje» Analfabetismo funcional; in(cultura)/ignorância; apatia cívica/irresponsabilidade; ilusão/aparato/ostentação; irracionalidade/inversão de valores; indigência mental/anestesia colectiva; ensino postiço e inconsequente; autoridade tolhida e envergonhada; justiça sinuosa e selectiva; responsabilidades diluídas e baralhadas; mediocridades perfiladas e promovidas; capacidades trituradas e proscritas; sofisma institucionalizado.
    -Quês e porquês» Maleita atávica e condicionamento manipulado pelos poderes instalados; negligência paralisante no dever de participação; vício embriagante na desculpa cómoda do dedo acusador sempre em riste. Culpar D. Sebastião, o padeiro da esquina ou dirigentes de ocasião é nossa mestria e sina nossa. Culpados somos todos nós, acomodados na obsessão estéril de celestiais direitos. Também é com a nossa apatia pelos valores de intervenção e cidadania, que somos conduzidos repetidamente para o conhecido pantanal. Os nossos governantes são o reflexo e extensão da gente que somos, mas valha a verdade em escala cujo grau de refinamento, incapacidade e subversão de interesses colectivos ultrapassa os limites da decência. Que o actual 1º ministro em vez de esbracejar governe e em vez de iludir assente, invertendo essa carga em desequilíbrio e remetendo para as calendas a política de feirola de contrafeitos.
    -Receituário extraviado» Cabe cultivar que ao cidadão comum não deve competir apenas votar ciclicamente em deputados acorrentados pela disciplina partidária. Na sociedade como nos bancos da escola, acautelar conceitos/aulas de civismo e cidadania, o que é liberdade, democracia, educação e compostura. A televisão pública como veículo que molda, não pode servir só para futebol, novelas e propaganda oficial. Não basta compor a rama, é preciso cavar a terra e aconchegar os tomates. Por hora o circo ameaça continuar, mas que o tempo (grande mestre) se encarregue de nos despertar enquanto é tempo. A nós, suporte colectivo de tragédias e façanhas, competirá sobretudo intervir responsável e interessadamente no que a todos diz respeito, não concedendo carta branca ao desbarato para o traçado do caminho, ao círculo restrito de políticos abengalados.

  2. Na Raríssimas desviava-se dinheiro para crianças carenciadas para os bolsos de socialistas carenciados. A Humana escolhia as roupas em bom estado e fazia negociatas para serem vendidas nas feiras. Na Cáritas a solidariedade começa em casa, segundo se disse. Os donativos para Pedrógão Grande evaporaram-se.
    O resultado disto já está à vista, associações queixam-se que as pessoas já não dão o que davam, e as pessoas dizem que não dão mais porque o dinheiro não chega a quem precisa. O presidente da junta todos os Natais faz um peditório em géneros, para as pessoas carenciadas da freguesia terem um Natal um pouco melhor. Hoje encontrei-o preocupado – até agora só receberam duas garrafas de óleo e um quilo de arroz, e falta uma semana para o Natal.
    O resultado pode muito bem ser que muitas destas associações tenham de fechar portas. Ou, o Estado toma conta delas, multiplicando as futuras Raríssimas por mil. E talvez seja essa a idéia. Quantas Rosas Zorrinho há por aí a comprar cadeiras de plástico por milhares de euros? Deixaremos de saber.

    Gostei dum artigo em que se faz notar que em casa dos Zorrinhos, Césares, e Silvas, e familiares, as fartas mesas de Natal, e as pilhas de presentes, são INTEGRALMENTE pagas com o dinheiro dos contribuintes. Somos muito generosos pá.

  3. Luís Lavoura

    Não é uma “vida de Estado” – em qualquer empresa privada cujo negócio corra bem os dirigentes portam-se da mesmíssima maneira.

  4. É que é mesmo um problema de Estado. Não é de uns quantos, juízes em causa própria que têm o poder de alterar o status quo, que vivem da mama do Estado.

    “Cerca de metade dos deputados do CDS estão ligados a este tipo de organizações, por exemplo. Já no PSD, 37% têm assento nos órgãos sociais de IPSS, clubes ou outras organizações sem fins lucrativos. No PS, não chegam a 40 os parlamentares com estes cargos (cerca de 28% do total). Os números baixam ainda mais no Bloco de Esquerda, onde não chegam a 30 os deputados envolvidos nestas instituições. Já no PCP, são apenas 18% os parlamentares com participação nos órgãos sociais de IPSS.”

    http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/32-dos-deputados-tem-cargos-em-ipss

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.