O PSD que não se iluda com o PS

O PSD acha que, com Santana Lopes ou com Rui Rio, pode trazer o PS para centro, mas está enganado. A minha crónica no Jornal Económico.

O PSD que não se iluda com o PS

É provável que a nova liderança do PSD tente alterar os equilíbrios até aqui existentes. Rio quer um PSD mais ao centro, e Santana Lopes, apesar de se dizer de direita, quer colaborar com os socialistas. A intenção é pressionar o PS, forçando-o a quebrar com o PCP e o BE. Com um PS desgastado, o PSD teria espaço para se apresentar como uma alternativa de governo.

Sucede que todas as estratégias têm um senão e nesta, o pormenor que pode estragar as contas é a realidade. Do país, da Europa e do mundo. Quando ouço, por exemplo, Santana Lopes sinto-me nos anos 80. Não é apenas a constante referência ao PPD/PSD, mas o achar que o PS regressa ao centro político como se este PS fosse o mesmo que em 1983-85 governou com o PSD. Ora, o PS de Costa não é o PS de Soares. E não é porque nem Portugal, nem a Europa, nem o mundo de hoje são os mesmos.

Portugal não é mesmo porque o montante da dívida, pública e privada, não o permite. A Europa não é a mesma porque a URSS já não existe, a UE alargou-se para leste, e encontra-se hoje num nível em que a sua falta de flexibilidade pressupõe que Portugal estivesse melhor preparado para a moeda única, que criou imensas oportunidades que os nossos governos destruíram. O mundo está diferente, com os EUA afastados da UE e mais preocupados com a China.

O que os candidatos à liderança do PSD parece ainda não terem percebido é que o PS também mudou. E muito. Este PS não se aproximou do PCP e do BE por questões meramente estratégicas; a aliança entre os três partidos de esquerda é mais ideológica que oportunista. Resulta da defesa dos mesmos interesses perante um Portugal, uma UE e um mundo muito diferentes. Perante as mudanças ocorridas, o PS, que viu o que sucedeu aos partidos socialistas europeus, percebeu que para sobreviver tem de se radicalizar na defesa de um sistema democrático eleitoralmente estatizado.

O país desenvolveu-se com um Estado que dá emprego, apoia empresas de empresários amigos e politicamente próximos. Como nem todos se chamam Belmiro de Azevedo, muitos se vendem por um baixo preço. Ou alto, como aconteceu com Ricardo Salgado. Este PS sabe que não pode trair o seu eleitorado que vive por conta deste sistema. Se o fizer, desaparece. Assim, percebem-se melhor os últimos orçamentos, com impostos altos, cativações, mas ordenados e pensões por inteiro. E agora, até com algum investimento público devidamente escolhido, devidamente direccionado.

Se o PS vier para o centro, acaba. Foi ao percebê-lo que Costa engendrou a coligação social-comunista que sustenta o seu governo. O PSD deve perceber que o estado da economia portuguesa destruiu a esquerda moderada e pouco mais há a fazer.

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9 thoughts on “O PSD que não se iluda com o PS

  1. JP-A

    O pior que o PSD pode fazer é pensar no PS, em António Costa e o no PSD, e funcionar como o Santana Lopes: eu, o partido, a minha história pessoal, os meus cargos, a jotas, o partido, eu, eu e eu. É como se Portugal estivesse a flutuar sozinho no meio do universo atarrachado à Europa e a rodar em volta do Santana Lopes e do partido (excelente opção para ser ridicularizada em 48h depois da tomada de posse, se o partido estiver doido – quase ninguém dá conta que está o país da comunicação social à espera para dar à manivela). É uma visão que de política não tem nada, a não ser que a política já não seja sobre as ideias que as pessoas têm para o seu país e para os seus, assentes na realidade e não nas conversas mansinhas que as pessoas querem ouvir, porque se for para isso então mais vale deixar estar o Costa Concordia até começarmos todos a meter água e voltar à casa zero, que é o que já está a acontecer.

    O problema do PS é oncológico terminal e é exatamente este – já só existe partido e o país é o mero palco e fornecedor dos meios que há para distribuir aos adeptos.

    Para quem não reparou, mal ajustaram as contas aos professores foram cortar à STCP com a explicação mais natural do mundo – não há dinheiro. É só juntar as peças e quando chegarem mais notícias de outros meios, como o hospitalar, ou o de Palmela que já tem um senhor da CGTP na TV a debitar procedimentos, pum!

    Até eu quero ver o Costa Concordia governar quando chegarem as ambulâncias.

    Esta gente não faz sequer ideia das coisas que estão a acontecer no mundo, nem da velocidade a que acontecem, que é o pior de tudo. Vivem com a cabeça num mundo que há 100 anos estava a começar, dentro das suas salinhas de reuniões e caves da Assembleia da República onde o tentam ressuscitar.

  2. O PSD terá de escolher entre ser uma alternativa ou um complemento. Podia, e devia, virar decisivamente à direita. Só que, para isso, teria de deixar por um tempo a mama do Estado. No norte da Europa foi uma estratégia que resultou, os partidos de direita moderada – e menos moderada – conquistaram um espaço importante. Há eleitorado para um partido de direita em Portugal, estou convicto disso. O que não há é pachorra para um PS.2, ou, no caso do CDS, um PS.3.
    Os Srs. Lopes e Rio vão ser despachados logo nas primeiras eleições.

  3. O nível de ignorância nestes comentários, faz-me perceber o porquê das pessoas preferirem teorias da conspiração a encarar os factos.
    O que é que nos disseram os resultados das eleições autárquicas? Tanto o PSD como PCP perderam câmaras. Quem as ocupou? O PS. Conclusão a governação ao centro tem resultado, com que base é que escrevo isto? Vamos tomar as medidas do governo, aceitando a premissa dos comentadores que o PS está a ceder à esquerda “radical”, ora tomando isto como verdade, as imposições de Bruxelas sobre o orçamento reequilibram a questão à direita. E como posso provar isto? Bem olhemos para as sondagens, o PS mal belisca os seus parceiros da coligação e retira uma enorme força política ao PSD ultrapassando-o nas intenções de voto. Em suma o PS está a ocupar goste-se ou não o centro do poder politico.

    Mas como as pessoas têm dificuldades em encarar isto, preferem criar um papão esquerdista, que anda a dominar o país, e que brevemente toda a malta de direita vai para um Gulag comunista.

    Não! O que se passa é que estas eleições à liderança do PSD são cruciais face à deriva do partido, pessoalmente acredito que para haver um sério ressurgimento da direita só com uma pessoa como o engenheiro Rui Rio, capaz de ocupar a direita e o centro politico.

    O problema é que tanto o aparelho partidário, como os populistas preferem demagogos… As pessoas não chegam ao poder por mérito mas por quantos cus e criancinhas beijaram (não necessariamente por esta ordem).

  4. lucklucky

    Oscar Tini

    O centro move-se. E quando se tem um Jornalismo Marxista a mover a Overton Window https://en.wikipedia.org/wiki/Overton_window esse centro move-se para a Esquerda e Extrema Esquerda.

    Como prova diga-me a ultima vez que um jornalista empregou a expressão Extrema Esquerda em horário nobre…e como nos códigos da linguagem hoje temos os Actvistas(Esquerda) e os Extremistas(Direita).

    E como o Fidel Castro foi o LÍDER Cubano e Pinochet foi o DITADOR Chileno

    Veja se percebe as diferentes qualificações empregues pelo jornalismo Marxista da SIC, TVI, RTP, Expresso, Publico etc… e as razões por que existem.

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