Costa, o poliamoroso

A eleição de Mário Centeno é a todos os títulos surpreendente, e uma boa notícia para os que, como eu, receiam de sobremaneira os danos que a Geringonça governativa pode trazer ao futuro do país. Mário Centeno, enquanto líder do Eurogrupo, será a voz e a locomotiva do Euro, sendo duplamente responsável por aquilo que forem as políticas de rigor a aplicar em Portugal face às exigências da moeda única. Merkel, Macron e Rajoy – e o próprio António Costa – subscreveram um swap para cobrir o risco-geringonça, limitando eventuais veleidades a que os dois últimos anos da legislatura poderiam convidar, por pressão do Bloco de Esquerda e do PCP.

Com esta indigitação, António Costa dá mais um sinal da sua enorme capacidade de viver em plena harmonia numa relação poliamorosa, capaz de fazer a quadratura do círculo entre os corredores austeritários do diretório europeu e a domesticada extrema-esquerda portuguesa, que mostra uma capacidade invulgar para ignorar o que for preciso desde que assegure algumas benesses para as suas corporações.

No início da Geringonça, sou sincero, receei que Portugal radicalizasse perante a chantagem da extrema-esquerda, forçando o país a rupturas complicadas com os compromissos europeus e transaccionais, como a NATO. Afinal, e apesar de não serem despiciendos os desequilíbrios provocados por algumas opções da Geringonça, exigidas pela extrema-esquerda e de alguma forma desejadas por algum PS, ainda assim, António Costa mostrou-nos que, afinal, comunistas e trotskistas não comem criancinhas ao pequeno-almoço, sendo relativamente ordeiros na hora de engavetar as suas ideologias.

Neste poliamor, a extrema-esquerda pelos vistos é apenas visita ocasional, embora alimentada a morangos e champanhe: claramente, o PS não está disposto a deixar de cuidar do equilíbrio do lar na grande casa europeia. Os moderados agradecem este seguro de vida que nos é oferecido na quadra natalícia. Ficamos a aguardar pelas reações das amorosas senhoras do Bloco, e daquele senhor amoroso que lidera o PCP.

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3 thoughts on “Costa, o poliamoroso

  1. JP-A

    Alguém me sabe indicar quais os poderes de facto do presidente do eurogrupo em relação aos outros ministros?

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