O vício corporativo e o próximo colapso

O cancro da democracia. Por João César das Neves.

A doença mortal da nossa democracia volta a manifestar-se. É a maleita que arruinou liberalismo e Primeira República, gerou as várias ditaduras que suportámos, causou a dívida que hoje nos oprime e a recessão de que ainda recuperamos. É ela que gerará o próximo colapso que, após as manifestações recentes, está cada vez mais próximo. O vírus é o corporativismo exacerbado, com grupos poderosos esquartejando o país a seu favor, exigindo condições acima das possibilidades, destruindo o desenvolvimento, justiça social e equilíbrio nacional.

Os sectores que vivem à custa dos impostos são muitos e variados: construtoras, banca, comunicações, transportes, energia e tantos outros pseudoprivados, além do aparelho público, câmaras, médicos, professores, funcionários, pensionistas, e inúmeros outros. Foram estes os grupos que mais beneficiaram com o longo endividamento de 1992 a 2008 e, quando bateu a crise, deviam ser os mais atingidos. Mas não foram. Quem vivia à sombra do poder público manteve-se incólume até 2011, conservando o posto e as receitas, enquanto empresas faliam, pobres perdiam emprego e a população reduzia o salário. Só quando a troika exigiu é que também participaram no sacrifício geral mas, mesmo então, ainda com a protecção do Tribunal Constitucional, que considerou os cortes injustos. Deste modo, elas foram as classes menos atingida pela recessão, mas, protestando como se fossem as maiores vítimas, agora exigem reposição das condições que arruinaram o país há sete anos.

Isto parece obsceno, mas a única surpresa é a recaída no vício corporativo ter demorado tanto tempo.

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7 thoughts on “O vício corporativo e o próximo colapso

  1. Luís Lavoura

    Este Neves é aquele que escreveu um livro a prever um colapso financeiro de Portugal em 2016 ou 2017.
    2017 está a acabar e os livros que ainda não tiverem sido vendidos irão parar ao caixote do lixo.
    E os que tiverem sido vendidos também, em boa parte.

  2. Euro2cent

    > maleita que arruinou liberalismo e Primeira República, gerou as várias ditaduras que suportámos

    Olha, afinal o abominável homem das neves também é um progressista fidedigno.

    Estamos afogados em progressistas. O meu chapéu por um não-progressista a escrever num jornal com mais de mil leitores …

  3. É bem verdade. O Tribunal Constitucional, que anda desaparecido para não incomodar os camaradas, inviabilizou as tímidas reformas estruturais. O endividamento do país também é inconstitucional, mas como vai caindo algum, calam e comem.
    E é verdade, os que menos sofreram com a crise são os que fazem mais barulho – ou outros têm que trabalhar para viver. Há dias uma professora indignada dizia que quem lhe paga é o Estado e não os contribuintes. Genial. E pelo discurso deve ser professora de Economia.

  4. «Há dias uma professora indignada dizia que quem lhe paga é o Estado e não os contribuintes.»

    Vamos deixar de pagar ao Estado (votando com os pés) e vejamos onde a dita professora vai buscar a sua pitança. Penso que vai tentando a carreia de humorista, mas vai acabar desgraçada antes de ter graça.

    Como o tal humorista da Tretas Sem Fim.

  5. André Miguel

    AB, tente explicar a um funcionário público que ele não paga irs, pois é recebedor de impostos. Boa sorte e divirta-se.

  6. lucklucky

    “O Tribunal Constitucional, que anda desaparecido para não incomodar os camaradas, inviabilizou as tímidas reformas estruturais. ”

    Como sempre temos a desculpas dos PSD/CDS sempre com a palavra reforma na boca nunca fazendo nenhuma a não ser inventar mais impostos e mais leis..

    Lá temos a suposta direita a esconder-se com o TC como se não fosse possível destruir o poder do socialismo no país liberalizando. Por exemplo a saúde, educação e muito mais.

    Veja-se como quando tiveram uma oportunidade a “reforma” do PSD/CDS foi manter o monopólio da ANA.

    Como sempre uma direita sem ideias, uma direita que não passa de gestora do socialismo. E dizem que gerir o socialismo são “reformas”.

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