“A adorar o ressabiamento de alguns”

Um país sem remédio, a opinião de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) A julgar pelos gastos, porém, o forte do Infarmed são as viagens. No BASE, embora misteriosamente limitadas ao período 2008-2014, existem 521 viagens dos senhores do Infarmed, sempre rumo a encontros, congressos e reuniões essenciais ao futuro da humanidade. À luz da física, é compreensível a recusa da maioria dos funcionários em se mudarem para o Porto: eles vivem em permanente mudança para Bruxelas, Estrasburgo, Londres ou Paris. Apenas não se compreende o argumento da família, que os referidos nómadas contemporâneos invocam de modo a fugir à deslocação para norte. Dada a quantidade de voos, escalas, táxis e hotéis, há ali desgraçados que não vêem os filhos desde 2009.

Contas feitas, o episódio do Infarmed serve dois propósitos, ambos redundantes. O primeiro é mostrar os abismos de descaramento, demagogia e trafulhice a que o governo é capaz de descer. O segundo é lembrar que, apesar dos esforços do Infarmed, o país não tem remédio: ignoro se por manha ou criancice, toda a gente deseja acolher o Estado no quintal a título de dádiva, na presunção de que a proximidade ao entulho oficial constitui uma esperança e uma oportunidade. No máximo, conheço uns dezassete compatriotas que, caso pudessem, enviariam a administração pública em peso para a Papuásia, de resto a atitude própria de pessoas crescidas e saudáveis. (…)

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