PCP A Defender O Grande Capital

Pergunta aos leitores: preferem receber 1.200 euros de uma só vez no final do ano; ou receber 100 euros ao longo de doze prestações mensais?

O PCP conseguiu numa única proposta propor o fim da liberdade de opção do trabalhador (“liberdade” e “esquerda” não conjugam muito bem) em receber o subsídio de férias e de Natal em duodécimos de forma mensal; e ao mesmo tempo oferecer aos empresários e ao grande capital uma almofada financeira que consiste na parcela de salário dos trabalhadores que fica assim disponível na conta da empresa para os fins que esta melhor determine.

Vivemos tempos estranhos – o circo parlamentar nacional parece um sketch dos Monty Python, mas parece ser esta a realidade da política portuguesa. Do bloco de esquerda e do partido socialista, já tudo se espera; mas é de lamentar que o CDS tenha votado esta proposta de forma favorável. A imagem abaixo foi retirada daqui.

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6 thoughts on “PCP A Defender O Grande Capital

  1. c3lia

    É que só com uma lei, o PCP consegue dificultar a vida das famílias (que têm de esperar + tempo para receber o mesmo dinheiro) e das empresas (que têm dois “picos” de aumento considerável de custos com salários, em vez de cutos mais estáveis ao longo do ano).
    Prejudicar ambos com uma só lei… Damn! É preciso ser-se genialmente imbecil para tamanha façanha!

  2. JMS

    Bate tudo certo. Hoje é sexta feira e é dia da eucaristia semanal da esquerda/extrema esquerda nos canais de informação portugueses.

    Qualquer dia da semana o é mas hoje é completamente despodurado.

    Ter o PCP (não um partido político mas uma seita religiosa) na AR e, pior ainda, no suposto governo que temos, indicia o pouco saudável país que somos.

    Somos a anedota da Europa e ainda ninguém se apercebeu.

    O CDS votar pelo fim dos duodecimos não me admira nada. Optaram pelo caminho mais fácil.

    Quando as pessoas se aperceberem daquilo que realmemte ganham e, em alguns casos começarem a receber menos € 90/100 por mês vão cair, inevitavelmente, em cima do Passos, que é o verdadeiro culpado desta situação toda.

    Cansado deste país, vou continuar a jantar o leitão que tenho à minha frente e esquecer por alguns momentos que sou português… e usufruir da baixa do IVA da restauração. Apenas um dos milhares de impostos com que o santo Costa nos beneficiou.

    Pais de estúpidos.

  3. Gabriel Orfao Goncalves

    O objectivo do PCP é fazer as pessoas não referirem esses subsídios como fazendo parte da remuneração.

    “Coitadinho de mim, trabalhador por conta de outrem que ganha 600 euros por mês!”

    Eu não digo que não seja coitadinho. Gostava muito, mas muito, que os portugueses ganhassem mais (cursos técnico-profissionais, hello?; de contrário vamos ter empregados de caixa de supermercado), mas primeiro que tudo é preciso saber fazer contas:

    são 600 (ou outro valor qualquer) x 14 (excepto se uma parte for subsídio de refeição ou outro – ou seja, um tipo de subsídio que, pela sua natureza, não seja incluído no subsídio de férias / Natal, visto que vai já com a remuneração desse período, não sendo, pois, “duplicado”)

    + a parte para a SS a cargo da entidade patronal.

    Sempre que trabalhei fi-lo a recibos verdes. Era muito engraçada a conversa quando vários amigos ou conhecidos se juntavam comigo. A maior parte deles, funcionários públicos (todos eles excelentes no que fazem; mas quanto a contabilidade – e certamente não me levarão a mal se lerem isto – não sabiam nada), referiam sempre o que ganhavam por mês, já feita a retenção na fonte em sede de IRS e sem contar a parte para a SS a cargo do empregador.
    Eu, por uma questão de transparência, dizia sempre quanto ganhava em termos brutos – sem IRS, sem contribuições para a SS. Resultado: eu ganhava sempre mais do que eles (mensalmente!), mesmo quando só trabalhava… 9 meses por ano (por questões lectivas foi essa a vida que levei durante uns anos, para o bem e para o mal). Mais ninguém referia qual o rendimento anual bruto. Aliás, não o sabiam.

    Sim, isto é um país inqualificável.

    As pessoas não sabem calcular o seu próprio rendimento anual bruto. Falam de 12 meses mas recebem 14. Uma pessoa chegou um dia a dizer-me: “ora, mas quando se está a falar de ordenados (“ordenados”, palavra feiíssima) ninguém conta com isso”. Ora aí está! Eu não conto, tu fazes que contas, ele não faz contas, nós contamos mal, vós contais por baixo, eles contam não conseguir pagar a dívida. “Prontes!” – como dizem os alunos ao fim de 12 anos de “escolaridade”.

    Não sabem qual é a % média de IRS que pagam (nem sabem o que é taxa média de IRS; o que não admira, num país em que à nota do último seriado para entrar na faculdade se dá o nome de… média! Média, imagine-se!). Dizem sempre que pagam a % do último escalão correspondente aos seus rendimentos, e não a taxa média.

    E agora o melhor:

    Pensam que quando o patrão lhes paga a SS esse dinheiro vem de um qualquer misterioso fundo de maneio que o patrão, seja privado seja público, lá tem para este fim.
    Quando lhes dizemos que não, que tudo vem da conjunção capital+trabalho, aí respondem “Mas isso eu sei muito bem! Não é nenhum favor o patrão pagar-me a SS! Aquilo é tudo fruto do meu trabalho”.
    Mas logo a seguir, quando inquiridos sobre se estariam de acordo em receber precisamente esse valor que o patrão paga para a SS, sendo então eles, tabalhadores, nesse caso, a ser os únicos com o encargo de fazer todo o desconto para a SS, logo respondem “O quê? Mas nem pensar! Quem tem de me pagar uma parte substancial da SS é o meu patrão! Então eu trabalho para ele e depois eu é que tinha de pagar a minha SS toda? Já eu custo a pagar a minha parte!”
    Ainda nos atiram à cara que se eventualmente recebessem a parte que actualmente o empregador paga à SS, sendo então eles a pagar, que “a parte da SS não conta! Não a posso gastar! Tenho de entregar isso ao Estado para a minha reforma!”.
    Não se percebe como quereriam estas pessoas que fosse (previdência privada? “nem pensar”, dizem logo); e quanto ao “não conta”, menos ainda se compreende. Ah, espera, não queriam ter de descontar nada. Na velhice quem lhes pagaria a pensão de reforma seria… o Papá Estado 😀

  4. Aónio Lourenço

    Mas entre ser anti-liberal e ser anti-patronato, o PCP não hesita, prefere defender os patrões. Com referência ao pagamento em duodécimos dos subsídios de natal e de férias que acabarão no setor privado, o PCP mostrou o quão lhe repudia qualquer tipo de liberdade nas relações laborais. O seu repúdio ao liberalismo é tão vincado e marcante, que entre defender o trabalhador e defender a entidade patronal, o PCP defende o segundo. A lei anterior dava a Liberdade ao trabalhador para receber, caso este quisesse, um, e apenas um, dos subsídios distribuídos pelos outros meses, e o patrão via-se obrigado a respeitar tal decisão do trabalhador.

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