A desigualdade salarial entre homens e mulheres e entre regiões em Portugal

O sexo e as cidades: uma visão regional das disparidades salariais. Por Carlos Guimarães Pinto.

Curiosamente, a diferença salarial de uma mulher no Norte em relação a um homem com as mesmas características (9,3%) é ligeiramente inferior do que em relação a uma mulher que trabalhe na Área Metropolitana de Lisboa (9,9%). Para uma mulher a trabalhar no Norte do país, a região onde vive tem um efeito mais negativo no seu salário do que o sexo com que nasceu.

No entanto, apesar dos recentes progressos na medicina e no sistema jurídico, continua a ser mais fácil, e conveniente, mudar de região de residência do que de sexo. Por isso é natural que uma mulher do Norte que queira melhorar as suas condições financeiras acabe por se mudar para Lisboa. Lá chegada verá a diferença salarial em relação aos seus ex-colegas do sexo masculino completamente eliminada. Até ganhará ligeiramente mais em Lisboa do que os seus ex-colegas com a mesma profissão idade e habilitações literárias ganham no Norte.

Mas a satisfação por igualar o salário dos homens da sua antiga região será rapidamente ultrapassada ao verificar que a diferença salarial em relação aos seus novos conterrâneos aumentou. É verdade: como podem ver no gráfico abaixo, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é maior na Área Metropolitana de Lisboa do que em boa parte do resto do país. Só no Alentejo e no Centro é que a desigualdade é superior.

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9 thoughts on “A desigualdade salarial entre homens e mulheres e entre regiões em Portugal

  1. lucklucky

    Como se comparações salariais tivessem alguma fiabilidade e conseguissem mesmo ser medidas…

    O objetivo é simplesmente criar a politização -baseado em nada- necessária para justificar o consequente extorquir de recursos “dos outros” pela violência do Estado.

  2. Um artigo tão ridículo como o do Luís Aguiar Conraria (aliás abundatemente criticado no Observador).

    1. Há muitos e muitos anos que se sabe que o problema destes estudos é a definição de “mesma profissão”. Dois médicos só têm a “mesma profissão” se estão na mesma especialidade, no mesmo local e a exercer as mesmas funções. Quando se comparam médicos com médicas a diferença salarial é grande porque os homens concentram-se nas especialidades cirúrgicas (as mais bem pagas) enquanto as senhoras se concentram nas mais mal pagas (pediatria e médico de família).

    2. A base de dados usada pelos dois não tem a função pública o que distorce os resultados todos. A função pública tem os salários mais elevados (juizes, professores, médicos, etc.) e tem uma enorme preponderância de mulheres.

    3. Mesmo sem resolver o problema referido em 1., porque não contabilizam o dinheiro que está a ser ganho pelas mulheres (no seu conjunto) na função pública e o dinheiro ganho pelos homens no seu conjunto na fp? É que a FP come grande parte do PIB português que na sua maior parte fica para as mulheres…

    4. Há estudos que provam que as mulheres procuram segurança no emprego enquanto os homens procuram status. A segurança normalmente não tem salários altos enquanto o status tem.

    5. As mulheres estão felizes por serem professoras auxiliares; já têm segurança e não têm muito trabalho. Os homens querem status por isso não descansam enquanto não chegam a catedráticos. Por isso há mais professoras auxiliares que professores (logo a começar pelo departamento do Aguiar Conraria), mas quem progride são os homens, sendo que de norte a sul, em departamento após departamento, os catedráticos são maioritariamente homens.

    6. Há estudos muito bons sobre bases de dados muito boas, e já há muitas explicações muito boas e muito naturais para as diferenças. São ridículos estes “estudos” feitos em bases de dados incompletas e que não permitem nem sequer testar as observações feitas em outros locais.

    https://impertinencias.blogspot.pt/2017/11/mitos-266-diferencas-salariais-entre.html

  3. que aborrecido, nem estou para discutir o assunto e concedo o ponto
    sim é uma sociedade patriarcal, e ainda bem que é.
    e sim ganham menos, e depois?
    lidem com isso.

    se não gostarem façam uma revolução 😉

  4. Fico à espera do levantamento das mulheres contra os homens, estão a ver, não podem depender de nós – têm que literalmente pegar em armas e atacar-nos para conquistar os vossos “direitos”, vá, vocês conseguem.

    “No one will ever win the battle of the sexes; there’s too much fraternizing with the enemy.” – Henry Kissinger

  5. nada mais aborrecido que feminismos de século 21, já alguma das senhoras se perguntou o que aconteceria à bela sociedade onde vivem se o querido homem deixasse de a defender, eu ilustro: estão a ver todos os vossos direitos: evaporados.
    E se não têm cuidado… vejam lá… não seria a primeira nem a última vez que uma sociedade colapsa e as madames não podem sequer andar na rua.

  6. so tread carefully, a força da mulher não está em competir directamente com o homem – porque nós eventualmente podemos puxar o tapete e vocês revertem ao 0 – no sentido em que precisam mais de nós que nós de vocês – precisam de nós para terem a ordem e a vida confortável que têm na sociedade atual – fora isso o que vos espera é… bem… reverterem ao… papel que tiveram nos últimos 1000000 anos? pensem nisso.

  7. Luís Lavoura

    Como se comparações salariais tivessem alguma fiabilidade e conseguissem mesmo ser medidas…

    Quando se trata de comparar os salários dos trabalhadores públicos com os privados, as comparações passam tanto a ser possíveis como a ser imensamente relevantes politicamente.

  8. Luís Lavoura

    O Carlos Guimarães Pinto agora está na Universidade Católica de Lisboa?!
    Ele era bem mais interessante de ler quando estava nos Emiratos Árabes Unidos. Ou mesmo quando estava no Porto.

  9. lucklucky

    “Quando se trata de comparar os salários dos trabalhadores públicos com os privados, as comparações passam tanto a ser possíveis como a ser imensamente relevantes politicamente.”

    Os salários do Publico só existem por causa da política não é?

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