A greve dos professores e a “bolha”

Por que é que os professores não têm razão (ou não têm toda a razão). Por José Manuel Fernandes.

O argumento dos professores parece imbatível: se aos outros trabalhadores da administração pública vai ser contado todo o tempo de serviço para efeitos de evolução na carreira, porque haverão os professores de ficar de fora? Mais exactamente, porque ficam de fora “nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço”, como dizem os sindicatos, contabilizando os períodos entre agosto de 2005 e dezembro de 2007 e entre 2011 e 2017?

Visto desta perspectiva a lógica sindical parece imbatível e a irritação dos professores uma maré imparável. Mas temos de ter também a perspectiva do contribuinte (serão mais 650 milhões de euros em salários de funcionários públicos), tal como não podemos perder a perspectiva de todos os que, não sendo trabalhadores do Estado, não beneficiam deste inominável princípio em que “a antiguidade é um posto”. No mundo real, aquele que fica fora do ambiente protegido em que vivem os professores e os outros funcionários públicos, não é assim. Nunca poderia ser assim. Sobretudo é cada vez menos assim.

É esta perspectiva que me interessa, pois é ela que interessa à maioria dos portugueses que pagam impostos e não sabem o que é isso de “promoções automáticas”. Pelo contrário: conhecem bem o mundo em que os empregos não são para a vida, em que as passagens pelo desemprego quase sempre se traduzem na aceitação de empregos com uma menor remuneração, o mundo em que muitas vezes se negoceiam reduções salariais e não promoções “porque sim”.

Esta greve dos professores teve o mérito de nos recordar como é diferente a “bolha” em que vivem aqueles para quem este Executivo tem governado – as corporações que vivem do Estado ou à sombra do Estado – e a dura realidade dos que têm que fazer pela vida e pela criação de riqueza.

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9 thoughts on “A greve dos professores e a “bolha”

  1. JMF Continua a sua saga contra os enfermeiros, médicos , professores , polícias e outros trabalhadores do público. Continua com a tese de direita que os trabalhadores do privado nao têm as mesmas regalias que os trabalhadores do privado , não para defender melhores condições de vida para estes mas para alinhar todos por baixo. Não percebe que para manter a sua independência perante o poder político que os funcionários públicos não põem estar sujeitos por exemplo ao despedimento sob pena de se sujeitarem a todas as chantagens dos dirigentes políticos de turno,. O neo liberalismo nunca foi muito inteligente .

  2. Meu caro , você generaliza tudo, mistura tudo .

    Eu trabalho no privado , sempre trabalhei e a minha mulher È professora primária , sempre foi há 35 anos por vocação.

    Ela queixa se que ao contrário de mim, não tem

    Carro empresa
    Seguro saúde
    Fundo pensões
    Prémio anual
    Indemnização contratual por despedimento com dois anos de salário
    Escola paga dos filhos
    Outros fringe Benefits.

    Passe bem

  3. Um tipo que começa os argumentos a chamar filhos da puta a todos já devia ter sido bloqueado. Não deve faltar muito.

  4. JMS

    Acho muita piada a esta rapaziada de esquerda, sempre muito “sensível” e muito “frágil” quando não são eles a insultar.

  5. Ou vocês são bloqueados a tempo ou o blogue não recupera. Os moderadores já deviam ter percebido quem vocês são e o vosso objectivo. Acabar com os blogues liberais.

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