No país dos unicórnios aitéque

#thisisportugal, a crónica de  Alberto Gonçalves no Observador.

Sendo um cidadão atento, fui a correr descobrir o que é a Web Summit. Pouco depois, regressei a correr ainda mais. De medo. Só alguns dos oradores indígenas bastariam para assustar um herói de guerra: o dr. Costa (que, ficámos a saber, fala tão bem inglês quanto português), o prof. Marcelo, o eng. Guterres, o sr. Figo, dirigentes do futebol, senhores da banca e ilustres matarruanos em geral. Em suma, política, bola, Estado e a previsível tralha da “influência” e do compadrio. De brinde, o dr. Louçã, cuja presença num evento alegadamente dedicado a ideias novas é comparável a convidar Stephen Hawking para abrilhantar o carnaval de Torres Vedras.

Para cúmulo, tamanha maravilha aconteceu no exacto momento e na exacta cidade onde morrem pessoas por via da “legionella”, onde um ministro anuncia o aumento de IRC e onde, a pedido de corporações, a polícia enxota os condutores da Uber e similares que tentam aproximar-se do aeroporto (sou testemunha interessada: aterrei em Lisboa por motivos que não vêm ao caso e apenas o terceiro carro arriscou apanhar-me). Segundo a propaganda, a Web Summit mostra a nossa abertura à inovação e à iniciativa e ao investimento. A sério? Se no ano que vem resolverem transladar a festança para Caracas, as diferenças serão mínimas. Uma “hashtag” promocional jurava: #thisisportugal. E o pior é que é verdade. (…)

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2 thoughts on “No país dos unicórnios aitéque

  1. Rui Ramos e o seu afilhado em 2016

    Passos Coelho disse ter as melhores expectativas em relação ao Web Summit, projeto que começou na altura em que ainda estava no Governo

    O presidente do PSD frisou esta segunda-feira que a Web Summit em Lisboa é resultado de um trabalho com ano e meio, que começou com o anterior Governo, e defendeu uma convergência nacional na aposta na nova economia.

    “Claro que espero que haja continuidade política, estes não são assuntos de natureza partidária, mas antes matérias nacionais em relação às quais gostaria que houvesse uma convergência muito grande de trabalho político, económico, social e institucional”, declarou Pedro Passos Coelho à agência Lusa à entrada para a sessão de abertura da Web Summit, no pavilhão Atlântico, em Lisboa.

    Pedro Passos Coelho disse ter “as melhores expectativas em relação à Web Summit, que é um resultado de um trabalho que começou há bastante tempo, um ano e meio, ainda na altura em que liderava o Governo”.

  2. Quantas merdidas deste para-governo usurpados são contra a iniciativa privada e o verdadeiro empreendedorismo. Estes láparos favorecem emperresários, forrenecedores e emperreiteiros, cujos fazem nada senão emperrar.

    Ter a Web Summit aqui é como ter a Comissão para os Direitos Humanos dirigida pelo Estaline.

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