Privilegiar o capital próprio

“Dada a debilidade da estrutura de capitais das empresas seria adequado que a neutralidade fiscal entre dívida e capital fosse efectiva. Ou que houvesse um incentivo para privilegiar o capital.”

Destaque do meu artigo de hoje no ECO – Economia Online. Sobre as vantagens de discriminar positivamente o financiamento por via do capital próprio.

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38 thoughts on “Privilegiar o capital próprio

  1. Próprio ou alheio o capital é sempre o capital . Porqué privilegiar ? Nem um nem outro . Porque não , então, privilegiar o trabalho. ?

  2. Luís Lavoura

    E não é precisamente isto (privilegiar o capital próprio) que o Orçamento de Estado para 2018 pretende fazer?

  3. Mario Figueiredo

    O que é mais delicioso em ler os comentários destes dois palhaços acima de mim, é ver que eles nem sequer leram o artigo do Ricardo Arroja para perceberem que se trata do tema da fiscalidade e investimento e não de um tratado político.

    Viram o cabeçalho aqui e de imediato despoletou a ervilha que têm entre as orelhas comunistas: “Capital próprio! Chiça sacrilégio! Seu porco capitalista! Viva o Comunismo, carago! Qual capital, qual quê? Trabalho, carago! Offshores não-sei-mais-o-quê e o orçamento de 2018, carago!”

  4. Sempre a pedinchar subsídios sob a forma de menos impostos. O grande capital português sempre viveu a conta do estado e este vicio já vem desde o tempo do Salazar. O mais caricato é que esta pedinchice È fomentada por pseudo neo liberais de pacotilha .

  5. «O mais caricato é que esta pedinchice È fomentada por pseudo neo liberais de pacotilha .»

    Enquanto os que dizem privilegiar o não-trabalho (porque de trabalho nada sabem) são neo-totalitários encartados e acabados.

  6. Sem empresas não há trabalhadores. Se houverem empresas, haverá sempre quem empregue. Logo, o IRC nem deveria existir. Os lucros distribuídos podem sempre ser taxados em sede de IRS e os que ficam na empresa acabarão sempre a ser reinvestidos.

  7. André Miguel

    Colaço, nem o IRS. Imposto coercivo sobre o rendimento é roubo legalizado.
    A ser taxado só o consumo. É perguntar a esses países pobres que dão pela alcunha de “paraísos fiscais” que eles explicam como se faz.

  8. Um título com 3 palavrões faz logo piscar os alarmes dos pitbulls,
    PRIVILEGIAR
    Inaceitável. Privilégio é coisa de fascista, sem lugar numa sociedade livre e justa.
    CAPITAL
    O capital é a raíz de todos os vícios desviantes da igualdade e do bem-estar das classes trabalhadoras.
    PRÓPRIO
    E entornou-se o caldo. A propriedade privada é contra a utopia comunista, não devia existir num estado sem classes.

    Juntar as 3 palavras numa sentença, neste país capitalistofóbico, é o mesmo que mandar um mail para a NSA com as palavras “Islão”, “atentado”, e “POTUS”.
    O resto do artigo também não ajuda. Fala de criação de riqueza.

  9. Luís Lavoura

    Francisco Miguel Colaço,

    você escreveu “Se houverem empresas, haverá sempre quem empregue.” Mas isso está mal conjugado. Parece o Jorge Jesus. A frase correta é “Se houverem empresas, haverão sempre quem empreguem.”

  10. Mario Figueiredo

    Realmente, o estado em que vai o meu pais! 😦
    Gostava de lembrar aos restantes leitores que este senhor que dá pelo nome de Luís Lavoura se intitula professor do ensino público.

    “Haverão” não existe quando se conjuga o verbo haver no sentido de “existir”. É um erro tosco. “Haver” é um verbo impessoal e não tem variação no plural. Pelo que a sua correcção está gravemente errada e o texto original de Francisco Miguel Colaço está correcto.

    “Haverão” existe apenas quando usado como verbo auxiliar. Por exemplo, “Os portugueses haverão de estar tramados com professores assim”. No entanto, a palavra haverão está a cair em desuso, sendo mais frequente a sua substituição por “hão” ou, ainda mais frequente, a simplificação da frase por algo equivalente. Por exemplo, “Os portugueses estão tramados com professores assim”.

  11. Francisco Miguel Colaço

    Luís Lavoura,

    Imagino que as regras gramaticais e semânticas no dialecto local da Vila de Lisboa acabem por diferir aqui e ali do português padrão. Creia que muitas vezes acaba por me ser impossível entender um lisboeta quando fala no seu patuá.

  12. Mario Figueiredo

    Já nos meus tempos de estudante, se aprendia melhor português na aldeia de Souto Fundeiro em Castanheira de Pêra (*), em casa do meu tio-avõ, do que na Escola Secundária de Cascais, com os professores dos betinhos.

    Mas agora então, quando até se muda a língua por decreto-lei, nada mais se pode esperar francamente. E a minha geração, a qual o Lavoura também deve pertencer por certo, já foi muito mal formada. O meu pai lamentava frequente e profundamente o nível de ensino a que os seus 3 filhos eram sujeitos.

  13. Pois eu dou de barato a questão gramatical , desde que a ” coisa ” se entenda ( se houver boa vontade , claro) .

    O que eu não entendo é esta mania de que são as empresas que criam emprego. O que cria emprego é a procura. Sem procura não há emprego.

  14. Mario Figueiredo

    (*) A aldeia onde passei grandes momentos da minha infância. Onde dei o primeiro beijo, onde me embebedei pela primeira vez com apenas 9 anos (e a surra que levei a seguir), onde fui muito feliz, foi completamente destruída nos incêndios de Pedrogão Grande.

  15. Francisco Miguel Colaço

    Afonso,

    Sem empresas não há oferta. Sem oferta há prateleiras vazias, a imagem de marca do socialismo e do comunismo.

    Deixe-me adivinhar: o Afonso é doutorado em economia. Sou tentado a reduzir isso pelo modo como fala de economia. Penso também que o Luís Lavoura deve ser doutorado em língua e literatura portuguesa, dado o seu domínio absoluto nos seus vários dialectos regionais.

  16. Francisco Miguel Colaço

    Mário Figueiredo,

    Brincadeiras à parte, eu considero que a crítica do Luís Lavoura é um grande elogio: em nada mais pôde ele pegar. No entanto, colocou-se a jeito, e eu aproveito para lhe espetar umas farpas aceras, em pura bonomia.

    Se a situação fosse inversa, senão eu a esbardalhar-me, imagino que o Luís me faria o mesmo. E eu não tomaria isso a mal.

    Tenho o Luís Lavoura por um boa pessoa. Sendo humano, irá colocar a pata na poça de vez em quando. E se é verdade que no melhor pano cai a nódoa, as enzimas do Skip são cabo de muitas nódoas. Pesando tudo, a interacção com o Luís Lavoura enriquece-nos: um pouco de vinagre tempera o bom bacalhau.

  17. Mario Figueiredo

    Lamento. Mas não partilho do mesmo sentimento. Não tenho pretensões ou vontade de me enriquecer com este tipo de gente. Nem o discurso deles o permite, pela qualidade que aqui se vê.

    Sei, isso sim, que estou a falar com o tipo de gente que consome uma das ideologias mais destruidoras do século XX, banida ou destruída em muitos países ocidentais, e que não questionam ou se deixam questionar. E que portanto correm o sério risco de ser quem me daria ordem de prisão no dia em que a sua vontade de poder fosse consumada. Como fizeram precisamente a muitos portugueses no pouco espaço de tempo que estiveram no poder neste país, à 40 anos atrás.

    Mas se calhar o Francisco esqueceu. Se calhar acha que a democracia em Portugal está consumada e podemos baixar a guarda. Eles agora estão amansados. Fofinhos, até. E eu é que sou perigoso e armado em touro bravo.

    Caro Francisco. O são convívio ideológico e democrático eu reservo-o apenas para quem respeita e observa os preceitos da pluralidade e da democracia. A democracia não faz concessões. Para com marxistas-leninistas, maoistas e trotskistas, tenho tolerância zero. E cada vez que os seus lideres abrem a boca, me fazem lembrar exactamente porque é que continuam um perigo para as nossas sociedades ocidentais. E se é verdade que indivíduos como o Luís Lavoura, o Afonso e o Staline que trolam este blog são mais vitimas da ideologia que professam do que o seu executor ou carrasco, também não deixa de ser verdade que alimentam, defendem e protegem os mais vis regimes e a mais vil das ideologias políticas. Portanto o Francisco que brinque com eles. Já eu prefiro levá-los a sério.

  18. Caro Francisco

    Quanto à oferta concordo consigo , mas esta só faz sentido quando a procura o exige .
    Quanto às prateleiras vazias dos regimes comunistas esse foi um dos problemas que não conseguiram resolver mas que a República Popular da China neste momento corrigiu e de forma satisfatória.

  19. Afonso,

    «Quanto às prateleiras vazias dos regimes comunistas esse foi um dos problemas que não conseguiram resolver mas que a República Popular da China neste momento corrigiu e de forma satisfatória.»

    Como? É a história da teoria do gato preto e gato branco e da caça de ratos e de um tal de Xiaoping, Deng de sobrenome.

    Pista: o gato branco é uma tal história de capitalismo. O capitalismo salvou mais de mil milhões de pessoas da China do destino amargo da pobreza ineludível e inexorável. Não foi o comunismo. Esse matou cem milhões à fome e nas prisões — números de dentro [já lhe disse que falo a língua?]

  20. Afonso,

    «Quanto à oferta concordo consigo , mas esta só faz sentido quando a procura o exige.»

    Nunca ouviu falar de supply-side? [Adoro termos em economês, parece o dialecto lisboeta, no qual o Luís Lavoura é exímio] Ou aprendeu economia no ISCTE — que sabem tanto de economia como eu das lesmas das cavernas do Kalahari — ou então sugiro-lhe que leia um bom livro, escrito por pessoas que não sejam comissários políticos. Friedman e Hayek não são maus para começar.

    Também havia antes procura para apenas dez computadores no Mundo e 640 Kb de RAM eram suficientes para qualquer um. A procura não exigia. A oferta apareceu, mesmo não fazendo sentido.

    Posso-lhe dizer que será, de acordo com os modelos de física mecânica, impossível as abelhas voarem. Têm as asas demasiado frágeis e pequenas e uma grande massa corporal. Felizmente para as abelhas, elas não leram esse estudo. E voam.

    O capitalismo também não pode funcionar. Estranhamente, funciona. É do comunismo que migram as massas em direcção aos infernos capitalistas. Não o contrário. Há mais Castros em Miami — e a filha de Fidel é um deles — que Smiths em Havana.

  21. Mário,

    Não creio que possamos rotular o Luís Lavoura de neo-totalitário. O Luís é daquelas pessoas, a meu ver, que acha que a democracia deve funcionar, mesmo se por vezes perder. Os comunistas acham que só pode haver democracia de um partido único, o deles, e dentro deste apenas a facção, sub-facção e tendência que considerarem certas.

    Felizmente para o Mundo, não há quem mate melhor comunistas que outros comunistas. Pergunte-se o que aconteceu a 75% da Quarta Internacional — pista: deu uma anedota soviética muito conhecida.

    [Dito isto, não há quem desdiga mais da direita que outras facções da direita. Temos muito em comum, mas desprezamo-nos mutuamente pela cor do rebuçado de limão do catering do congresso. Como nossos próprios inimigos somos o refrigério dos neo-totalitários e dos vermilhóides — aqui repito-me.]

  22. Mário Figueiredo,

    «Mas se calhar o Francisco esqueceu. Se calhar acha que a democracia em Portugal está consumada e podemos baixar a guarda. Eles agora estão amansados. Fofinhos, até. E eu é que sou perigoso e armado em touro bravo.»

    O Mário está absolutamente certo. Eles não estão amansados. Os escarralhados

    Mas o método é importante para os resultados aparecerem. O método certo não é dar-lhes um inimigo, mas ridicularizar as suas — dos escarralhados — inconsistências e contra-lógicas. O escarralhado não se deixa convencer — falta-lhe ou humildade ou massa cerebral ou literacia. Mas quem lê pode acabar por optar pelo nosso lado se formos listos e correctos quando retorquirmos. Por vezes encontra-se um esquerdalhóide que acaba por perceber o erro em que incorre e se move para o nosso lado. É raro, mas podemos ter sempre esperança que flato de pradeira cheire a rosas.

    Deve perceber que não movo muito as minhas opiniões quando respondo. Até agora apenas uma pessoa conseguiu mudar a minha opinião sobre matérias económicas e fiscais: Euro2Cent. Apresentou um argumento coerente. Bastou isso. A minha caixa de carretos começou a fazer fumo e barulho e, após um pouco de esguichos d’óleo de mansa humildade, convenceu-me de que apenas se deve taxar consumo e propriedade.

  23. Meu caro Francisco,

    Evidentemente, é sempre legítimo formular dúvidas e críticas sobre o “socialismo de mercado”. Mas pelo menos num ponto considero que devia ser possível à esquerda de chegar a um consenso. A política de reforma e de abertura introduzida por Deng Xiaoping não significou de forma alguma a homologação da China ao ocidente capitalista como se o mundo inteiro passasse a ser caracterizado por um mapa calmo. Na realidade, a partir precisamente de 1979 desenvolveu-se uma luta que escapou aos observadores mais artificiais mas cuja importância se manifesta com uma evidência cada vez maior. Os EU e seus aliados esperavam reafirmar uma divisão internacional do trabalho nesta base: a China teria que se limitar à produção, a baixo preço, de mercadorias desprovidas de real conteúdo tecnológico. Por outras palavras, estavam à espera de conservar e acentuar o monopólio ocidental da tecnologia: nesse plano, a China, como todo o Terceiro Mundo, deveria continuar a sofrer uma relação de dependência em relação à metrópole capitalista. Percebe-se bem que os comunistas chineses tenham interpretado e vivido a luta para fazer fracassar esse projecto neo-colonialista como a continuação da luta de libertação nacional; não há uma verdadeira independência política sem independência económica; pelo menos os que se reclamam marxistas deviam estar de acordo com esta verdade! Graças à manutenção cobiçada do monopólio da tecnologia, os EU e seus aliados pretendiam continuar a ditar as leis das relações internacionais. Com o seu extraordinário desenvolvimento económico e tecnológico, a China abriu a via para a democratização das relações internacionais. Os comunistas e também todos os verdadeiros democratas deviam congratular-se com esse resultado: Actualmente há melhores condições para a emancipação política e económica do Terceiro Mundo.

  24. Mario Figueiredo

    Francisco,

    Muito bem. Vou estar mais atento à figura. Saberei julgar com a devida imparcialidade se de facto me precipitei em relação ao dito senhor.

  25. Afonso,

    Afinal o Afonso é literato em História Sínica. Esta é uma pérola:

    « política de reforma e de abertura introduzida por Deng Xiaoping não significou de forma alguma a homologação da China ao ocidente capitalista como se o mundo inteiro passasse a ser caracterizado por um mapa calmo. »

    Taçlvez não saiba, mas falo a língua chinesa (e russa). Penso saber mais alguma coisa sobre comunismo chinês e russo pelas publicações chinesas e russas.

    Vou-lhe dar a primeira lição de mandarim: 一國兩區, Um país, duas áreas, traduzido frequentemente como um país, dois sistemas. Faz sentido? Veja então o que diz o parretido das cacarinas e das mortéguas:

    «Se alguém alguma vez pensou que o capitalismo na China não mostraria a sua verdadeira face (…) Parecia que o capitalismo tinha chegado à China para mostrar todas as suas virtudes (…)» (em Esquerda.net)

    Parece que até as sumidades calhauzescas sabem que o capitalismo chegara à China, mesmo não concordando com ele. Quem é o Afonso para o negar? Mais um dos escarralhados que quer tornar impossível a previsão do passado?

    O Afonso até pode nem gostar muito das mortéguas. Pode ser dos contumistas. Vejamos o que dizem membros do parretido vermilhóide:

    «O capitalismo chinês profundamente imbricado no capitalismo global, em particular no norte-americano, teve um forte impulso ideológico e concreto em Deng Xiaoping e fez disparar o número de milionários e as diferenças entre regiões.» (em acomuna.net)

    E foi o Deng Xiao Ping que, na Nansung (a viagem às províncias do Sul disse, perante a emergência do capitalismo chinês): deixem que alguns enriqueçam primeiro (citado em Inglês no The Economist em 1991). O Sr. Deng não devia saber nada do tal de Gini.

    Em suma, se os chineses comem, ao mercado livre o devem. Durante o Mao Mao morreram aos milhões. Incidentalmente, as mortéguas e os loucões e as cacarinas não são maoístas e trotskistas e qualquer-coisa-catastrofistas?

  26. Mário Figueiredo,

    O Luís Lavoura não seria dos que nos mandaria fuzilar. Não parece ser burro de todo, e por vezes até mostra alguns laivos de inteligência — por contraste à intelijumência da escarralhada genérica.

    Um dia será nos nossos. Terá em breve a sua estrada de Damasco. Até lá, leva uns coices de si próprio cada vez que meter a pata na poça — prerrogativa de qualquer ser humano, obrigatório nos que se dizem de esquerda. 😉

  27. Meu caro poliglota Francisco

    Você cita publicações de duvidosa lealdade ao comunismo. Eu vou citar lhe publicações de comprovado lealdade ao capitalismo.

    Quando voltei para casa, encontro um número especialmente interessante do International Herald Tribune: leio nele um cálculo efectuado por um professor da prestigiada universidade de Yala, precisamente Chen Zhiwu (um americano, portanto, de origem chinesa, que está talvez numa posição privilegiada para se orientar na leitura da economia do grande país asiático) indicando que “o Estado controla três quartos da riqueza da China” (7 de Julho de 2010, pág, 18). É preciso acrescentar a isto um dado geralmente esquecido: na China a propriedade do solo está inteiramente nas mãos do Estado; os camponeses têm o usufruto dele, que também podem vender, mas a sua propriedade não. No que se refere à indústria, outros cálculos atribuem um peso mais reduzido ao Estado. Em todo o caso, os que imaginam um processo gradual e irreversível de retirada do Estado da economia, estão completamente enganados. No Newsweek de 12 de Julho, um artigo de Isaac Stone Fish chama a atenção para as “empresas de propriedade do Estado que dominam de modo crescente a economia chinesa”. Em todo o caso – reafirma o semanário americano – no desenvolvimento do oeste (que a partir de agora se desenha em toda a sua amplitude e profundidade), o papel da empresa privada será bem mais reduzido do que o desempenhado no seu tempo no desenvolvimento do leste.

    ao introduzirem fortes elementos de concorrência, a área económica privada contribuiu em última análise para o reforço da área do Estado e pública, que foi assim obrigada a desembaraçar-se da burocracia, da falta de empenhamento, da ineficácia, do clientelismo. Com efeito, precisamente graças às reformas de Deng Xiaoping, as empresas do Estado gozam actualmente duma solidez e duma competitividade sem precedentes na história do socialismo. É um ponto que pode ser esclarecido a partir de um número do Economist (10-16 Julho 2010) o artigo de fundo sublinha que quatro dos dez bancos mundiais mais importantes são actualmente chineses. Esses bancos, contrariamente aos bancos ocidentais, estão de excelente saúde, “ganham dinheiro”, mas “o Estado detém a maioria das acções e o Partido comunista nomeia os mais altos dirigentes, cuja retribuição é uma fracção da dos seus homólogos ocidentais”. Além disso, esses dirigentes “têm que responder a uma autoridade superior à da bolsa”, ou seja, às autoridades de um Estado dirigido pelo Partido comunista. O prestigiado semanário financeiro inglês não consegue convencer-se destas novidades inauditas; tem esperança e aposta que as coisas vão mudar. Hoje há um facto que aparece aos olhos de toda a gente: a economia do Estado e pública não é sinónimo de ineficácia, como pretendem os paladinos do neo-liberalismo, e os bancos não têm que pagar aos seus dirigentes como nababos para serem competitivos no mercado interno e internacional.

    Mas entremos finalmente nessas fábricas de propriedade privada. Com ou sem chineses do ultramar, reservam-nos grandes surpresas. Esta é obrigada ou pressionada a reinvestir uma parte considerável dos lucros (por vezes até 40%) no desenvolvimento tecnológico da empresa; uma outra parte dos lucros, cuja percentagem é difícil de calcular, é utilizada para intervenções de carácter social (por exemplo, a construção de escolas profissionais que são entregues ao Estado ou ao município, ou então o socorro a vítimas duma catástrofe natural). Se nos lembrarmos que estas empresas dependem fortemente do crédito atribuído por um sistema bancário controlado pelo Estado e se pensarmos também na presença no interior desses empresas do Partido e do sindicato, impõe-se uma conclusão: nesses empresas privadas o poder da propriedade privada é equilibrado e limitado por uma espécie de contra-poder.

    谢谢!e desculpe o tamanho do texto

  28. Luís Lavoura

    Querido Mário Figueiredo,

    (1) eu não sou, não quero ser, e nunca me intitulei professor. De nenhum grau de ensino!

    (2) É claro que “haverão” não existe. Tal como não existe “houveram”. O meu comentário era apenas uma ironia ao erro de palmatória do Francisco Miguel Colaço. Pelos vistos, você nem a mais básica ironia entende.

  29. Stalenin

    Caríssimo Francisco Miguel Colaço,

    Confesso que gosto de ler os comentários que aqui escreve, que juntamente com os do Mário Figueiredo me proporcionam boas gargalhadas. Mas por favor, desonestidade intelectual é que não. O exercício que faz (não sei se intencionalmente, se por ignorância) de associar a publicação online “A Comuna” com o Partido Comunista Português, é lamentável. O PCP tem publicações de elevadíssima qualidade e que o caríssimo Francisco Miguel Colaço certamente conhece. Para a próxima, por favor, verifique melhor as fontes que cita.

    STALENIN

  30. Stalenin,

    Não conheço publicações do PCP. Se for como na URSS, diz a velha anedota russa que nem Notícias (Isvestia) na verdade (Pravda), nem verdade nas notícias. Por isso, desconfio que tenho pouco a aprender delas.

  31. Afonso,

    Compare o PIB das regiões do interior, controladas pelo Estado (as estatísticas chinesas, ao contrário das soviéticas, valem o que valem, mas enfinm!), com as do litoral, onde a iniciativa privada é predominante. Isto vale um tratado sobre o comunismo.

    Ajunte a isso os fluxos populacionais. As migrações nunca vão dos paraísos para os infernos. Se uma pessoa pode ser taralhouca, um povo normalmente não o é.

    Lembro que o Muro de Berlim não foi feito para que os berlinenses ocidentais não pudessem passar para Berlim Oriental. Muro que impede pessoas de sair é uma prisão.

    Este é o melhor tratado anti-comunista que posso oferecer-lhe. Este e o milhão,cento e cinquenta mil que o SOVSTAT — portanto, de admissão própria — diz ter morridos nas colónias penais da Gulag.

  32. Caro Mário,

    O que se passa na China é de uma importância fundamental para no futuro se saber se esta nova experiência terá ou não sucesso .
    “If we analyse the first 15 years of Soviet Russia, we see three social experiments. The first experiment, based on the equal distribution of poverty, suggests the “universal asceticism” and “rough egalitarianism” criticised by the Communist Manifesto. We can now understand the decision to move to Lenin’s New Economic Policy, which was often interpreted as a return to capitalism. The increasing threat of war pushed Stalin into sweeping economic collectivisation. The third experiment produced a very advanced welfare state but ended in failure: in the last years of the Soviet Union, it was characterised by mass absenteeism and disengagement in the workplace; this stalled productivity, and it became hard to find any application of the principle that Marx said should preside over socialism—remuneration according to the quantity and quality of work delivered. The history of China is different: Mao believed that, unlike “political capital,” the economic capital of the bourgeoisie should not be subject to total expropriation, at least until it can serve the development of the national economy. After the tragedy of the Great Leap Forward and the Cultural Revolution, it took Deng Xiaoping to emphasise that socialism implies the development of the productive forces. Chinese market socialism has achieved extraordinary sucess.

  33. A China está a tornar-se o maior país cristão do Mundo. As estatísticas governamentais são idiotices para chinês ver. A verdade encontra-se entre duzentos e cinquenta milhões, muito embora alguém de dentro do Império do Meio tenha aventado o número de quatrocentos milhões, já há mais de dois anos.

    Sendo isso verdade, um em cada quatro chineses é cristão, tanto nas igrejas conhecidas como nas oficiosas como nas subterrâneas.

    Quanto ao comunismo na China, já teve o seu domínio. Em cinco anos, a China será apenas comunista no papel — como aliás já é hoje nas províncias do litoral.

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