Thought Police persegue “PeterSweden”

Muitos dos comentários no meu artigo “Geringonça assume poderes ditatoriais” entristeceram-me. Não por serem legalmente incorrectos (aprende-se sempre algo com os comentários), mas porque o princípio de aceitação do abuso estatal está lá – e basta exacerbar alguns casos nos media para que esse à-vontade se traduza num “Police State” completo com uma “Thought Police” digna de 1984.

Para ilustrar este meu ponto, deixo aqui um caso do YouTuber PeterSweden (que recomendo, para quem quiser saber o que vai acontecendo nos países nórdicos e não passa nos legacy media, pois foi neste canal que soube das 11 bombas que explodiram na Suécia em Outubrover também este), que anda a ser perseguido no Reino Unido por perturbar a ordem pública com as suas opiniões.

Sim, no Reino Unido existe uma divisão da Scotland Yard para perseguir trolls na internet (Telegraph, Sun, The Guardian, RT). Com base no que li nos comentários do outro artigo, basta criarem a lei entre o governo, os Estalinistas e os Trotskistas: depois certamente surgirão comentadores a detalhar-me como eu desconheço a lei e como aquilo é tudo legal e portanto facto consumado. Nestes tempos, tiram-se livros de circulação, fecham-se espaços públicos e calam-se vozes incómodas nos media tradicionais com uma facilidade incrível. E depois está tudo bem porque alguém do estado afirma que “quem não deve não teme”, “o estado agiu na legalidade” e “não pode haver complacência”. O Nanny State está bem e recomenda-se.

Edição – Nota importante para quem não viu o vídeo: para mim o principal problema é que já estamos no ponto na Europa em que se alguém na polícia achar que demos a opinião errada no Twitter, Facebook ou YouTube, pode passar repetidamente na casa da família à noite para nos prender.

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20 thoughts on “Thought Police persegue “PeterSweden”

  1. Cfe

    Reparei nos comentários. Seu problema foi que não criticou a lei mas a ação do governo. Ora, o poder político tenderá sempre a preencher o vazio, sempre exercerá todo o poder que tem a disposição e isso com o beneplácito do povinho que deseja a proteção e conforto.

  2. David

    Os dois principais problemas são: em maior parte dos casos, ser mais popular o governo fazer alguma coisa do que não fazer nada(um dos melhores exemplos na história é o New Deal) e a própria arbitrariedade do poder legislativo, que tende a regular toda e qualquer atividade seja ela económica ou nem tanto, que pouco ou nada é limitado pela constituição. Isto tem tendência a piorar.

  3. Mario Figueiredo

    Não. Não é só o Ricardo, lho garanto. E ainda mais insidioso é o transformar opiniões como as suas, como estando a defender a impunidade de quem comete crimes. Precisamente no mesmo estilo dos que acusam de islamofobia quem critica ou Islão ou defende restrições na imigração de pessoas originárias de países islâmicos. É o ad hominem necessário para desqualificar qualquer tentativa de argumento contrário à tendência actual. E, em abono da verdade e para não deixar nenhuma pedra por levantar, praticado com frequência e precisamente com o mesmo estilo, também por uma certa direita conservadora que acusa de anti-semitismo qualquer critica ao judaísmo.

    O conformismo com que uma população como a nossa assiste a estes eventos, aplaudindo mesmo a acção, é aterrador e precursor de uma novela de Wyndham ou Huxley. Mas é também sem dúvida uma das razões porque deve ser combatido.

  4. Mario Figueiredo

    “Não. Não é só o Ricardo, lho garanto.”

    Esclarecimento: Fala-se muito de maiorias silenciosas. Eu não gosto desse termo, porque é claramente uma contradição quando a maioria frequentemente se expressa de forma contrária. O termo é frequentemente usado por minorias (algumas das quais me insiro como libertário, ou até liberal de direita) como uma forma de validarmos a nossa existência. Acho isso um erro e um claro sinal de fraqueza para quem esteja a prestar atenção. Por outro lado inverte a responsabilidade, colocando-a na tal “maioria silenciosa”, quando na realidade compete à minoria levar a sua ideologia à maioria. Eu não sei se existe uma “maioria silenciosa”. Francamente acho que não! Mas compete a mim, ciente da validade da meu pensamento ideológico, ajudar a criar essa maioria e a torná-la muito mais do que silenciosa.

    Mas acredito, isso sim, que existe um profundo descontentamento pelo Estado, por uma parte representativa da nossa população. O descontentamento e a desconfiança é quase que generalizado. E é nesse sentido que se insere o comentário que destaquei acima. E não porque sou vidente e vejo a tal maioria silenciosa na minha bola de cristal.

    E esse descontentamento e desconfiança é fruto precisamente dos modelos conservadores que da direita à esquerda têm assumido o controle das nossas nações ao longo do últimos séculos. O estado cada vez mais policial, mais autocrático, mais autoritário, e cada vez com maior peso sobre as vidas das pessoas, definindo toda a sua vivência, desde a criação de leis para filas de espera até à proibição de colheres de pau, passando por uma vida de descontos salariais para suportar precisamente todo o aparelho que nos controla.

  5. André Miguel

    Eu estou com o Ricardo.
    Aconselho a todos, sem excepção, ler o “Direito a Ofender” de Mick Hume, para saber o que esperar se continuarmos neste caminho. Estamos quase, quase, no fim do caminho para a servidão.

  6. Se está à espera que a sua voz liberal seja ouvida numa democracia então não sabe onde está.
    Por definição a nossa democracia é uma expansão constante do estado, e só assim ela se consegue manter.

  7. David

    Marialva, tem toda a razão. O estado democrático tem tendência a ir sempre aumentando e a garantir que assim continua criando dependentes de subsídios e garantindo o voto a estes e aos funcionários públicos. Nem a constituição americana, talvez a mais liberal que existe nos dias de hoje, conseguiu impedir o crescimento monstruoso do estado americano(antes pelo contrário). Não posso deixar de recomendar a obra “Democracy – The God that failed” do Prof. Hans-Hermann Hoppe, em particular o capítulo 13 “On the Impossibility of Limited Government and the Prospect for Revolution”.

  8. Ó meu caro,

    Perdoe-me a linguagem plebeia mas o ” que é que o cu tem a ver com as calças ” ?

    Você não acha que um estabelecimento noturno que alberga um bando de criminosos violentos deve ser imediatamente fechado?

  9. Mario Figueiredo

    Afonso, perdoe-me mas o que é que o cú tem a ver com a calças? Sim deve. Deve ser fechado. Deve mesmo! Estamos de acordo.

    Deve. Por decisão de um juiz, após analisados por si os factos que vieram a lume por via de um vídeo de poucos minutos publicado nas redes sociais. E não por decisão ministerial sem qualquer apelo ou defesa para das partes interessas, poucas horas após a publicação do dito vídeo nas redes sociais.

    Não deverá competir aos orgãos administrativos do Estado tomar decisões de carácter judicial. É um erro, um abuso de autoridade e indigno de um estado de direito.

  10. Afonso,
    1º – Se fosse esse o caso, a resposta é obviamente não. Prefiro que não se criem precedentes.
    2º – Tem a certeza que foi isso mesmo que se passou. Quanto mais leio sobre o assunto, menos certezas tenho. Qual é mesmo a relação entre quem bateu e a discoteca?

  11. No post “Portugal, um país cativado pelo Estado”, aparece um auto-apelidado liberal a defender os novos impostos indirectos como um exercício de liberdade de escolha, ao contrário do IRS, do qual não é possível fugir.
    É claro que a liberdade de NÃO fumar, NÃO beber, NÃO comer salgados, NÃO comer doces, NÃO utilizar o automóvel, etc., não é liberdade de escolha. Pelo contrário, é-se MULTADO por exercer a liberdade de escolha. No limite, na Coreia do Norte também há liberdade de escolha para insultar o Líder na praça pública, sendo que a escolha é entre NÃO insultar ou insultar e ser fuzilado.

    O que está subjacente não foi discutido – porque razão devia o IRS aumentar? Porque a despesa do Estado aumentou mais do que a arrecadação fiscal? E aumentou porquê? Porque o Governo aumentou o número de funcionários públicos e aumentou a despesa com salários desses funcionários.
    Fora disso o serviço prestado pelo Estado degradou-se de forma abrupta, e a dívida pública aumentou.
    Saúde? Escolham, falta de material, IPO sem verbas, legionella num hospital, aumento do tempo de espera para cirurgias, há de tudo.
    Rede viária? Está subdimensionada e degradada.
    Defesa do território? Temos Tancos e muçulmanos cadastrados a entrar. Temos incêndios onde a descoordenação mata aldeias inteiras.
    Justiça? Continuam a ser precisos muitos anos para qualquer processo, décadas se fôr contra o Estado.
    Educação? Temos um ministério que trabalha exclusivamente para os professores.
    Segurança pública? Só se tivermos sorte.

    Este Estado é enorme e não funciona. E ser liberal não é defender as taxas e taxinhas Vs IRS, é perguntar todos os dias porque razão o Estado é tão caro e não funciona. Pagamos mais e mais por menos e menos, e devemos sempre mais. SEM ESCOLHA, não há escolha, é uma falácia essa “escolha” entre impostos directos ou indirectos. O Estado é demasiado grande, intervém onde não deve, e falta onde é necessário – e essa é a discussão que se deve ter.

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