Destes seguranças não consigo livrar

A notícia-sensação dos últimos dias centra-se na violência de seguranças de uma discoteca da qual sou livre de escolher nela não entrar. E depois das imagens divulgadas, penso que muitos outros consumidores fariam agora semelhante escolha.

Tenho uma história pior. Destes seguranças não consigo livrar. Eles parecem estar em todo lado e, se não lhes dou o dinheiro que exigem, têm inúmeras formas de me obrigar. Ameaça de violência está implícita na oferta (obrigatória!) de variados serviços de segurança mas, claro, nunca arrisquei chegar ao ponto de recusar pagamento. Tendo consciência de que não consigo defender-me, entrego-lhes todos os euros que me exigem. E a cada ano que passa querem cada vez mais.

Sei que não é só comigo. Acontece com tantos outros. Maioria já se resignou. Não há como lutar, eles são demasiado fortes. É baixar a cabeça e aceitar. Aceitar? Muitos até os defendem, ou porque querem fazer parte daquele grupo ou porque – como que sofrendo do Síndrome de Estocolmo – pensam que, apesar do que nos tiram, até que são uns seguranças porreiros e bonzinhos.

Dou-vos exemplo do quão “fácil” para eles é roubar: considerem que uma empresa quer pagar-me €1.000 de salário mensal. É valor que nunca vou ver. Logo à partida eles obrigam a empresa a “descontar” 23,75% para o que designam de Segurança Social. Consequentemente, já contando com essa taxa, a empresa só me oferece contrato de trabalho de €808,08.

Porém, a história de roubo ainda mal começou. Daquele valor exigem que a empresa, antes de qualquer transferência para minha conta bancária, retire ainda mais 11% (€88,89) e 8,5% (€68,69) para, respectivamente, Segurança Social e Imposto sobre Rendimentos de Singulares. Levo para casa €650,50. 65% do que a empresa estava disposta a pagar-me. E furto ainda não parou. Eles querem tirar mais, e conseguem-no.

Compro alimentos para comer, roupa para vestir, água para tomar banho, gás para aquecer, electricidade para fazer funcionar electrodomésticos? Pago IVA. Tenho casa? Pago IMI. Tenho carro? Quando o comprei foi IVA em cima do Imposto Automóvel e, agora para poder deslocar-me, é IVA em cima do Imposto sobre combustíveis (ISP).

No fim, se ainda sobrar algum euro talvez consiga fazer depósito a prazo para precaver futuro incerto. No entanto, dos futuros juros a receber uma coisa é certa: eles cobram-me mais 28%. Taxa liberatória!

Cheguei ao fim desta história de pilhagem? Quase. É que eles também me obrigam a usar apenas uma moeda para efectuar transacções comerciais com outros. Moeda que podem imprimir, retirando aos poucos o valor do salário que recebo. Economistas chamam-lhe inflação. Palavra técnica para roubo.

Com tanto que estes seguranças roubam, ainda há quem fique contente quando deles recebem algo de volta. Eu não! Quero ser livre para escolher o meu destino. Mas destes seguranças não consigo livrar…

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29 thoughts on “Destes seguranças não consigo livrar

  1. tem bom remédio, vá viver para a Líbia ou para a Somália. Lá não há IRS, nem TSU, nem IVA, e muito menos taxas liberatórias.
    Ah! esqueceu-se de dizer que quando pagar a renda da casa ainda haverá um bandido que vai tirar 28% da sua renda ao bolso do senhorio…
    Você tem mas é um g’anda ordenado!
    Mesmo assim eu prefiro viver em Portugal.

  2. Isto é uma Democracia, é fácil livrarmo-nos deste estado de coisas. Basta votar em…em…em…
    Carago, deu-me uma branca. Alguém que complete a frase sff.

  3. manoloheredia, se não estou a questionar a sua liberdade de entregar dinheiro a larápios socialistas porque pelo menos não respeita a minha liberdade de desejar viver em Portugal com fruto do meu trabalho?

  4. Euro2cent

    Vamos olhar para isto de uma perspectiva científica: nos quatro ou cinco milénios de história registada, quantos “estados libertários” é que tiveram sucesso?

    Qual é a probabilidade de um “estado libertário” vir a ter sucesso em prazo útil?

    Pois, também pensava.

  5. Euro2cent, e se medir sucesso pelas vítimas do socialismo? Mas a questão essencial aqui é saber se você me permite ter a liberdade que não deseja para si.

  6. David

    Euro2cent, não sei qual é a relevância da probabilidade de vir a ter um “estado libertário” em prazo útil. A defesa do libertarianismo é uma defesa ética e não uma agenda política com prazos estipulados. Troque “um “estado libertário” vir a ter sucesso” por “abolir a escravatura” e imagine estar a falar com os primeiros abolicionistas e logo verá quão ridículo isso é.

  7. Mario Figueiredo

    Também não percebi esta tirada do Euro2cent. Deve ser do domingo de futebol.

    Acrescentando à excelente resposta do David, não tinha o Euro2cent como um conformista. O que se segue? Vamos ter um Euro2cent socialista amanhã? Vade reto! Mas convenhamos que também não se vislumbra qualquer possibilidade de Portugal vir a se tornar uma república de direita liberal ou conservadora. Portanto vamos ser científicos, não é?

  8. Holonist

    Eu que nem concordo com o BZ nas suas tiradas anti conservadoras, nem sou particularmente libertario, nao posso deixar de apontar que tudo o dito esta correcto e que a surpresa com o Euro2cent me deixa bastante divertido, afinal ate nem estamos na republica xuxalista de Portugal e metade dos que aqui postam nem sao socialistas de armario nem nada 🙂

  9. Euro2cent

    Camaradas, os “princípios éticos” mais lindos do mundo não fazem a água correr para cima. O trabalho, e os frutos, só existem se alguém assegurar a segurança dos indivíduos. Isso custa dinheiro.

    A partir daí, como dizia o bispo à actriz, estamos só a discutir o preço.

  10. Mario Figueiredo

    Euro2cent, libertário não é anarca. Estado mínimo não é ausência de estado. O libertário defende o Estado-Nação. E a julgar pelos pouco que conheço das pessoas por aqui, nem sequer temos entre nós libertários que sigam uma linha ideológica pura. Nem tão pouco prevejo que existam por aqui muito defensores daqueles malucos do LP norte-americano.

    Está portanto equivocado enquanto às razões e motivações dos libertários. Pese embora estar a cometer o pecado de falar por outros, estou seguro disso.

  11. Oscar Maximo

    A 1* frase é engraçada. Eu diria mais. Uma vitima de violência doméstica é livre de não casar. Acontece que se o Estado não deixa os cidadãos andar armados, tem de cuidar da sua segurança. Se obriga todos a ter conta bancária, tem de controlar os bancos, idem para seguros, etc. Por mim, preferia o contrário, máxima liberdade e máxima responsabilidade, e um Estado mínino. Ou então extrair todas as consequências da posição que se toma, e aqui nem falo de BZ, mas mais de Ricardo Magalhães.

  12. Mario Figueiredo

    A desconversar é que esta malta se entende. Ele é dizer que os países libertários nunca foram bem sucedidos, ele é dizer que o que a malta quer é pagar 0% de impostos, ele é dizer que os patrões também roubam…

    Com este tipo de gente, não admira que a esquerda esteja pelas ruas da amargura um pouco por todo o lado. Excepto mesmo aqui no cú da Europa onde a porcaria é mais difícil de limpar.

  13. lucklucky

    “BZ, se pagasse 0% de impostos, acabava na mesma de ter que pagar uma taxa a seguranças convencionais…”

    Escolha Guna não Imposição.

  14. Olha que giro , mais um a falar do que ouviu dizer acerca dos US , ja agora , tambem deixam os pobrezinhos morrer nas urgencias se nao tiverem seguro certo?

  15. Miguel

    Discutimos até onde se aceita o roubo? Se estado mínimo se máximo?
    Tenho tentado perceber como querem mesmo os libertários viver, ainda não consegui lá chegar, mas tenho de admitir que receio que os resultados estatisticos não fujam muito dos socialistas. É que vítimas somos todos, resta escolher a forma de luta. Mas posso estar enganado, claro.

  16. “is um a falar do que ouviu dizer acerca dos US , ja agora , tambem deixam os pobrezinhos morrer ” – compare os gastos per capita nos “US” com o resto dos países da OCDE, depois a esperança de vida, causas de falências individuais, etc., etc. Giro, não é?!

  17. Holonist

    La esta, falar do que ouviu dizer, retira os custos dos seguros medicos (seguros professionais) retira as mortes violentas de gangues, volta a olhar para os dados. Alias, a saude la e tao ma tao ma que o pessoal vai a Cuba e nao a Miami ou NY tratar cancros…

  18. David

    Os serviços de saúde e os seguros nos Estados Unidos estão tão longe de um livre mercado como qualquer serviço socializado, se acham o contrário não sei o que vos dizer mais, olhem para os custos dos serviços de saúde nos anos 60, 70 e 80, quando havia muito menos regulação, comparados com os de agora. Ou vejam como o Surgery Center of Oklahoma conseguiu baixar os preços, em alguns casos em mais de 80% por não aceitar seguros. No entanto, o sistema americano tem algumas coisas boas, as filas de espera são ínfimas, e os tratamentos de cancro são os melhores no mundo e grande parte da inovação na medicina vem de lá.

  19. “retira as mortes violentas de gangues, volta a olhar para os dados”… aqueles “hell’s angels” de cadeiras de rodas são f0d1d0s… faça-nos um favor: não vote.

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