Não Há Consolidação Orçamental Desde 2015

Reproduzo neste post, o texto publicado pelo Jorge Costa no Facebook.

NÃO HÁ CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL DESDE 2015

Vou deixar aí um gráfico que justifica a afirmação atrás aparentemente tão extravagante.

Com efeito, dizer que a passagem de um défice igual a 4,4% do PIB [em 2015] para 1,0% do PIB em 2018 não representa qualquer avanço digno de nota na consolidação orçamental exige que uma pessoa se justifique para não ser confundida com aqueles políticos farsantes que dizem o que lhes apetece, até mesmo as coisas mais bizarras, como Costa e os trauliteiros de que anda rodeado…

O défice de 4,4% do ano de partida está fortemente empolado pela injecção de capital no Banif, isto é, pelo efeito de medidas extraordinárias e irrepetíveis. À conta de um muito menor volume de medidas extraordinárias, o défice de 4,4% é reduzido em 1,0% do PIB.

É o primeiro degrau da imagem em baixo. Depois, tivemos uma factura de juros muito menor, e à conta da redução de juros descemos mais um degrau, baixando por isso o défice em mais 1,0% do PIB. Somando o contributo dos juros e das medidas extraordinárias, o défice que há que reduzir já só está em 2,4% do PIB.

Sobre os juros, importa dizer algo, pouco. É evidente que nesta descida estão implícitas algumas opções do actual governo, como seja continuar a política que já vinha de trás de antecipar o reembolso dos empréstimos do FMI, substituindo essa dívida por dívida mais barata, a juros mais pequenos. E é também claro que a retoma do crescimento da economia, alicerçada quer no dinamismo proporcionado pelas reformas estruturais do governo anterior, quer numa boa conjuntura internacional, muito mais robusta, também ajudaram à descida dos juros. E, para não dizermos que, então, o governo não teve nisso mérito nenhum, acrescentemos que tem algum, nomeadamente o ter sido capaz de exibir alguma consolidação nominal , precisamente aquela que estamos aqui a desconstruir. Mas alguém tem duvidas que, no essencial, com este ou outro governo qualquer que não se obstinasse em provocar demónios, como este começou por fazer no início, antes de arrepiar caminho, os juros baixariam por obra de uma compra, pelo banco central, de títulos portugueses, que acompanha este governo desde o princípio, em quantidades literalmente astronómicas? Os juros pouco devem ao governo, e não é de esperar que continuem tão baixos depois de a expansão quantitativa conduzida pelo BCE terminar e, sobretudo, depois de ser revertida.

Retomando: como vimos, falta-nos explicar a redução de 1,4% do PIB no défice, para chegarmos a 2018 com um saldo orçamental igual -1,0% do PIB. Está aqui contida a acção do governo? De maneira nenhuma. Praticamente toda a redução restante decorre mecanicamente do crescimento do PIB, gerando mais impostos e menos despesa, designadamente em prestações de desemprego.

Na melhor das hipóteses, o governo terá assegurado uma correcção no chamado saldo primário estrutural de 0,1% do PIB em 3 anos, o que compara com o ajustamento estrutural de 7,7% do PIB nos cinco anos precedentes. É a média anual de 0,0% do PIB com a geringonça contra a média anual de 1,5% do PIB com o PSD/CDS. Nada contra uma consolidação orçamental sem precedentes. O que a geringonça fez para obter os tais défices mais baixos da democracia é propriamente considerado – nada.

Qualquer esboço de recessão nestas condições, associada a uma mais que esperada subida nos juros, devolve-nos num ápice aos défices excessivos, acima dos 3% do PIB, que, bem vistas as coisas, parecem ser o nosso estado natural.

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6 thoughts on “Não Há Consolidação Orçamental Desde 2015

  1. Mas não viu as notícias? O “bem-estar” dos “portugueses” é o maior em 12 anos. Não disseram o nome dos gajos.

  2. Afonso,

    Se quer ser sério, não se deixe cativar na inteligência.

    Passos Coelho tirou Portugal do abismo. Quer queira, quer não, é assim. Pegou em Portugal quando mesmo o fujão quarenta e quatro havia dado ao próximo apagar o figo que ele havia ateado. Logo no início do consulado com um murro no estômago, e Portugal no lixo das agências das ratas, passos Coelho fez pouco do que havia de se fazer, mas nada do que não se devia fazer. Em dezoito meses a economia inflectiu e em quatro anos estávamos a crescer confortavelmente.

    A economia ainda está a viver do trabalho de Passos Coelho. Este governo está a fazer pouco do que deveria ser feito, como o anterior, mas mioto faz do que nunca deveria ser feito. E tal como aquele que come malaguetas num dia, no dia seguinte elas voltarão, fazendo arder o buraco favorito para pronunciamentos de ideologia esquerdista.

  3. Anticapitalista

    Ó tempo, volta pra trás!
    Traz-me tudo o que eu perdi!
    Tem pena e dá-me a vida….

    Ai que saudades eu tenho de ter saudades…

    Miseráveis!….
    Aos níveis a que a direita lusa vem descendo!…
    (não) lhe perdoais senhor, PORQUE SABEM O QUE QUEREM!….
    …mas lá terão que aguentar mais uns anitos, pelo que aproveitem e preparem bem a eleição do sucessor do miserável do vidente de Massamá por forma a que lá para 2023 possam, pelo menos, colocar a cabeça fora d’água!…

  4. Paulo Alexandre Caeiro Correia

    Passos vai ser o próximo rei de Portugal. Quem não concordar é comunista. Nova monarquia JÁ!

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