Solução para greves na Função Pública

Funcionários públicos são pessoas muito descontentes. Praticamente todos os anos há greves que acabam por afectar significativamente o dia-a-dia dos restantes cidadãos, incluindo – quando há greves nos hospitais – a qualidade dos cuidados de saúde destes.

A origem das greves pode resumir-se numa perigosa combinação de duas causas e têm uma simples solução. Enumerando-as:

  1. Estado é péssimo patrão. Organizar e gerir entidades com centenas de milhares de empregados é uma tarefa hercúlea que requer experiência e talento de profissionais difíceis de contratar. Em vez disso, no Estado os”gestores de topo” estão limitados por motivações políticas e, mesmo que obtenham algum sucesso, são trocados a cada ciclo eleitoral. Solução não é, como ironicamente Manuela Ferreira Leite afirmou anos atrás, uma ditadura de 6 meses. Privatizar é melhor alternativa. Continuará a haver maus patrões e más empresas mas terão de concorrer com os bons gestores e empresas que oferecem melhores serviços. Além disso, ex-funcionários públicos poderiam escolher para qual patrão trabalhar.
  2. Sindicatos públicos têm demasiado poder negocial. Dada a dimensão do Estado, uma greve de professores, médicos, enfermeiros, administrativos, etc tende a causar maior impacto económico, político e mediático que qualquer outra greve no sector privado. E, visto o impacto financeiro na bolsa dos milhões de contribuintes (“accionistas do Estado”) ser diluído pelos vários impostos pagos (maioria indirectos), classe política aos poucos vai cedendo às exigências sindicais (se dão tudo, no próximo ano querem ainda mais!). Solução? Privatizar. Sindicatos de empresas privadas têm de contrabalançar benefícios de uma greve com potencial consequência na saúde financeira (presente e futura) da empresa. Veja-se o exemplo da AutoEuropa.

Como “accionista” do Estado, os dois pontos acima preocupam-me. Como defensor da liberdade, a solução motiva-me.

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9 thoughts on “Solução para greves na Função Pública

  1. Mario Figueiredo

    Aliás o estado-empresa do socialismo, comandante do desenvolvimento do país e gerador principal dos seus resultados económicos, é particularmente mau em Portugal, onde os estado já demonstrou historicamente que é incapaz de gerir uma empresa, torná-la lucrativa e fazê-la crescer de forma sustentada.

    Via impostos, toda a população activa de um país é chamada a contribuir para o desenvolvimento das empresa do estado. E ainda assim, desta posição privilegiada face a qualquer empresa privada, o estado simplesmente não consegue gerar riqueza duradoura.

    A história de buracos financeiros em empresas públicas portuguesas pode ser contada como quem conta espinhos em ouriços caixeiros. e o próprio estado foi um enorme buraco financeiro em 2011 que estamos ainda hoje, 7 anos depois, a tentar tapar.

    Com este tipo de gestão financeira, os funcionários públicos estarão para sempre reféns do lado que estado acorda de manhã. Se o tempo é de contenção, serão atingidos por congelamentos de carreiras e salários, e contratação de mais recibos verdes com despedimentos de outros. Se o tempo é de mostrar trabalho, então tomem lá uns aumentos salariais de 1% com aumentos de impostos indirectos de 1.5% e promessa de descongelamento de carreiras faseado, com impacto lá para próximo das legislativas de forma a que se use para campanha eleitoral e depois se consiga reverter, caso se ganhe com uma maioria mais confortável.

  2. E esta justíssima greve não terá nada a ver com o facto de o CDS ter encostado o PCP e BE à parede, obrigando-os a dar a cara por Costa? É que assim já não parecem tão lacaios do PS.

  3. “Privatizar é melhor alternativa”. Esta frase é dogmática, e serve para pouco. Existem vários exemplos de privatisações e/ou desregulamentação desastrosas, mais a vertente das PPP. Especialmente no contexto Português, tornar um monopólio do estado, num monopólio privado, pouco tráz aos consumidores, excepto custos, eg.: PT/EDP/GALP/BRISA/etc..

  4. É isso mesmo, privatiza-se tudo e essa malandragem deixa de fazer greve.
    Já agora podem privatizar a EFACEC, a PT/Meo/altice, a Sociedade Mineira de Neves-Corvo, a Aliança Panificadora de Algés, e o Minipreço.
    E sobretudo privatizem o futebol. Não esqueçam que os malandros dos árbitros ameaçam fazer greve.

  5. Mario Figueiredo

    “Como accionista do Estado”

    Não me apetece cair nos mesmos neologismos de sempre. Na República Portuguesa, o papel do cidadão no sistema democrático ao serviço do socialismo dos últimos 40 anos, é melhor comparado ao da plebe ao serviço do senhor feudal.

    Não existe nada na história de Portugal desde a Implantação da República que indique qualquer relação accionista com estado. Muitos gostam de atirar para o ar os grandes avanços da democracia Portuguesa. Mas a superficialidade com que tal argumento é sempre usado é propositada, e serve para esconder a realidade de um país que tem vindo a engordar o peso do estado na vida dos seus cidadãos desde que nos mentiu com a promessa de liberdade individual sob a efígie da República.

    Somos, isso sim, desde o século VIII, pagadores da “talha” e da “capitação”. E vamos apenas alterando e disfarçando a natureza da Vassalagem (essa forma moderada de escravidão) que prestamos aos nossos senhores, o Estado. Que tem vindo a crescer e a se tornar cada vez mais poderoso.

  6. A. R

    Ganham mais 30% que o privado, mais férias, reformas mais cedo, melhores pensões, menos riscos de despedimento, menos horário de trabalho … vivem do parasitismo (a maioria claro).

    Em Venezuela onde se morre de fome e em Cuba onde se ganha um máximo de 20Euros por mês foi atingido o nirvana: nada de greves. Se houver, ou se votarem no partido errado, os grevistas vão para o olho da rua.

  7. Guna,

    PPP não é privatização. PPP é Paga Povo Palerma. Um bom negócio não precisa de ser público.

    Talvez tenha memória para se lembrar da PT pública: seis meses para instalar um telefone e a segunda tarifa mais cara do MUNDO inteiro (a Indonésia ao menos tinha três mil ilhas como razão).

    Quer mais exemplos? Tenho às dezenas.

  8. Francisco, mais exemplos??? A PT basicamente faliu, e sabemos bem porquê! A privatização dos caminhos de ferro no R.U. resultou em mortes, a companhia foi e conitua nacionalizada. A saúde é outro bom exemplo é a privatização dos cuidados de saúde, compare os resultados nos E.U.A. com o resto da OCDE. Até à data, há sectores em que ausência do estado como fornecedor não resulta.

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