Retrato de um político grotesco

O dr. Costa é mau demais para ser mentira, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

(…) O dr. Costa, em suma, é mau demais para ser mentira. Infelizmente, como estamos em Portugal, é péssimo o suficiente para ser verdade. E a crítica da especialidade, que alucinadamente começou por atribuir ao homem inconcebíveis virtudes, ainda não terminou de venerá-lo – apenas conteve a veneração durante a semana, já que, parecendo que não, cento e tal mortos sempre impõem algum recato.

(…) A título de contexto, há o passado do dr. Costa na Administração Interna, onde cometeu a proeza de agravar trapalhadas herdadas do dr. Santana e, com típica leveza (para dizer o mínimo), consagrou o SIRESP às três pancadas e, por influência de um amigo e da impunidade, adquiriu os portentosos Kamov. E há o radioso momento em que, semanas antes do último Verão, o dr. Costa trocou as chefias da Protecção Civil por amigos (ele tem muitos) de reconhecida competência. E há Pedrógão Grande. E há a resposta do dr. Costa às vítimas de Pedrógão Grande, abandonadas a protectores que não protegem, um sistema de segurança que não funciona e helicópteros que não voam enquanto Sua Excelência desfilava calções e compaixão numa praia espanhola. E há a conversa fiada e as promessas reles que o dr. Costa despejou sobre os escombros de uma das maiores calamidades registadas do género. E há, quatro meses depois, uma calamidade quase idêntica em dimensão e incúria. E há a criminosa arrogância do dr. Costa, que, inchado pela vitória nas “autárquicas”, redobrou o desdém face aos que o maçam com ninharias (“Ó minha senhora, não me faça rir a esta hora”). E há a pedagógica “comunicação” ao país, na qual exibiu um cinismo que, em cérebro superior ao de um laparoto, talvez sugerisse indícios de psicopatia. E há a demissão, em último recurso, da ministra da Administração Interna, uma inultilidadezinha versada em disparates, e o tapete de que o dr. Costa se serviu para esconder o lixo. E há a substituição da ministra em prol de um amigo do dr. Costa (não disse que são imensos?), garanhão celebrizado por chamar “frígida” a uma adversária. E há, sobretudo, a reacção apressada ao ralhete do prof. Marcelo, encenada numa sessão parlamentar em que o dr. Costa tentou fingir que chorava e conseguiu demonstrar aos distraídos o indivíduo extraordinariamente lamentável que de facto é. (…)

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2 thoughts on “Retrato de um político grotesco

  1. Alô Dr. Marcelo, se não sabe ou faz que não sabe isto venha cá.
    Começou por lhe dar apoio dizendo em Pedrogão que foi feito tudo o que era possível fazer.
    Chegou ao desplante de mandar calar quem criticava.
    Acabou agora por abrir o livro que já todos tinham lido, mas parecendo ser o ultimo a verificar e perceber já quando o homem estava praticamente por terra.
    Aproveitando oportunisticamente ocasião negra para um deplorável personagem não apaga o colo com que quis aconchegar figura tão sinistra.
    Tão sinistra e grotesca, que vomitando indignidade se vergou cobardemente sem responder à letra a um comparsa de percurso empenhado na pantomina até às orelhas.

  2. Manuel Assis Teixeira

    Como sempre um grande artigo do Alberto Gonçalves! Quanto ao Costa foi finalmente desmascarado! Perante a população porque por estes blogues há muito que o seu sorriso serafico nao enganava. Caiu-lhe a imagem de politico muito experimentado e que dava sempre a volta! Afinal cometeu erros basicos porque nunca deixou de ser um básico que apenas teve boa imprensa e amigos nos sitios certos. O país pagou nestes meses caro a sua gestão como MAI ( kamov e outras alarvidades) e como 1 ministro e vai pagar carissimo a sua gestao acual como 1 Ministro! A chamada do Torquemada Cabrita para MAI é mais um exemplo de como Costa e ” poucochinho” e rodeia-se cada vez mais,nao de competencia mas de aparatchiks mediocres para se sentir seguro no Castelo! O principio do fim de Costa chegou e ele sabe-o. Vai perder o sorriso serafico e a desfaçatez!Mais de 100 mortos não vao deixar
    que ele prossiga! Estas semanas, estes meses nao serao esquecidos! E desta vez nao há bons numeros economicos – que sao gracas à iniciatica privada e à conjuntura internacional e zero ao governo – nao há agências de comunicaçao ,que o salvem! O povo tem memoria e nao vai esquecer! O alarve ” ó minha senhora nao me faça rir” quando o país ardia e as pessoas morriam queimadas serão o seu epitafio politico!

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