(des)Consolo

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Fiquei um bom bocado a olhar para esta imagem. É um retrato que encerra muito do que passou nos últimos dias. (ou serão meses?) E, muito do que se passou, passou completamente ao lado de Lisboa.

É um retrato de um Presidente desconsolado que se esforça por consolar uma mulher inconsolável. Vidas de trabalho. Vidas que se tecem numa entre-ajuda permanente. E que se desfizeram em menos de nada, tantas vezes a ajudar o outro: um filho, um pai, um irmão, um vizinho, um desconhecido. Ou até um animal. Em Lisboa todos os cães têm nome, mas aqui até as vacas têm nome. Há gente que morreu a tentar salvar os seus animais, caramba! E não, não os levavam ao restaurante. Se calhar muita desta gente também nem terá entrado num, senão eventualmente por ocasiões festivas.

O muito que este fogo queimou pôs a nu um país que muitos desconheciam. E expôs, vergonhosamente, o fosso que separa a cidade e as serras. Antes de olharmos para a frente, é tempo de nos olharmos de frente. É tempo de percebermos que Portugal é demasiado pequeno para vivermos divididos entre litoral e interior ou Norte e Sul. Estes fogos não podem voltar a acontecer, mas este abandono a que as pessoas se viram votadas muito menos. É intolerável.  Não pode mesmo repetir-se.

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3 thoughts on “(des)Consolo

  1. Aqui há dias, num post duma amiga, li que um determinado rapaz, juntamente com alguns amigos, arranjaram uma carrinha, encheram-na de alimentos e água e foram visitar algumas das aldeias da Beira, situadas nos Concelhos de Arganil e de Oliveira do Hospital. Uma delas foi onde nasceu o meu avô, Anceriz. Metade estava ardida e não viam ninguém na rua. Resolveram bater à porta de uma das poucas casas que não arderam e para espanto, surgiu uma senhora bastante idosa, com várias queimaduras e uma das queixas é que nem havia água e electricidade há dois dias (leia-se 2 dias após os incêndios). Entretanto começaram a aparecer mais idosos com as mesmas queixas. Juventude e meia idade Nada!
    E isto pelo que nós sabemos, nas aldeias do interior e em zona de serras só existem pessoas desta faixa etária e infelizmente a tendência dessas aldeias é mesmo para desaparecerem.
    Agora vou para as palavras do tal Secretario de Estado, pelos vistos um valentão, enérgico e cheio de forças, jovem de certeza absoluta, que disse as populações têm que ser resilientes e pró-activas e serem os primeiros a defenderem-se dos incêndios…..
    Este “homem” devia ser preso de imediato!
    Nota: o autor do post, após cumprirem o que se tinham proposto foram aos Serviços de Protecção “covil” mais próximo e de lá responderam que não sabiam de nada….

  2. É uma foto tocante.
    Dito isto, Marcelo é o Presidente da República, e se não tem responsabilidades nesta catástrofe, pode fazer algo. Perguntas. Actos.
    Onde estão os milhões doados após Pedrógão Grande? Quanto foi ao certo? Falou-se em 17 milhões e em 34 milhões, mas só dei conta de 2.3 milhões, e não foram para as vítimas.
    As pessoas estão a receber os donativos? É que parece que não. Importa esclarecer isso, e rápidamente, porque nos incêndios de Outubro já ninguém doou nada.
    Vem aí o Inverno, e para bem de todos é bom que seja bastante chuvoso, mas o que vai ser de quem ficou sem casa? Sem emprego? Sem quintas, hortinhas, pomares, galinhas?
    Temos a certeza que a AT não vai cobrar o IMI a quem viu a casa arder? Que a EDP não vai enviar facturas da potência contratada mais a taxa do audiovisual a quem ficou sem casa? Que os carros que arderam não vão ter de pagar o IUC? Que quem fugiu da morte pelas Vias Verdes não vai receber uma multa da Brisa?
    É que isto é Portugal, Sr. Presidente, não é impossível que daqui a uns anos se descubra que os donativos desapareceram nos bolsos de alguma espécie de Sócrates, enquanto as vítimas são automáticamente penhoradas no nada que lhes resta.

  3. Euro2cent

    > Marcelo é o Presidente da República,

    Nah, esse é a rainha de Inglaterra.

    Presidente da República era o camarada Compaio, que demitiu um governo porque havia trapalhadas gravissimas como um secretário de Estado do Desporto bater a porta por ter joanetes, ou lá o que foi.

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