Miserável

Numa conferência a propósito do Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, organizada esta terça-feira em Lisboa pelo Montepio, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, disse que, dos 2,6 milhões de euros angariados pelo banco público para as vítimas do incêndio que deflagrou em junho em Pedrógão Grande, alastrando a outros concelhos e deixando mais de 60 mortos e que estão a ser geridos pela Fundação Calouste Gulbenkian, “uma parte já foi para projetos concretos e cerca de 500 mil euros vão ser aplicados junto de instituições de saúde para equipar as que tem ajudado as populações, quer nas unidades de queimados quer noutras, na zona de Coimbra”.

 

A ver se consigo fazer perceber ao Dr Paulo Macedo uma coisa muito simples: o dinheiro doado pelos portugueses em Junho deste ano para ajudar quem sofreu com os incêndios de Pedrógão, não foi doado para ajudar o Orçamento de Estado. Foi para ajudar pessoas concretas, que perderam família, casas, meios de sustento, etc. Equipar os Hospitais é responsabilidade do Estado por via dos impostos e orçamento do Ministério da Saúde. Usar o dinheiro da solidariedade dos portugueses com as vítimas de Pedrógão para cobrir buracos do OE ou incapacidade do Ministério, que ainda há dois anos dirigia, é abaixo de cão (embora qualquer cão mereça mais respeito que o CEO da CGD depois disto), é miserável, é inqualificável. A lata, a tremenda lata de mais de que pensar ou executar uma enormidade destas é ser capaz de o referir como um acto razoável (sequer). Nem eu tenho vernáculo suficiente para isto. Isso, continuem a doar para contas geridas por gente desta estirpe. E nem quero imaginar, nem muito menos saber, o que são os tais “outros projectos”.

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16 thoughts on “Miserável

  1. Obrigado por partilhar, estou a ver canais de nticias há 2 horas e não vi ou ouvi nada disso. O costume.

    Eu tenho o Paulo Macedo como honesto e competente, nem como pau mandado o vejo. Será que foi para reforçar equipamentos nas Aldeias? Eles devem precisar de assistência movel. É isso?

    Se não for nada disso, vou ter uma grande desilusão de carácter.

  2. Filipe, quem precisa de ajuda (e as doações foram para isso) são pessoas concretas. 500 mil euros podem recuperar várias casas, ou podem ajudar empresas destruídas a recuperar e aguentar o sustento de muitas famílias. Ou, ou, ou…Agora, servirem-se disto para substituir responsabilidades do Orçamento de Estado é abaixo de miserável, é um roubo descarado.

  3. Entendi Helder, faz o corte correcto entre donativos e OE, mas uma ultima pergunta, o IVA ds chamadas do 760****** e das compras de oferendas quem embolsou?

  4. Vindo do Paulo Macedo, fiquei atónito. Não fiquei nada bem. Vou pensar nos poucos politicos (este para mim era técnico e bom) em que ainda acredito. Os dedos de uma mão sobram.

  5. O pensamento está-lhes sempre minado pelo estatismo.
    A doação para pessoas concretas, como refere, é a caridadezinha.
    As pessoas não podem fazer isso. É o Estado que tem de gerir esse dinheiro.

  6. André Miguel

    Atlas Shrugged devia ser leitura obrigatória a toda a gente para perceberem o estado da nação. Estamos quase no fim do caminho para a servidão.

  7. Talvez pelo que sucedeu aos donativos às vítimas de Pedrógão Grande – o dinheiro andou desaparecido, e não creio serem apenas 2.6 milhões – duvido que as vítimas do Outubro Negro venham a receber a solidariedade nacional.
    Em casos destes está visto que o Estado é o pior fiel depositário do dinheiro. O que não é logo roubado em impostos fica na máquina, e o que sai da máquina é distribuído segundo critérios duvidosos.
    Donativos são dádivas de particulares anónimos para fazer face a uma situação que devia ser da inteira responsabilidade do Estado. Portanto o Estado falha e há que recorrer ao peditório. E o Estado que falha nas suas responsabilidades rouba – é o termo – o seu quinhão da caixa das esmolas. Esse dinheiro devia estar isento de quaisquer taxas, impostos ou comissões.
    António Costa é um ladrão do calibre do seu tutor. Ou pior.
    E o resto? Quem recorda os cartazes histéricos do BE do tempo de Passos Coelho? “Nem mais um cêntimo para a banca equanto houver crianças com fome!’” – lembram-se? Muitos milhares de milhões de euros depois (para a banca) os bloquistas primam pelo silêncio. O silêncio é de ouro diz o povo, e para o BE tem sido mesmo.
    Nunca tive respeito por essa esquerda caviar, mas desde que sentaram meia nalga à mesa do Orçamento metem nojo.
    Portugal não tem um governo, tem lugares ocupados no aparelho de Estado.
    O que acho absolutamente incrível é Costa não ser recebido com paus e pedras onde quer que chegue. Desde que comecei a ouvir falar dessa sinistra personagem foi sempre pelas piores razões – as asneiras na CML, as asneiras no governo de Sócrates, a traição abjecta a Seguro, e a Geringonça e tudo o que ela tem implicado e vai implicar por gerações.
    Quanto a Paulo Macedo, cada vez me parece mais um mercenário a soldo de quem dá mais. Tem futuro.

  8. Não percebo como ainda há alguém a demonstrar um mínimo de consideração por um escroque cuja maior (única) notoriedade foi ter transformado a máquina fiscal num mecanismo ostensivo de extorsão.

    Aquilo que o Helder descreveu chama-se roubo. Roubo legal, como diria Bastiat. Mas roubo, ainda assim.
    Pode haver quem lhe chame chico-espertice ou o raio que o parta, mas isto é pura e simplesmente um escandaloso roubo.

    Honestidade já sabíamos que esta escumalha não tem.
    A vergonha parece que também já a perdeu.

  9. lucklucky

    “honesto e competente”

    A uma das pessoas que mais contribuiu para destruir a liberdade em Portugal?

  10. Aí está o resultado de terem embolsado o dinheiro de Pedrógão Grande, o director da Cáritas queixa-se, no Sapo, que desta vez ninguém ainda se ofereceu nem contribuíu, o que nunca tinha sucedido.
    O povo é solidário, mas não é parvo. Pelos vistos nem os votantes na Geringonça.
    Muito triste, tudo isto.

  11. Num país onde a vergonha deixou de ser moeda corrente, todo o roubo é possível. Sacar para o Estado as dádivas dadas, com o coração, por este povo maravilhoso, para os infortunados dos fogos, é um acto inacreditável num país civilizado. Contudo, como isto já bateu no fundo, o rastejar pode ser uma nova regra de convivência.

  12. O Sr. Hélder Ferreira contribuiu ? Caso contrário não é bonito estar agora preocupado ou escandalizado. Se contribuiu com pelo menos 1 euro, então tem toda a razão.

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