Orçamento De Estado 2018: Quem Paga e Quem Recebe

Como toda a gente deve saber, o estado não produz riqueza alguma. Toda a riqueza que distribui é retirada de forma coerciva aos contribuintes para depois a distribuir. Distribuir riqueza é muito fácil, o difícil é produzi-la.

Cidadãos que nunca seriam capazes de roubar o que quer que fosse do seu concidadão, não se coibem em aceitar e pedir ao estado (esse intermediário impessoal) que o faça por si.

Com dados retirados do relatório do orçamento de estado para 2018, a tabela e o gráfico abaixo ilustram as diferentes fontes de receita e as várias parcelas de despesa do orçamento para o próximo ano, sendo o défice a diferença entre a receita e a despesa.


Algumas notas importantes:

  • Num ano em que o orçamento prevê um crescimento do PIB de 2,2%, o mesmo orçamento prevê que a receita aumente 3,8% e a despesa aumente 2,9% (a redução do défice é assim explicada por um aumento maior da receita do que da despesa).
  • As prestações sociais e as despesas com pessoal representam dois terços do total da despesa, isto é, 66%. Qualquer reforma do estado digna desse nome terá que endereçar estruturalmente estas duas parcelas.
  • Existe uma diferença de 13,7 mil milhões de euros entre as contribuições sociais (23,6 mil milhões) e as prestações sociais (37,1 mil milhões).
  • Apenas em juros – o estado vai gastar mais de 7 mil milhões de euros (cerca de 8% da despesa total). Ainda assim, uma redução de 5,8% do valor dos juros a pagar face a 2017 resulta num alívio na despesa de 443 milhões de euros em relação ao ano anterior.
  • Para 2018, o orçamento prevê um crescimento do investimento público em mais de 40% (que se encontra em valores historicamente baixos em percentagem do PIB).

Para terminar este post, deixo abaixo um pensamento de Frédéric Bastiat.

Anúncios

6 thoughts on “Orçamento De Estado 2018: Quem Paga e Quem Recebe

  1. Se ao lado destes gráficos se colocasse a dívida pública seria mais óbvia a urgência de pagá-la. Algo que Passos Coelho percebeu e Costa empurra para a frente.
    Sendo cerca de 130% do PIB, grosso modo pode dizer-se que se pagaria em 1.3 anos, desde que o gráfico da direita fosse reduzido a zero – significando isso que o Estado durante 1.3 anos não pagaria absolutamente nada a ninguém, e de algum modo conseguia continuar a arrecadar as receitas do gráfico da esquerda.
    Atenção que não é impossível de todo, recorrendo ao confisco total, ou como disse a deputada Mortágua, ir buscar o dinheiro onde ele está.
    Como um corte de 100% nas despesas lançaria o país no caos e miséria totais, há que suavizar o processo. Por exemplo um corte de 10% na despesa durante 13 anos, ou de 5% durante 26 anos.
    Ora com este executivo a despesa voltou a aumentar, e a dívida também, é por isso muito preocupante aquela “tirinha” negra no gráfico da esquerda. O sinal que dá aos mercados é que Portugal é incapaz de pagar a dívida. Isso fará com que a médio prazo os juros saltem de 8% da despesa para valores da ordem dos 16%, num cenário não muito mau – estamos a pagar juros historicamente baixos.
    Para não assustar ninguém é melhor nem colocar por aí um gráfico com o valor da dívida pública mais a privada – mas é bom ter em conta que também essa terá de ser paga, e em última análise recairá sobre a dívida pública, dado que em último recurso as instituições financeiras recorrem sempre ao Estado.
    Não vejo nada que indique sequer o reconhecimento da muito frágil situação do país, muito menos medidas para resolver o problema. Houve, no governo anterior, mas a iliteracia financeira é tão grande que o povo engoliu o conto de fadas que lhe continuam a contar.

  2. para pagar 250 MM seriam necessários 2.8 anos da receita total do estado português….não é que altere muito o cenário, mas convém ter algum rigor nas contas. Seriam necessários 60 anos para amortizar a dívida com uma cativação de 5% das atuais receitas do Estado (com uns cálculos muito simplistas sem ter em conta a poupança de juros)

  3. Anticapitalista

    REPAREM AGORA NOS PRÓXIMOS OEs QUE A VENEZUELA VAI APROVAR DAQUI EM DIANTE COM ESTES RESULTADOS DE DOMINGO:

    El chavismo obtuvo el 54 por ciento del voto nacional, frente a 45 por ciento de la oposición, destacó el mandatario Nicolás Maduro.

    La Revolución Bolivariana ganó 17 de 22 gobernaciones del país en los comicios regionales de este domingo, informó la presidenta del Consejo Nacional Electoral (CNE), Tibisay Lucena. Solo el estado Bolívar no tiene una tendencia irreversible.

    Con la tendencia irreversible de 22 estados y con el 95,8 de transmisión, la Revolución Bolivariana ganó 17 gobernaciones y la oposición cinco.

    La participación electoral fue de 61,14 por ciento, detalló la rectora del CNE. Una cifra superior al 53.94 por ciento de los comicios regionales de 2012.

    E esta hein!?!?…

  4. Aónio Lourenço

    Desde quando impostos são um roubo apenas por serem coercivos? O caro por certo nunca leu Max Weber que resolveu esse dilema ético há mais de cem anos. Seria como dizer que a PJ quando entrou na casa de Sócrates para fazer buscas domiciliárias, violou a sua sacra propriedade privada e por coseguinte, Sócrates poderia tê-los recebibo legitimamente ao tiro de caçadeira. O único regime que conheço que defende a abolição de impostos é o anarco-capitalismo.

  5. Aónio Lourenço

    @Paulo guedes

    250 mm€ são cerca de 130% do PIB, o que corresponde aproximadamente a 1 anos e quatro meses de produção nacional, e não a 2,5 anos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s