Evoluções nas Eleições Autárquicas (PSD)

Antes de fazer alguns breves comentários, aqui está a evolução das Presidências de Câmara do PSD (a azul: coligações com CDS, a preto: coligações com outros).

PSD

Agora a evolução da mesma variável, mas para o PS (vermelho para coligações).

PS

O resultado das Autárquicas de 2013 tinha sido o pior de sempre, com 106 Câmaras.

O PSD teve agora uma derrota devido a diversos factores:

  1. A incapacidade do PSD de cativar os “Grupos de Cidadãos” por todo o país.
    Quase todos esses grupos são de pessoas à direita que não se revêem no PSD, o que é grave para o partido e para a direita em geral.
  2. Mudança de ciclo em 2013, com a “extinção dos dinossauros” que não se puderam recandidatar, logo no ano em que o partido estava no poder a impor políticas de aperto de cinto impostas pelo endividamento de Sócrates. Sem dinossauros, perderam-se várias câmaras e agora em 2017 estas não se recuperaram.
  3. Costa subiu pensões pouco antes das eleições. Ganhou o PS, ganharam as câmaras instaladas, reforçaram-se maiorias (ex: Santarém e Faro são Câmaras PSD que estavam 4-4-1 e agora estão 5-4, dispensando em ambos os casos o vereador comuna). À custa do endividamento, mas isso que se dane. Depois vê-se.
  4. Desgaste da “marca“, associada hoje à austeridade, que certos comentadores dizem que o PSD fez por “prazer” (!) e ideologia (!) liberal (lol), como se um partido político não tivesse prazer em ser popular. Aguardo novo ciclo, que terá de ter este ponto em consideração (populismo? despesismo? austeridade de rosto humano?).
  5. Incapacidade de Passos se impor a opções locais e apostar em candidaturas fortes. 10% em Porto e Lisboa. 4º em Gondomar e Matosinhos. Perda de São João da Madeira e Oliveira de Azeméis. Todas estas derrotas pesadas poderiam ter sido pelo menos mitigadas com candidatos mais fortes.

Na minha interpretação, uma perda de 7% das câmaras é uma derrota, mas não é uma derrota catastrófica – à PCP, ou como a do PS em 1979, ou do PSD em 2013.
Passos cai não pelos resultados autárquicos mas também por causa dos resultados autárquicos. Estes vêm no seguimento de uma liderança que perdeu os media, perdeu as universidades (culpa de Passos, que instalou Bilhim), tem vindo a descer nas sondagens para legislativas, tem um discurso cansado à espera da queda da geringonça, tem vindo a perder apoio nas estruturas, e que agora depois de tudo isto tem uma derrota nas autárquicas. As Autárquicas foram a gota de água. Nos próximos dias veremos o futuro.

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7 thoughts on “Evoluções nas Eleições Autárquicas (PSD)

  1. Continuo acima de tudo centrado em Costa e não o largo.
    Um conhecido batoteiro só com uma emboscada torpe e rastejante poderia abater um homem vertical.
    Que Ironicamente continua de pé, enquanto o furtivo atirador vai arrastando os joelhos por terra.
    No rescaldo destas eleições Interessa-me mais o que ele seria capaz de dizer se não precisasse dos ainda alinhados aliados da carroça.
    Deve ser lembrado que Costa cavalgando uma derrota arrebanhou os que agora lhe seguiram as pisadas no afundamento.
    Dos escombros a três se faz um vencedor, sendo de uma hipocrisia e lata sem medida a vinda a terreiro para aconchegar o PCP depois de um descalabro sem medida.

  2. “culpa de Passos, que instalou Bilhim”

    Sim, de longe o maior erro de Passos foi ter colocado Bilhim, um socialista dos 4 costados, à frente de CRESAP que eliminava os melhores candidatos dos concursos, mandando para os ministros PSD listas de 3 pessoas, em que um era o boy do PS e os outros dois eram candidatos desclassificados não deixando ao ministro PSD alternativa senão nomear o boy PS. Consequentemente, as chefias intermédias ficaram inundadas de filiados PS, muitos deles rematados incompetentes, e que se não boicotaram a ação do Governo Passos, também não mostraram rasgo nem liderança, mas passavam inside information para os deputados do PS que estes usavam para sistematicamente entalar o Passos no Parlamento. O segundo maior erro de Passos foi entregar as decisões autárquicas às estruturas locais, isto depois de em 2013 essa estratégia ter dado um péssimo resultado. O terceiro erro foi não ter percebido que a geringonça matou o interesse do PSD num CDS autónomo. Isso justificava-se quando o PSD queria seduzir os votantes do centro que oscilam entre PS e PSD (e que têm alguma relutância em votar num CDS incluído numa coligação pré-eleitoral). Já não se justifica na era pós-geringonça em que esses votantes do centro têm de decidir se querem o CDS no Governo ou o BE/PCP. E portanto estas eleições autárquicas deveriam ter sido um ensaio de uma enorme coligação nacional, em que CDS e PSD concorreriam com listas conjuntas, mesmo nos municípios onde o Presidente já era do PSD. Se Passos tivesse seguido esta estratégia, neste momento poderia estar a celebrar a queda de António Costa e Portugal estaria livre de um dos maiores trastes que já apareceram na política portuguesa. Percebe-se que Passos, por razões pessoais, não tenha grande disponibilidade mental para perceber o que se estava a passar; a única questão é esta: “Passos não tinha nenhum conselheiro capaz?”

  3. Para quê tantos gráficos, tantas teses, tantas trancas depois da porta arrombada? Passos devia ter feito muitas coisas de modo diferente? Sim, começando por aprender a comunicar, mas não é agora o momento certo de lhe dizer, já foi. O homem sai, e faz bem – lutou contra um lunático, contra uma bancarrota, contra a Geringonça, e nunca perdeu. Deve estar farto de ainda por cima lutar contra o seu próprio partido.
    O homem ganhou as legislativas e nem sequer ficou muito mal nestas. Pior ficou o PC e dali ninguém arreda pé.
    Não sei quem vai para o lugar dele. Desconfio que algum que se vai “amanhar”, como se diz. E lá anda o Minion Mendes e a Manuela “temos que suspender a democracia” Leite, e outros carunchosos (Ângelo Correia? Ângelo Correia???) e o Santana “nunca entraremos no Montepio, nunca!” Lopes, e outras múmias desenterradas a elogiarem a saída digna – que é – de quem sempre odiaram. Falta aparecer o Zezé Beleza e o João de Deus Pinheiro.
    Um dos males do PSD é o PSD. Marcelo odeia Passos, Cavaco até com Sócrates se dava melhor, e a terceira idade do PSD odeia Passos, como já odiou Cavaco.
    Mas nada de novo, o PSD sempre que esteve no poder teve sempre a mais feroz oposição…do PSD.
    O PSD é um mistério. Produz líderes competentes vindos do nada e não tem nos “históricos” senão lixo e azedume – o PS produz líderes inenarráveis e tem nas suas fileiras grandes homens, competentes, e suficientemente inteligentes para não se misturarem com o lixo e azedume da liderança.
    Quem ganha com isto é Assunção Cristas. Com Rio na liderança o PSD vai ser sovado nas próximas legislativas. Pelo CDS. Basta Cristas ser paciente, não embarcar em alianças contra-natura, e deixar caír tudo à volta. O fruto que Passos colheria, mais tarde ou mais cedo, vai caír-lhe na mão. O futuro do PSD não é Rio, é o CDS.

  4. lucklucky

    Eu olho para estas opiniões e pergunto-me o que quer a direita, parece-me que querem simplesmente a gestão do socialismo pelo PSD em vez de ser pelo PS.

  5. AB

    ““O PSD é um mistério. Produz líderes competentes.”

    Não vi nenhum”

    Acredito que você não os veja.

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