Guerra às crianças

O meu texto de ontem no Observador.

‘Eu sei, eu sei: os milhões doados para alívio das vítimas de Pedrógão, de que o PS apressadamente se apoderou para distribuir como se fosse a generosa origem do dinheiro, estão em parte incerta; o relatório sobre Pedrógão foi atrasado para depois das eleições autárquicas, que o PS não brinca em serviço nem deixa que 66 mortos lhe atrapalhem pretensões eleitorais; a ministra da Administração Interna pede relatórios atrás de relatórios sobre o que corre mal – no caso, as refeições próprias de alturas de más colheitas na África subsaariana dadas aos bombeiros – como se não lhe coubesse antecipadamente garantir que uma ou outra coisa, pelo menos, corresse bem. E um quilométrico etc.

Mas deixem-me voltar ao caso dos cadernos de atividades que foram retirados por coação do ministro Eduardo-‘frígida’-Cabrita e a sua Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Porque, com a recomendação da CIG, iniciou-se a tentativa de institucionalização daquilo que as crianças do sexo feminino não podem fazer.

Em 1917 as meninas tinham de ser prendadas, não podiam correr como os rapazes nem subir às árvores, tinham de saber bordar e tocar piano, usavam roupas que lhes tolhiam os movimentos, desporto só, com sorte, ténis. Em 2017, as meninas não podem vestir cor de rosa (atenção, um menino transgénero pode vestir cor de rosa para se afirmar menina, mas as miúdas têm de escolher azul ou uma cor neutra), as princesas foram guilhotinadas e joguem futebol feminino faz favor.

Os espartilhos colocados às meninas mudam mas permanecem afiados. Jamais deixar a meninada escolher cores e atividades e brinquedos, com toda a liberdade conforme os gostos, desde o karaté à ginástica rítmica. Melhor negar o direito às miúdas de usufruírem de qualquer divertimento associado ao universo feminino. (Horror! Repitam mantras satânicos para vos proteger desse pavor que são TODOS os comportamentos femininos.)’

O resto está aqui.

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14 thoughts on “Guerra às crianças

  1. jo

    Então são as crianças que compram aqueles livros de atividades, ou são os pais?
    Que liberdade têm miúdos de 5 anos de escolherem livros de exercícios?
    De que maneira é que dizer a crianças de 5 anos que há exercícios de matemática que não são para eles, porque são próprios do outro sexo, lhes aumenta a liberdade?
    Porquê esta fixação nas meninas? Pensava que eram dois cadernos, um para meninos e outro para meninas.
    Porquê fazer livros de exercícios diferentes, se o que se pretende ensinar é o mesmo?
    Agora os fabricantes de eletrodomésticos, por exemplo, vão ter fazer manuais com capas azuis e com capas rosa, conforme quem compra é uma mulher ou um homem?
    Onde viu proibir o rosa às meninas? Isto inventar uma proibição para se poder indignar com ela é o truque mais velho do livro (capa escondida em papel pardo).

  2. lucklucky, essa gente é maquiavelica. Isso das fardas unissexo frustra completamente as aspirações que os meninos transgenero têm em usar saias.

  3. Que Deus me perdoe se tal pensamento é pecaminoso, mas nunca me passou pela cabeça ver um fulano tão trapalhão e atrapalhado a passear-se por aí na pele de 1º ministro.
    Dado o histórico de piruetas, rasteiras, contradições e sermões tão especulativos como desavergonhados, a que chamam habilidades, ver a plateia a aplaudir é mesmo o fim da macacada.

  4. lucklucky

    EMS

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-4266166/RAF-ban-women-wearing-skirts-parade.html

    The RAF has banned servicewomen from wearing skirts on parade so that transgender personnel don’t feel excluded.

    The MoD has taken the stance on uniform after an increase in trans recruits and it hopes that the move will show it is a ‘modern’ and ‘inclusive’ force.

    However, the decision has been slammed by servicewomen as political correctness gone ‘mad’.

    (…)

  5. lucklucky, eu bem disse que há uma conspiração para impedir os pobres transexuais de usarem saias. Agora nem na RAF.

  6. lucklucky, a tropa e os colégios betos são antros de marxismo. Conhece alguma coisa mais igualitária que um uniforme?

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