Censura no tempo da geringonça

O tempo sem Cavaco, a crónica de Alberto Gonçalves no Observador.

A propósito do Grande Escândalo da semana passada, perguntei aos meus botões porque é que os novos censores se ofenderam tanto com os livrinhos “sexistas” da Porto Editora e não se ofendem com milhares de obras literárias de facto, facilmente condenáveis por “sexismo”, “racismo”, “xenofobia” “homofobia” ou qualquer outra calamidade equivalente. Dito de maneira diferente: a que título, em Portugal, os novos censores ignoram as inúmeras “discriminações” em Defoe ou Eliot, Twain ou Nabokov? Sensatos, os meus botões responderam: porque os novos censores nunca leram nada assim, e se leram não perceberam.

Na verdade, os novos censores exibiram vasta incapacidade em perceber os exactos livrinhos da “polémica”, conjuntos de exercícios e passatempos destinados a criancinhas de tenra idade. Conforme Ricardo Araújo Pereira mostrou no Governo Sombra, as edições “para o menino” e “para a menina” são rigorosamente iguais, excepto pelas ilustrações, assinadas por autoras diferentes. No meio das semelhanças, os novos censores lá conseguiram descobrir o rabisco de um labirinto cuja exigência era aparentemente maior na versão masculina do que na feminina. Alguns dos novos censores ainda estão a tentar sair de ambos.

Não estamos apenas no domínio da infantilidade: a coisa já roça a perturbação mental. Ao longo dos séculos, os partidários das repressões raramente se distinguiram pela inteligência. Os novos censores distinguem-se pela assustadora falta dela. Essa deficiência impele-os a farejar bibliotecas de creches, à cata de obras blasfemas para alimentar fogueiras. Ia acrescentar que é melhor isso do que andarem na droga. Mas a droga talvez envergonhe menos. (…)

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5 thoughts on “Censura no tempo da geringonça

  1. AB

    Faça favor de não lhes dar idéias! É estupidez atacar censores com essa do “há livros muito piores”.

  2. Manuel Assis Teixeira

    Lá está!! O que é que se espera da jovem Rodrigues ” apresentadeira” de programas de chamadas de valor acrescentado ou das suas histéricas colegas?: ZERO o que é que se espera do aprendiz de Pina Manique dos costumes o inefável Cabrita que já enquanto deputado deu mostras de ser um frustrado sargento da censura no episodio do microfone com o Paulo Núncio? : menos que ZERO
    É o que se chams Zeros à esquerda

  3. A. R

    Não leram … claro! Mas a razão é outra … usar a literatura infantil e a escola pública para formatar os mais jovens para a estrumeira moral socialista-comunista.

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